
O que aconteceu e porque Portugal está no meio
O navio de cruzeiro MV Hondius partiu da Argentina com 150 passageiros rumo a Cabo Verde e chegou ao destino com um surto a bordo. Três pessoas morreram, outras ficaram gravemente doentes, e com um tripulante português envolvido, o navio ficou retido ao largo do Porto da Praia com os passageiros impedidos de desembarcar. A OMS confirmou sete casos, dois deles confirmados em laboratório.
Não é a primeira vez que um vírus transportado de fora chega a notícias portuguesas. Em 2024 a Europa registou casos do vírus Oropouche pela primeira vez, trazido da América do Sul por viajantes. O padrão é o mesmo.
O que é e como se transmite
Trata-se de uma família de vírus transmitidos por ratos e ratazanas, com pelo menos 38 espécies identificadas e 24 com capacidade de provocar doença em humanos. A principal via de transmissão é a inalação de partículas microscópicas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infetados. Não se apanha na rua. Transmissão entre humanos é extremamente rara.
As estirpes da América do Sul atacam o sistema respiratório e a taxa de mortalidade pode atingir os 40%. As estirpes europeias e asiáticas afetam sobretudo os rins e são geralmente menos letais.
Os sintomas e o que fazer em Portugal
Febre, calafrios, dores musculares e dores de cabeça são indistinguíveis de uma gripe comum na fase inicial. Na forma pulmonar, entre uma a oito semanas após a exposição, os pulmões começam a acumular líquido e o quadro pode deteriorar-se rapidamente.
Se regressaste recentemente da Argentina ou da Patagónia e tiveste uma febre persistente nas semanas seguintes, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) antes de ir a uma urgência e menciona o historial de viagem. É o detalhe que faz o médico considerar este diagnóstico. Para quem limpa espaços fechados com sinais de roedores, máscara FFP2, luvas e não varrer a seco são as regras básicas de prevenção.
Portugal está em risco?
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge realiza testes regulares a roedores em Portugal e nunca foi detetado nenhum animal infetado no país, nem em Espanha. Não existe qualquer caso humano confirmado de hantavírus em Portugal. O clima mediterrânico não oferece as condições ideais para a circulação das estirpes mais perigosas.
E uma pandemia? O vírus não se transmite facilmente entre pessoas nem sofre mutações rápidas que alterem o seu comportamento. O risco de propagação em larga escala é, por agora, muito baixo.
