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Conduzi o Dacia Sandero mais barato no dia a dia: como se porta?

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Dacia

Dacia Sandero 2026
★★★★☆4.5Muito Bom

O Dacia Sandero continua a ser a escolha mais pragmática do mercado automóvel em Portugal. É um utilitário honesto, que oferece espaço surpreendente para o seu tamanho, consumos regrados e uma oferta tecnológica que cobre todas as necessidades modernas. A versão testada acrescenta luxos que sobem o preço, e os plásticos rijos e materais menos refinados ainda são uma realidade. A versão a GPL é uma escolha mais acertada, sendo que este TCe 100 pode fazer sentido apenas para quem quer simplificar.

Prós
  • Controlos da climatização físicos dos mais intuitivos do mercado
  • Integração sem fios de Android Auto e Apple CarPlay a funcionar na perfeição, com Spotify nativo
  • Surpreendente oferta de câmaras à volta do veículo e carregamento sem fios nesta faixa de preço
  • Espaço interior para cinco adultos e bagageira competente para o dia a dia
  • Cartão mãos-livres com um funcionamento impecável
Contras
  • Dinâmica de condução puramente utilitária, sem grande diversão ao volante
  • Presença notória de plásticos rijos e materiais menos refinados no habitáculo
  • Versão a GPL custa o mesmo e proporciona maior poupança
Característica Detalhe
Motorização TCe 100 (gasolina, depósito único)
Consumo Prometido (WLTP) 5,4 l/100 km
Preço base 16 150 €
Preço versão testada (Journey) 20 157 €
Conetividade Android Auto / Apple CarPlay sem fios, 4x USB-C

Basta sair à rua durante cinco minutos para perceber. Não é à toa que o Dacia Sandero é um dos automóveis mais vendidos em Portugal. Num mercado onde o preço dos carros novos disparou de forma assinalável, a marca romena (sob alçada da Renault) encontrou a fórmula entre acessibilidade e funcionalidade.

Depois de já ter testado o seu irmão de aspeto mais aventureiro no nosso ensaio ao Dacia Sandero Stepway, chegou agora a vez de passar uma semana ao volante do modelo base, numa versão mais focada no uso citadino.

O preço de entrada deste modelo começa nos muito apelativos 16 150 €. Contudo, a unidade que testei (versão Journey) vinha apetrechada com algum equipamento extra, mais ou menos prioritário (dependendo do que valorizas), que faz a fatura subir para os 20 157 €.

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Entre esses extras encontram-se as câmaras à volta de todo o veículo, o carregamento sem fios para o smartphone, sensores de proximidade avançados e o sistema de infoentretenimento mais completo. Pode não fazer sentido para todos pagar este valor por um Dacia, mas a experiência a bordo faz diferença.

Experiência de uma semana com o Dacia Sandero mais acessível

Espaço e conforto

Para o dia a dia, as dimensões do Sandero são um trunfo. É pequeno o suficiente para estacionar na esmagadora maioria dos lugares paralelos que encontras na cidade, mas lá dentro a história é outra. O aproveitamento do habitáculo é bom.

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Há espaço suficiente para cinco ocupantes viajarem com relativo conforto. A bagageira não bate recordes, mas é mais do que suficiente para as compras da semana, as mochilas dos miúdos ou para pequenas viagens de fim de semana com dois ou três trolleys.

Nesta versão Journey, sente-se a preocupação da marca em aumentar o conforto para justificar o preço. A inclusão de zonas revestidas a tecido no tablier corta a monotonia e melhora a perceção tátil. Claro que, ao olhar com mais atenção, notas a "barateza" em alguns acabamentos e nos plásticos mais rijos das portas ou na consola central. Mas os materiais cumprem o seu propósito de durabilidade.

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Tecnologia e infoentretenimento

A abordagem da Dacia à tecnologia é uma lufada de ar fresco pela sua simplicidade. Em vez de esconderem tudo em ecrãs complexos, fornecem controlos de ar condicionado mais físicos e intuitivos do mercado. Roda-se um botão e está feito.

