A alternativa é o GPL, um combustível que está longe de ser uma novidade, mas que pode voltar a fazer sentido para quem quer reduzir os gastos sem trocar o motor de combustão por um elétrico.
Aliás, já existem carros recentes que saem de fábrica preparados para funcionar tanto a gasolina como a GPL, sem ser necessário fazer qualquer conversão posterior.
A diferença começa logo no preço por litro
Segundo os dados da DGEG, a 18 de setembro de 2026 o gasóleo simples apresenta um preço médio de 2,216 € por litro, enquanto o GPL Auto está nos 0,963 € por litro. Os valores variam entre postos e regiões, por isso convém confirmar os preços praticados na tua zona.
Mas o preço por litro não conta a história toda. Um carro a GPL tende a consumir mais litros aos 100 km do que um Diesel, por isso o mais importante é perceber quanto custa realmente percorrer a mesma distância.
Quanto custa realmente fazer 100 km?
Um bom exemplo a GPL é o Renault Captur ECO-G 120, que já tivemos oportunidade de testar. Durante o ensaio, percorremos 412 km a GPL e registámos um consumo médio de 7,1 l/100 km. Com o GPL a cerca de 0,963 € por litro, fazer 100 km neste cenário representa um gasto de aproximadamente 6,84 €.
Do outro lado podemos colocar um Diesel bastante conhecido nas estradas portuguesas, o Peugeot 308 BlueHDi 130. Segundo a Peugeot, esta versão apresenta um consumo combinado WLTP entre 4,9 e 5,0 l/100 km.
Usando os 5,0 l/100 km como referência e o gasóleo a 2,216 € por litro, percorrer os mesmos 100 km fica por aproximadamente 11,08 €.
| GPL — Renault Captur | Diesel — Peugeot 308 | |
|---|---|---|
| Consumo usado | 7,1 l/100 km | 5,0 l/100 km |
| Preço por litro | 0,963 € | 2,216 € |
| Custo por 100 km | 6,84 € | 11,08 € |
Ou seja, mesmo consumindo mais litros, neste exemplo o GPL permite poupar cerca de 4,24 € por cada 100 km. Ao fim de 10.000 km, a diferença aproxima-se dos 424 €. Em 20.000 km, pode chegar aos 848 €.
Claro que estes valores servem apenas como referência. Estamos a comparar carros diferentes e o consumo real depende do percurso, trânsito e estilo de condução.
E já existem carros recentes preparados de fábrica
Associar GPL apenas a carros antigos convertidos deixou de fazer sentido. A Dacia continua a apostar nesta tecnologia e o Sandero ECO-G 120, por exemplo, é vendido diretamente de fábrica com dois depósitos, um para gasolina e outro para GPL.
A Renault também reforçou recentemente a aposta nesta solução. Como já explicámos no 4gnews, a marca levou a motorização GPL aos Renault Clio, Captur e Symbioz.
Segundo a Renault, estes modelos utilizam os dois depósitos de forma alternada. O arranque é feito a gasolina e o automóvel pode depois passar para GPL. Caso o depósito de GPL fique vazio, continua a ser possível circular utilizando gasolina.
Há ainda outra vantagem: juntando a capacidade dos dois depósitos, alguns modelos conseguem anunciar uma autonomia total próxima dos 1.500 km.
Fazer poucos quilómetros também merece atenção num Diesel
Há outro ponto que interessa sobretudo a quem utiliza o carro principalmente em cidade ou para pequenas deslocações. Os Diesel modernos utilizam componentes como o filtro de partículas (DPF), responsável por reter partículas provenientes da combustão.
Para eliminar a fuligem acumulada, o filtro necessita de realizar um processo conhecido como regeneração, que exige determinadas temperaturas.
Segundo a RAC, fazer constantemente percursos demasiado curtos pode impedir que esse processo termine corretamente, aumentando a possibilidade de acumulação de fuligem no filtro. Isto não significa que um Diesel vá começar a dar problemas só porque faz cidade. No entanto, o tipo de utilização importa e percursos curtos frequentes não são o cenário mais favorável para estes sistemas.
Se conduzes um Diesel, também pode ser útil perceber quando compensa escolher gasóleo aditivado em vez do normal.
E a manutenção de um GPL?
Ter GPL também não significa deixar de fazer manutenção. Existem componentes específicos relacionados com o sistema de alimentação e estes devem ser verificados de acordo com o plano indicado pelo fabricante.
No caso dos modelos ECO-G da Renault, a marca afirma que a manutenção é semelhante à de um automóvel convencional a gasolina, apontando, a título indicativo, para revisões entre os 20.000 e os 30.000 km, dependendo do automóvel.
Ou seja, a escolha não deve ser feita apenas com base na ideia de que uma tecnologia "não dá problemas". Qualquer automóvel exige manutenção, e o historial, utilização e modelo escolhido continuam a ser fundamentais.
O GPL também tem desvantagens
Apesar do preço por quilómetro ser bastante apelativo, há algumas limitações a ter em conta:
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Existem menos postos: segundo os dados do InfoGasolina, estam monitorizados 473 postos com GPL Auto, contra mais de 3.100 com gasóleo simples.
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Convém verificar a rede perto de casa: antes de comprar, é importante perceber se existem postos com GPL perto de casa, do trabalho ou nos trajetos que fazes com mais frequência.
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Existem menos modelos à escolha: apesar da aposta de marcas como Dacia e Renault, a oferta de carros novos a GPL continua mais limitada.
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O consumo em litros é superior: um carro a GPL pode gastar mais litros aos 100 km, embora o preço bastante inferior do combustível possa compensar essa diferença.
Ainda assim, como estes automóveis também têm depósito de gasolina, ficar sem GPL não significa ficar parado.
Então, pode valer a pena deixar o gasóleo?
Trocar um carro que já está pago e funciona bem apenas para poupar alguns euros em combustível nem sempre será financeiramente vantajoso. É preciso considerar também o preço do novo carro, desvalorização, seguro, manutenção e o valor obtido pela venda do atual.
Mas para quem já está a pensar trocar de automóvel, não quer passar para um elétrico e pretende manter os custos de utilização baixos, o GPL merece pelo menos entrar nas contas.
Com os preços utilizados nesta comparação, o Renault Captur, com um consumo médio de 7,1 l/100 km a GPL, gastaria cerca de 6,84 € por cada 100 km. Um Diesel bastante económico a gastar 5 l/100 km aproxima-se dos 11,08 €.
E com os preços dos combustíveis a sofrerem fortes oscilações, encontrar uma forma de reduzir o custo de cada quilómetro tornou-se ainda mais relevante. O elétrico não é a única alternativa. Para algumas pessoas, a resposta pode continuar a ter um depósito e um motor de combustão, mas abastecer por menos de um euro por litro.
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