
Neste artigo
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Motorização/performance | FWD, 150 kW (204 cv), 210 Nm; 0-100 km/h em 7,3 s; vel. máx. 150 km/h |
| Bateria/autonomia WLTP | 60 kWh (LFP); 430 km em ciclo combinado e até 622 km em ciclo urbano |
| Carregamento | AC até 11 kW; DC até 87 kW (30% a 80% em 24 minutos); inclui função V2L |
| Dimensões e capacidade | 4270 x 1850 x 1575 mm; mala de 440 a 1600 litros (sem frunk) |
| Tecnologia e infotainment | Ecrã central de 14,6" e frontal de 8,88"; Apple CarPlay, Android Auto s/fios |
Depois de nos ter deixado boas impressões com o SUV familiar Aion V, a gigante automóvel GAC (representada em Portugal pelo Grupo JAP) atacou em 2026 o mercado europeu com o GAC Aion UT, que impressionou desde a apresentação.
A sigla significa Urban Traffic (Tráfego Urbano), mas basta olhar para a ficha técnica e para o porte na estrada deste Aion para perceber que o elétrico quer ser muito mais do que um segundo carro para ir às compras. E, spoiler alert, consegue. Tem um preço de lançamento de 26 560 euros.
Desenhado no centro de design da marca em Milão e produzido na histórica fábrica da Magna, na Áustria, o Aion UT chega com argumentos de peso para enfrentar rivais como o BYD Dolphin, o MG4 ou até alternativas mais compactas como o Renault 5 e o Firefly. Colocámo-lo à prova durante cerca de 300 quilómetros por estradas nacionais, cidade e autoestrada para perceber o que vale na prática.

Design, conforto e arrumação interior
As linhas exteriores denunciam de imediato o dedo europeu no projeto. Em vez de vincos agressivos, o Aion UT aposta num formato arredondado, moderno e simpático, marcado pelas óticas dianteiras expressivas em LED, pelas luzes diurnas de quatro pontos no para-choques e pelos puxadores das portas embutidos.
Nas versões com carroçaria bicolor (como o Verde Emerald ou o Vermelho Titian com teto branco, um opcional de 405 euros), ganha uma presença visual ainda mais apelativa no trânsito. No nosso caso, testámos a versão bege.
É quando abrimos a porta que este compacto de 4,27 metros de comprimento aplica o seu maior golpe à concorrência. Ao esticar a distância entre eixos até aos 2,75 metros, a GAC conseguiu criar um habitáculo onde o espaço impressiona no segmento.

Quer viajes nos lugares da frente, quer te sentes na segunda fila, há uma folga para pernas e cabeça que deixa alguns SUVs médios ou compactos envergonhados. O piso plano e a largura de 1,85 metros permitem acomodar adultos atrás com verdadeiro conforto.
Também na traseira tens ainda de saídas de ventilação próprias, porta USB-A e (já seria bom serem USB-C), no caso da versão de topo Luxury que testámos, apoio de braço central e um amplo teto panorâmico com cortina elétrica que coloca muita luz natural no interior.
Os bancos revestidos em pele sintética (disponíveis em ambiente Preto ou Creme) são muito confortáveis e apoiam bem o corpo em viagens longas. Desde as versões base (Premium Green e Premium) tens ajuste elétrico de 6 vias e aquecimento para o condutor, além de aquecimento para o passageiro.

Na versão Luxury, junta-se o volante aquecido, o ajuste elétrico para o passageiro e até ventilação no banco do condutor, um luxo raro nesta faixa de preço.No capítulo da carga, há uma ausência que convém apontar já: não existe frunk debaixo do capô dianteiro para guardar os cabos de carregamento.
Felizmente, o espaço na bagageira traseira acaba por compensar essa ausência. São 440 litros de capacidade bem aproveitados (que chegam aos 1600 litros com os bancos traseiros rebatidos na proporção 40/60). Na verdade, supera grande parte dos rivais diretos e conta com portão de abertura elétrica nesta versão Luxury.

Desempenho, condução e consumos
Debaixo do capô, o GAC Aion UT apresenta-se numa configuração única para todas as versões: um motor elétrico dianteiro com 150 kW (204 cv) de potência e 210 Nm de binário. Para um automóvel que pesa entre 1670 kg e 1700 kg, estes números traduzem-se numa resposta pronta e despachada. Vai dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos e atinge os 150 km/h de velocidade máxima limitada eletronicamente.
Na estrada, a afinação do chassis (suspensão independente McPherson à frente e eixo de torção atrás, com jantes de 17 polegadas) privilegia o conforto e a suavidade. Absorve bem o mau piso das nossas cidades e mantém uma postura segura e previsível em vias rápidas, sem pretensões desportivas, mas sempre com reserva de potência debaixo do pé direito para ultrapassagens rápidas.
Para alimentar o motor, contamos com uma bateria de química LFP (lítio-ferro-fosfato) com 60 kWh de capacidade, apoiada de série por bomba de calor. A marca anuncia uma autonomia combinada WLTP de 430 km (que pode chegar aos 622 km em utilização estritamente urbana) e um consumo homologado de 16,4 kWh/100 km.