A nível de conetividade, a surpresa é muito positiva. O sistema suporta Android Auto e Apple CarPlay, que simplesmente funcionam, sem quebras nem atrasos. Como bónus, o Spotify já vem pré-instalado de forma nativa no sistema do carro. Esta versão está muito bem servida de ligações, com portas USB-C tanto à frente como para os passageiros de trás, além da base de carregamento sem fios.

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O sistema de câmaras periféricas é um bom aliado e é louvável ver esta opção disponível num carro deste segmento. Ainda que não sejam as câmaras com mais definição, cumprem.. Apenas um pequeno reparo para os sensores de estacionamento: são extremamente audíveis.

Funcionam muito bem e não te deixam bater em nada, mas durante toda a semana não consegui perceber como lhes baixar o volume, o que pode ser ligeiramente irritante em manobras apertadas. Destaque ainda para o cartão mãos-livres da marca, que tranca e destranca o carro por aproximação de forma sempre impecável.

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Condução e consumos

Esta versão vem equipada com o bloco TCe 100, alimentado exclusivamente por um depósito a gasolina. Ao longo de 600 km de teste, maioritariamente feitos em ambiente citadino e no habitual para-arranca das horas de ponta, registei uma média de 6,2 l/100 km.

É um valor aceitável face aos 5,4 l/100 km anunciados pela marca, especialmente tendo em conta o tipo de percurso. No momento de devolver o carro, e tendo iniciado o teste com o depósito cheio, ainda marcava capacidade para fazer mais 180 km.

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Ao volante, é um carro "despachado". O motor tem alma suficiente para as ultrapassagens e para a dinâmica da cidade, mas não esperes grandes emoções, principalmente quando ligas o AC. Não esperes que seja o carro mais divertido do mundo para conduzir. A suspensão foca-se em absorver as irregularidades e a direção é leve, pensada para o conforto e não para atacar curvas na serra.

Se a poupança for a tua prioridade na hora da compra, o ideal seria apostares na versão Eco-G 120. Com a ajuda do depósito a GPL, essa motorização traz custos de abastecimento significativamente mais baixos, como praticamente o dobro da autonomia combinada. E o preço é exatamente o mesmo.

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Para quem é o Dacia Sandero (TCe 100)

  • Famílias pequenas ou condutores individuais que procuram uma ferramenta de mobilidade fiável e espaçosa;
  • Utilizadores que valorizam botões físicos para a climatização e tecnologia funcional sem grandes complicações;
  • Condutores cujo percurso diário exige um carro ágil e fácil de estacionar em centros urbanos.

Não é para... entusiastas de automóveis que procuram uma dinâmica de condução desportiva e um volante comunicativo, consumidores que dão prioridade a materiais de soft-touch, insonorização premium e acabamentos de luxo ou para quem faz dezenas de milhares de quilómetros anuais em autoestrada (para esses, a versão GPL Eco-G faz muito mais sentido.

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Conclusão

O Dacia Sandero não tenta ser aquilo que não é, e é exatamente aí que reside a sua maior força. Nesta versão de entrada de gama equipada, que começa nos 16 150 € em Portugal, com os extras da versão Journey, entrega tudo o que um condutor comum precisa para o dia a dia: espaço, tecnologia atualizada, consumos honestos e facilidade de utilização.

Pagar mais de 20 mil euros por um Dacia pode causar alguma estranheza inicial aos mais puristas da marca, sobretudo quando sabemos que os materiais interiores continuam a refletir a contenção de custos.

No entanto, o equipamento acrescentado traz uma comodidade real e palpável. É um carro pensado com a cabeça, que transporta pessoas do ponto A ao ponto B com dignidade, conforto e eficácia. Se espaço for um problema, talvez devas olhar para o Dacia Duster.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Está no 4gnews desde 2017, onde dá asas à sua paixão por escrever sobre tecnologia. Já fez mais de 300 reviews a produtos, visitou fábricas de smartphones na China e marcou presença em alguns dos grandes eventos tecnológicos, como o Mobile World Congress e IFA. É editor-chefe desde 2025.