Os preços dos combustíveis parecem ter entrado numa espécie de montanha-russa permanente. Numa semana respiramos de alívio porque o gasóleo desce alguns cêntimos. Na seguinte, voltamos a ouvir falar de aumentos que rapidamente anulam essa poupança.
E isto fez-me pensar numa questão que, há alguns anos, provavelmente nem colocaria da mesma forma: será que está na altura de comprar um carro elétrico?
Não digo isto porque ache que os carros elétricos são perfeitos. Não são. Continuam a existir problemas relacionados com o preço, carregamento, autonomia em algumas situações e até com a infraestrutura disponível em determinadas zonas.
Mas há uma vantagem que começa a pesar cada vez mais para mim: saber quanto vou gastar para andar de carro.
O gasóleo tornou-se uma despesa difícil de prever
Quem utiliza um carro a gasolina ou gasóleo está habituado a uma rotina quase absurda. Chega o final da semana e começam as previsões: gasolina sobe, gasóleo desce, na semana seguinte acontece exatamente o contrário.
Pode parecer uma diferença pequena quando falamos de alguns cêntimos por litro, mas num depósito de 40, 50 ou 60 litros a conta começa rapidamente a aumentar. E o maior problema nem sequer é apenas o preço atual. É a incerteza.
Hoje podes calcular um determinado orçamento mensal para combustível e, poucas semanas depois, esse valor já pode estar desatualizado.
É precisamente por isso que cada vez faz mais sentido perceber quanto custa realmente andar com um carro elétrico em Portugal, sobretudo para quem tem possibilidade de carregar em casa.
Claro que a eletricidade também não tem um preço completamente estável. Mas quem consegue carregar um carro elétrico em casa tem normalmente muito mais controlo sobre quando carrega, qual a tarifa que utiliza e quanto paga por cada carregamento. É precisamente aqui que, para mim, o elétrico começa a ganhar pontos.
Um elétrico não faz sentido para toda a gente
Também seria errado dizer que qualquer pessoa deve trocar imediatamente o seu carro por um elétrico.
Se vives num apartamento sem garagem, dependes exclusivamente de carregadores públicos ou fazes constantemente viagens muito longas, a experiência pode ser bastante diferente. E quem depende da rede pública sabe que o carregamento de carros elétricos em Portugal ainda tem alguns pontos a melhorar.
Da mesma forma, trocar um carro perfeitamente funcional apenas para começar a poupar alguns euros por mês dificilmente será uma decisão financeiramente inteligente. Mas para quem já está a pensar comprar um carro novo ou usado, a situação muda.
Se tens possibilidade de carregar em casa, percorres vários quilómetros por mês e utilizas o carro sobretudo em cidade e trajetos relativamente previsíveis, um elétrico começa a ser uma alternativa cada vez mais difícil de ignorar. E não é apenas pelo custo da energia.
Os carros elétricos têm menos componentes mecânicos sujeitos a manutenção, não precisam de mudanças de óleo do motor e eliminam várias das despesas tradicionais associadas aos motores de combustão. Isso não significa manutenção zero, mas significa uma mecânica bastante mais simples.
A verdadeira vantagem pode ser a previsibilidade
Durante muito tempo, a discussão sobre carros elétricos esteve praticamente limitada à autonomia.
“Quantos quilómetros faz?”
“Quanto demora a carregar?”
“E se ficar sem bateria?”
São perguntas perfeitamente legítimas, mas atualmente há outro fator que merece entrar na discussão: quanto custa utilizar o carro todos os meses? E é aqui que os constantes altos e baixos dos combustíveis começam a jogar a favor dos elétricos. Não porque a eletricidade seja gratuita. Não é.
Mas porque, principalmente para quem carrega em casa, torna-se muito mais fácil controlar os custos. Podes aproveitar horários com eletricidade mais barata, carregar durante a noite e sair de casa de manhã com bateria suficiente para vários dias de utilização.
O meu próximo carro começa a parecer cada vez mais elétrico
Ainda existem excelentes razões para comprar um automóvel a gasolina, diesel ou híbrido. Cada utilização é diferente e seria absurdo ignorar isso.
Mas quanto mais olho para os preços dos combustíveis, mais difícil se torna ignorar a vantagem de poder carregar um automóvel na garagem e reduzir a dependência desta constante montanha-russa. Talvez um carro elétrico ainda não seja a escolha certa para todos.
E depois há a experiência de utilização. Modelos como o Renault 5 E-Tech mostram bem como um elétrico compacto pode funcionar num contexto urbano sem obrigar a grandes mudanças na rotina. Mas, para quem tem onde carregar em casa e está atualmente a escolher o próximo carro, acho que nunca fez tanto sentido fazer as contas antes de voltar automaticamente para a gasolina ou gasóleo.
Porque talvez a maior vantagem do elétrico nem seja deixar de ir à bomba. Pode ser simplesmente deixar de estar constantemente preocupado com quanto vai custar o próximo depósito.