São números interessantes, mas arrojados. No nosso ensaio de cerca de 350 quilómetros em percurso misto, a média final ficou-se pelos 14,2 kWh/100 km, um registo que bate de forma clara o valor oficial anunciado pela marca. Ainda assim, fica a sensação de que os consumos podiam ser ligeiramente melhores só em cidade.
Com uma eficiência energética um pouco mais apurada (a descer para a casa dos 13 kWh/100 km), esta generosa bateria de 60 kWh colocaria o Aion UT num patamar de autonomia real verdadeiramente de outro nível no segmento. Mesmo assim, com esta média, consegues rondar facilmente os 350 a 380 km reais em utilização mista sem qualquer ansiedade. Só em autoestrada, não esperes ir muito além 300 km.
Quando chega a hora de carregar, suporta até 11 kW em corrente alternada (AC) e até 87 kW em postos rápidos (DC). Não é um campeão de velocidade de pico em DC, mas a curva de carga permite recuperar dos 30% aos 80% em 24 minutos. Destaque positivo para a inclusão de série da tecnologia V2L (Vehicle-to-Load) em toda a gama, que permite ligar aparelhos elétricos externos diretamente à bateria do carro.

Tecnologia de bordo e ergonomia
Ao centro do tablier domina um generoso ecrã tátil de 14,6 polegadas, acompanhado por um painel de instrumentos digital LCD de 8,88 polegadas colocado atrás do volante. O sistema conta com conectividade Wi-Fi, navegação online carregamento sem fios para o telemóvel na consola central e integração com Apple CarPlay e Android Auto sem fios.
Visualmente, o ambiente digital é moderno e o ecrã principal tem boa definição, mas a ergonomia a bordo sofre de um mal comum a muitos elétricos recentes que temos testado: os controlos estão bastante centrados no ecrã.
Apesar de existirem dois seletores rotativos físicos logo abaixo das saídas de ar centrais, a navegação pelos menus revela-se algo complexa e pouco intuitiva quando precisamos de chegar a determinadas funções do veículo ou ajustar parâmetros de condução em andamento. Exige algum tempo de habituação para memorizar onde está cada subsecção para não desviares demasiado a atenção da estrada.

No campo da segurança ativa, o pacote de sistemas avançados de assistência à condução (ADAS de Nível 2) vem completo de série logo desde a versão base. Inclui Cruise Control Adaptativo (ACC), Assistência Integrada à Condução (ICA), manutenção na faixa de rodagem, deteção de ângulo morto (BSD), câmaras com visão panorâmica 360 graus, alerta de tráfego cruzado frontal e traseiro com travagem autónoma e até aviso de abertura de portas (DOW).
Para quem é o GAC Aion UT
- Famílias ou condutores que querem o máximo espaço interior e de bagageira (440 litros) num formato exterior compacto de 4,27 metros;
- Quem valoriza uma bateria de 60 kWh capaz de garantir perto de 400 km reais fora da cidade;
- Compradores que querem equipamento de topo (câmaras 360º, bomba de calor, V2L e bancos elétricos aquecidos) incluído de série por menos de 30 mil euros.
Não é para... utilizadores que detestam depender do ecrã tátil central e de submenus para controlar funções essenciais do carro; condutores que dão prioridade a potências de carregamento rápido em DC acima dos 100 kW; quem faz questão de ter um frunk dianteiro para arrumar os cabos.

Preços e versões em Portugal
O GAC Aion UT está disponível no mercado nacional em três níveis de equipamento. A gama arranca na versão Premium Green, que tem um PVP recomendado de 28 200 euros, mas que beneficia de um preço de campanha de lançamento de 26 560 euros (valores aos quais acrescem despesas de legalização e transporte).
Acima desta posiciona-se a versão Premium por 28 990 euros e, no topo da oferta, a versão Luxury por 30 990 euros (que adiciona o teto panorâmico com cortina elétrica, portão da mala elétrico, jantes/acabamentos específicos, banco do condutor ventilado, volante aquecido, som de 6 colunas no lugar de 4 e espelho interior antiencadeamento automático).