
A questão da autonomia real é sempre um dos fatores que mais pesa na balança de quem pondera comprar um automóvel 100 por cento elétrico, especialmente quando olhamos para o modelo mais barato do mercado nacional. Afinal, o Dacia Spring começa nos 16 900 €.
A Dacia equipou a renovada Spring 2026 que testei com uma bateria de tecnologia LFP que apresenta uma capacidade útil de 24,3 kWh. No papel, a marca homologa oficialmente uma autonomia média de 225 quilómetros em ciclo combinado WLTP, mas passei uma semana e meia ao volante deste citadino para colocar estes números à prova no uso real.
É fácil fazer mais de 210 km com o Dacia Spring... em cidade
A resposta curta é que a promessa da marca se cumpre com alguma facilidade, desde que mantenhas o veículo no seu habitat natural: as ruas da cidade. Durante os meus percursos diários em ambiente puramente urbano, sem grandes preocupações com a poupança do pedal e com o ar condicionado algumas vezes ligado, o Spring registou uma média impressionante que andou muito perto dos 9,5 a 10 kWh por cada 100 quilómetros.

Isto significa que podes contar com mais de 200 quilómetros reais com uma única carga na cidade. Aliás, se fores extremamente cuidadoso com as acelerações e aproveitares ao máximo a travagem regenerativa nas descidas e no para arranca, a eficiência do motor elétrico de 100 cavalos permite alcançar ou até ultrapassar a fasquia dos números prometido pela marca.
Números descem consideravelmente em autoestrada (como em qualquer elétrico)
O cenário muda de figura assim que decides colocar as rodas na autoestrada. Ao enfrentares vias rápidas e tentares manter uma velocidade constante na casa dos 90-100 km/h (neste automóvel também não aconselho ir a mais que isso), vais ver a percentagem da bateria descer de forma mais vertiginosa.
O consumo de energia dispara para valores mais altos e a autonomia real em autoestrada cai para uma fasquia que ronda os 120 a 140 quilómetros (se não fores guloso no acelerador). Para além disso, a menor insonorização da cabine acima dos 90 km/h e a velocidade máxima limitada aos 130 km/h deixam bem claro que as grandes viagens não são a praia deste modelo.

A grande vantagem deste pack de baterias mais contido está na rapidez com que o voltas a abastecer na tua garagem. com um carregamento normal doméstico em corrente alternada a 7 kW, consegues reaver os 100 por cento da carga em apenas 3 horas e meia.
Se precisares de recorrer à rede pública, o opcional de carga rápida em corrente contínua a 40 kW despacha o plano de 20% a 80% em cerca de 35 minutos. Paguei cerca de 10 € por um carregamento quase completo na rede pública (a 0,49 € o kWh). A verdade é que para quem faz percursos pendulares de curta distância entre o trabalho e a casa, este carro fornece energia suficiente para uma semana (ou mais) sem ver uma tomada.
Se não te queres preocupar com autonomia nem precisas de um elétrico, talvez o Dacia Sandero seja a alternativa a considerar.
