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O teu carro está cada vez mais caro de reparar e a culpa é disto

Os carros modernos estão carregados de tecnologia e isso também se sente quando chega a hora de os reparar. Sensores, câmaras e radares podem transformar uma pequena batida numa conta bem maior do que seria há alguns anos.

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Fonte: unsplash


Há alguns anos, uma pequena pancada no para-choques podia significar pouco mais do que pintura, chapa ou a substituição de uma peça. Hoje, em muitos carros, a história já não é assim tão simples.

Isto acontece porque vários componentes exteriores deixaram de ter apenas uma função estética. Atrás de um para-choques ou de uma grelha podem estar escondidos radares, sensores de estacionamento e outros equipamentos utilizados pelos sistemas de assistência à condução.

Esses sistemas, normalmente conhecidos como ADAS (Advanced Driver Assistance Systems, ou Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor), incluem tecnologias como a travagem automática de emergência, o cruise control adaptativo, o alerta de saída da faixa de rodagem ou a deteção do ângulo morto.

Uma pequena batida pode mexer em muito mais do que o para-choques

O problema é que estes sensores precisam de estar posicionados com bastante precisão.

A American Automobile Association explica que até uma colisão ligeira pode ser suficiente para retirar um sensor do alinhamento correto. Mesmo que aparentemente não esteja partido, pode ser necessário verificar o sistema e voltar a calibrá-lo. E é precisamente aqui que a conta começa a aumentar.

Depois de substituir ou reparar determinadas peças, a oficina pode ter de fazer um diagnóstico eletrónico e uma calibração dos sensores. Dependendo do automóvel, este procedimento pode exigir equipamento específico, espaço próprio na oficina ou até um teste em estrada.

Ou seja, já não estás apenas a pagar pela peça e pela mão de obra necessária para a montar.

Até mudar o para-brisas pode ficar mais caro

O mesmo acontece com algo tão comum como substituir um para-brisas.

Muitos carros modernos têm uma câmara instalada junto ao espelho retrovisor no interior. Esta pode ser utilizada para identificar as faixas de rodagem, veículos, peões ou sinais de trânsito.

Quando o vidro é substituído, a posição dessa câmara pode ser afetada e o fabricante pode exigir uma nova calibração.

O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) refere precisamente que reparações relacionadas com o para-brisas ou danos provocados por acidentes podem obrigar a recalibrar câmaras e sensores.

Não acontece necessariamente em todos os modelos, mas é cada vez mais comum nos automóveis equipados com sistemas avançados de assistência à condução.

E não é apenas o para-brisas. Segundo a AAA, uma calibração também pode ser necessária depois de trabalhos na suspensão, alinhamento das rodas ou sempre que determinados sensores são removidos e novamente instalados.

Espelhos, faróis e para-choques também estão mais complexos

Há ainda outro fator importante: as próprias peças têm cada vez mais tecnologia incorporada.

Um espelho retrovisor pode incluir câmaras, sensores de ângulo morto, desembaciamento, iluminação e motores elétricos. Os faróis podem ter sistemas LED matriciais ou adaptativos e um para-choques pode esconder vários sensores.

Estes componentes são também mais sensíveis ao que acontece no exterior. Por exemplo, até a acumulação de pólen e poeiras pode afetar as câmaras e os sensores, já que estes sistemas dependem de uma visão desimpedida para funcionar corretamente.

Por isso, uma peça que num carro mais antigo era relativamente simples de substituir pode hoje obrigar a trocar componentes eletrónicos adicionais e a configurar novamente alguns sistemas.

É também por esta razão que duas batidas visualmente semelhantes podem resultar em contas completamente diferentes dependendo do modelo do automóvel.

A tecnologia não é o problema, mas tem um preço

Tudo isto não significa que os carros modernos sejam piores.

Pelo contrário, muitos destes equipamentos foram introduzidos precisamente para evitar acidentes ou reduzir as suas consequências. O IIHS salienta que os sistemas de prevenção de colisões têm benefícios comprovados para a segurança. O outro lado da medalha é a complexidade.

Quanto mais câmaras, radares, sensores e módulos eletrónicos um automóvel tiver, maior pode ser o trabalho necessário para garantir que tudo continua a funcionar corretamente depois de uma reparação.

Por isso, da próxima vez que olhares para uma pequena batida e pensares que é "só um para-choques", convém não tirar conclusões demasiado depressa.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.