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Muitos condutores portugueses não sabem, mas as multas de trânsito prescrevem após este prazo

Em Portugal, o procedimento por uma contraordenação rodoviária prescreve, em regra, ao fim de dois anos, mas notificações e períodos de suspensão podem prolongar esse prazo até 3 anos e meio.

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Em muitos casos uma multa de trânsito deixa de poder ser cobrada ao fim de dois anos. A regra existe de facto, mas há atos do processo que fazem o prazo recomeçar.

O artigo 188.º do Código da Estrada diz que o procedimento por contraordenação rodoviária prescreve quando passam dois anos sobre a infração.

Esse prazo não é fixo. Alguns atos interrompem a prescrição, entre eles a notificação da decisão da autoridade. Nesse caso a contagem volta ao início com mais dois anos.

Outro aspeto importante é que existe um teto. Pelo regime geral das contraordenações, o procedimento prescreve sempre quando passa o prazo normal acrescido de metade, ou seja, três anos desde a infração.

No caso de existir suspensão, que dura no máximo seis meses, o limite sobe para três anos e seis meses.

E depois de a multa estar decidida?

Segundo o artigo 189.º, a coima e as sanções acessórias, como a inibição de conduzir, prescrevem dois anos depois de a decisão se tornar definitiva ou transitar em julgado.

Um exemplo para perceberes o que está em causa é ter em conta uma determinada infração cometida a 1 de março de 2024. Se nada acontecer no processo, o procedimento prescreve em março de 2026.

Se em janeiro de 2026 a autoridade notificar a decisão, o prazo recomeça, mas nunca pode passar de março de 2027, a não ser que haja suspensão, que acrescenta até seis meses.

Atenção que a prescrição não é automática. Quem acha que o prazo já passou deve invocar a prescrição por escrito, na defesa ou na impugnação, em vez de esperar que a autoridade a reconheça.

Como a contagem depende das datas de cada notificação, o melhor é mesmo guardar todos os comprovativos e, em caso de dúvida, falar com um advogado. No limite, com notificações e suspensão o procedimento pode chegar aos 3 anos e 6 meses.

Além disso, depois de a decisão ser definitiva, a coima ainda tem dois anos para ser cobrada.

Tomás Cascão
Tomás Cascão
Tomás Cascão é colaborador do 4gnews. Especializado em tecnologia, temas nacionais, streaming e dicas para smartphones, com foco em conteúdos úteis e acessíveis para o dia a dia.