
A Porsche sempre foi uma marca especial para mim. Basta olhar para um 911 Turbo S para perceber isso. Continua a ser um dos carros que eu adorava ter na minha garagem. É bonito de praticamente todos os ângulos, tem uma potência absurda, um handling incrível e consegue ser rápido sem perder aquela essência de carro feito para quem gosta mesmo de conduzir.
E é exatamente isso que me faz confusão hoje em dia.
Porque a Porsche sempre foi conhecida por fazer carros emocionantes. Carros baixos, agressivos, com um som incrível e focados na experiência de condução. Mesmo quem não percebe muito de carros olha para um GT3 RS ou para um Turbo S e percebe imediatamente que aquilo é especial.
Quando vi o novo Cayenne fiquei confuso
Quando a Porsche revelou o novo Cayenne elétrico, honestamente pensei que fosse apenas mais um SUV elétrico para o dia a dia. Um carro confortável para passar umas férias ao Alentejo, para levar os filhos à escola ou simplesmente para quem quer espaço e tecnologia. E atenção: não tenho nada contra SUVs. O Cayenne e o Macan salvaram financeiramente a Porsche e isso é inegável.
O problema foi quando comecei a olhar atentamente para a ficha técnica e percebi que este SUV tem 1156 cavalos. E pior ainda: a própria Porsche já fala dele como “um dos carros mais rápidos de toda a produção da marca”.
É aqui que começo mesmo a perder um bocado o entusiasmo, porque por muito rápido que seja, continua a ser um SUV enorme, pesado e claramente pensado para conforto. E eu fico a pensar: esta potência toda não faria muito mais sentido num futuro GT3 RS elétrico? Num sucessor do 918 Spyder?
Parece que hoje em dia existe quase uma obsessão das marcas em meter números absurdos em SUVs só para chamar atenção.
O problema não é ser elétrico
E o mais engraçado é que o problema, para mim, nem sequer é o carro ser elétrico.
Porque há elétricos que eu acho incríveis. O XPENG G9 surpreendeu-me muito pela qualidade de construção e pela quantidade de tecnologia que oferece. E honestamente? Algumas marcas chinesas estão a começar a deixar certas marcas europeias nervosas. O problema aqui é mais a identidade da Porsche.
Sinto que a marca está lentamente a afastar-se daquilo que a tornou especial para os Gear Heads. E sim, eu percebo perfeitamente que estes SUVs vendem imenso e dão dinheiro. Mas também acho que chega a um ponto em que a marca começa a perder um bocado da alma.
Porque quando um SUV familiar começa a ter mais potência do que muitos super carros e desportivos icónicos da própria marca… alguma coisa mudou.
