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Adeus Google, foi um prazer conhecer-te

O Google continua a dominar a internet, mas virou um labirinto de SEO e clickbait. E os utilizadores estão a fugir para comunidades e IA em busca de clareza.

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imagem criada com IA

O Google é o motor de busca mais usado em todo o mundo, e a fama que ganhou não foi por acaso. Durante décadas, foi a única forma de encontrar todo o tipo de conteúdo que procurávamos: desde vídeos e jogos a sites e ficheiros e programas.

O Google tornou-se o plano B

Mas desde há uns anos para cá, a internet que tanto conhecíamos e adorávamos deixou de ser a mesma internet que usamos hoje em dia. Não sei se têm reparado, mas o tipo de conteúdo e como ele é apresentado tem vindo a mudar. É como se toda a internet tivesse levado uma reestruturação reinada por algoritmos e SEO — e este efeito veio a sentir-se naturalmente.

O que quero dizer com isto é que o Google, que antes era o sítio onde todos nós íamos quando queríamos encontrar alguma coisa, agora não passa de um aglomerado de artigos, fóruns e links para redes sociais, com todo o tipo de informação que nos interessa ou não — como é o famoso clickbait.

Quantos de nós, muitas vezes, não passamos o Google à frente apenas para perguntar ao ChatGPT (no caso de querermos uma curadoria digital mais específica) ou para ir diretamente a websites específicos como o Reddit, que oferece um olhar mais humano sobre qualquer assunto? Queres falar sobre jogos? Vais diretamente a um Discord ou a um Subreddit — porque, para além dos websites que são especialistas em determinadas áreas, é nestes que a opinião se forma.

A disputa pela atenção

Um dos casos que mais noto como redator é que a internet deixou de ser um espaço tão livre como era antes — tornou-se mais eficiente, mas menos respirável. Hoje em dia temos que escrever títulos específicos com regras específicas, apenas para que o Google se lembre dos nossos artigos e os entregue quando alguém, por exemplo, pesquisa um termo relacionado com o tema.

Mas nem tudo é culpa do Google. Hoje, o tempo de atenção da maioria de nós é muito reduzido. Ninguém encontra a paciência para ler textos longos que não dizem a resposta ao que procuramos na primeira linha. E eu não censuro. Nós não somos seres de muita paciência, num modo geral.

Por isso queremos tudo e agora. E quando surgem mais dúvidas, como seres curiosos que somos também, queremos saber da opinião das pessoas que passaram pelo mesmo problema. Porque são essas pessoas que nos vão dizer o método científico para resolvê-lo.

A internet é uma terra sem lei, mas com regras

Então, por causa de todas essas razões que disse, os sites disputam espaço no Google, como o rank que é. A realidade do Google (e da internet no geral) é entregar conteúdo de forma rápida e eficaz, e que responda ao que é pedido do utilizador, mas que cumpra com o SEO obrigatório para poder aparecer no teu ecrã. É preciso haver um equilíbrio e não um monte de clickbaits que tentam a nossa sorte como uma roleta.

Repararam que no título deste artigo, eu disse adeus ao Google. Então isto quer dizer que o Google morreu, ou está em vias de? Não. Porque tudo ainda depende dele e do seu Discovery.

Sinto que, como conclusão, poderíamos facilmente perguntar: o Google ainda é a internet… ou tornou-se apenas um intermediário cansado entre nós e o conteúdo?

Estamos numa era de Brain Rot, cuja atenção é um luxo e se eu escrevesse este título pelo que é literalmente — ensaio de observação online sobre o declínio do Google como centro absoluto da web — nenhum de vocês me daria o tempo do dia para ler este artigo.

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Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa, é redator na 4gnews com 10 anos de experiência em conteúdo online. Apaixonado por tecnologia e gaming, acompanha as novidades do setor e cria análises e guias para ajudar os leitores a fazer escolhas informadas. Nunca sai de casa sem o telemóvel, porque sem GPS dificilmente chega ao destino.