Não é uma surpresa para ninguém que as empresas de telecomunicações em Portugal parecem estar a criar uma espécie de monopólio em termos de preços, regras e fidelizações de dois anos.
Esta última incomoda-me pessoalmente porque, a meu ver, se as marcas têm tanta confiança no seu produto, não vejo razão para prenderem um consumidor a um contrato durante anos, apenas para garanti-lo como cliente. Eu, certamente, não cedo a este tipo de pressão, e penso que ninguém deveria.
Recentemente, os líderes das operadoras nacionais tradicionais (NOS, Vodafone e MEO) defenderam que o mercado português pode não conseguir sustentar quatro grandes operadoras móveis ao mesmo tempo.
O que eu chamo o "grupinho dos três" mostra-se mais interessado em manter as suas políticas absurdas do que mudar as regras do jogo das telecomunicações e fornecer melhores preços, melhor serviço e confiar no seu próprio produto.
Tudo o que vejo aqui é o medo que estas operadoras sentem pela forma de como a Digi abalroou pelo mercado português a dentro, sem pedir licença à geração antiquada de redes que "sempre fizeram parte" das nossas casas.
Ora, após esta entrada da Digi em grande estilo, devo dizer, as operadoras vira-se obrigadas a responder a este "ataque" e encontraram uma solução: lançar sub-operadoras (WOO, Amigo e UZO), que funcionam através das suas infraestruturas originais, mas com os preços muito reduzidos e sem fidelizações. Então, afinal é possível ter operadoras low cost em Portugal?
Eu sempre fui cliente da Vodafone, mas há cerca de dois anos mudei para a WOO (pertencente à NOS). Neste momento pago 7 euros mensais (graças a uma promoção – de outra forma seria 10 euros), sem fidelização por chamadas e SMS grátis e internet ilimitada. Que ótimo negócio!
Também, segundo estes líderes, existe uma queda de receitas que é, curiosamente, a primeira em sete anos. O que a muitos faria pensar que estas operadoras tradicionais estariam em declínio por motivos relacionados com investimento de infraestruturas novas, talvez; o que vejo é uma perda de mercado para uma operadora jovem, com sucesso e com os pés bem assentes na terra, que sabe exatamente o que o consumidor português (e europeu) quer e precisa.
Como podes ler neste artigo do 4gnews, a Digi "já soma perto de 1 milhão de clientes em todos os serviços" e estão a ter dificuldade em igualar as oportunidades que a Digi oferece. O resultado foi uma prolongação das campanhas promocionais destas marcas.
Portanto, os CEOs falam numa inevitabilidade de consolidação. Quando três operadores defendem que quatro é demais, isso só mostra a enorme pressão nas contas e um leve choramingo, de quem estava habituado a ter tudo sem dar nada em troca, a acompanhar o prato principal recheado de regras e contratos.
Com preços mais baixos e receitas médias a cair, o modelo atual pode não ser sustentável "para todos", mas esta "revolução das telecomunicações" é certamente uma dádiva para os portugueses. Isto não passa de um ajuste no mercado que há muito já se pedia. Portanto, deixo o desafio às operadoras tradicionais para olharem para o futuro e um bem-haja à Digi: vai ser a bem ou a mal?
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