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Estas são as despesas que desaparecem quando trocas um carro a combustão por um elétrico

Trocar um carro a combustão por um elétrico não elimina as idas à oficina, mas há várias despesas de manutenção que simplesmente deixam de existir.

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Fonte: Pexels

Comprar um carro elétrico não significa dizer adeus às oficinas. Pneus, suspensão, ar condicionado ou líquido dos travões continuam a precisar de atenção. No entanto, há uma diferença importante: grande parte dos componentes associados ao motor a gasolina ou gasóleo simplesmente deixa de existir.

Essa menor complexidade mecânica também pode refletir-se nos custos. Segundo um estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT), os carros elétricos podem apresentar custos de utilização inferiores aos de modelos equivalentes a combustão. Aliás, esta diferença nos custos é uma das razões pelas quais os elétricos continuam a ganhar argumentos face aos carros a gasolina e gasóleo.

Mas onde é que essa diferença se sente na manutenção?

Adeus às mudanças de óleo e respetivo filtro

Uma das diferenças mais óbvias está no óleo do motor. Num motor a combustão, o óleo é essencial para lubrificar as várias peças móveis e tem de ser substituído periodicamente. Normalmente, essa intervenção inclui também a troca do filtro de óleo.

Num carro 100% elétrico esta manutenção desaparece, porque não existe um motor de combustão a necessitar desse tipo de lubrificação.

Segundo o Automóvel Club de Portugal (ACP), a ausência de óleo do motor e respetivo filtro é precisamente uma das razões pelas quais um elétrico pode exigir menos manutenção periódica.

As velas também deixam de entrar na conta

Nos automóveis a gasolina, as velas são responsáveis por criar a faísca que permite iniciar a combustão dentro dos cilindros. Num carro elétrico não há combustível a ser queimado. Por isso, também não há velas de ignição para substituir ou avarias associadas a estes componentes.

É uma das várias diferenças mecânicas que tornam a manutenção de um elétrico mais simples.

Aliás, esta menor complexidade é uma das razões pelas quais os preços dos combustíveis podem não ser o único argumento a favor de um elétrico. A ausência de várias peças sujeitas a desgaste também pode pesar nas contas ao longo dos anos.

O sistema de combustível desaparece

Num carro a gasolina ou gasóleo existem vários componentes responsáveis por armazenar, filtrar e levar o combustível até ao motor. Entre eles estão o depósito, filtro de combustível, bomba e injetores.

Num elétrico, todo esse circuito deixa de ser necessário. Não há gasolina ou gasóleo para armazenar e, consequentemente, também desaparecem várias possíveis despesas de manutenção ou reparação associadas ao sistema de alimentação.

Correia de distribuição deixa de ser uma preocupação

A correia de distribuição é outro componente que simplesmente não existe num motor elétrico. Nos carros a combustão, a substituição desta peça faz parte da manutenção prevista pelo fabricante e ignorá-la pode provocar uma avaria bastante dispendiosa.

Num elétrico, o sistema de propulsão utiliza muito menos peças móveis e não necessita de correia de distribuição. Isso significa que esta intervenção deixa de entrar no orçamento de manutenção ao longo da vida do carro.

O sistema de escape desaparece por completo

Como um carro elétrico não queima combustível durante a condução, também não necessita de um sistema de escape convencional. Desaparecem componentes como o tubo de escape, catalisador e filtro de partículas.

Nos automóveis a gasóleo, deixam também de existir despesas relacionadas com sistemas de tratamento dos gases de escape e produtos como o AdBlue. São componentes que podem representar despesas significativas quando precisam de ser reparados ou substituídos num carro a combustão.

Os travões continuam lá, mas podem durar mais

Aqui existe uma diferença importante.

Um elétrico continua a utilizar discos, pastilhas e líquido dos travões. Portanto, esta despesa não desaparece. No entanto, a travagem regenerativa permite ao motor elétrico ajudar a desacelerar o automóvel enquanto recupera parte da energia e a envia novamente para a bateria.

Na prática, isto pode reduzir a utilização dos travões convencionais e, consequentemente, o desgaste das pastilhas e dos discos.

Nem tudo desaparece num carro elétrico

Ter menos componentes mecânicos não significa manutenção zero. Um elétrico continua a precisar de pneus, suspensão, amortecedores, escovas limpa-vidros, ar condicionado, filtro do habitáculo e líquido dos travões, entre outros elementos.

Como já explicámos ao analisar a degradação das baterias dos carros elétricos, a perda de capacidade tende a acontecer de forma gradual e pode depender de fatores como a quilometragem, a temperatura e os hábitos de carregamento.

Isso não significa que a bateria tenha de ser substituída regularmente. É apenas um dos componentes que convém acompanhar, principalmente quando compras um elétrico usado.

No final, a vantagem está sobretudo na quantidade de coisas que deixam de existir: sem óleo do motor, filtro de óleo, velas, sistema de combustível, correia de distribuição ou sistema de escape, há menos componentes sujeitos a revisões e possíveis avarias.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.