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Bateria dos carros elétricos e híbridos: a verdade que poucos te contam

A bateria é a peça mais cara de um carro elétrico ou híbrido. Perceber como se degrada e o que podes fazer para a proteger é essencial antes de comprar ou vender um destes veículos.

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Imagem gerada por IA | ChatGPT

Quando compras um carro elétrico ou um híbrido, a bateria costuma ter uma garantia mínima de 128 mil quilómetros ou 10 anos. O que muitos fabricantes não explicam de forma clara é como a capacidade da bateria se degrada ao longo do tempo e o impacto que os teus hábitos diários podem ter nesse desgaste.

Segundo um estudo da Generational, uma empresa britânica especializada em diagnósticos de baterias para veículos eléctricos e híbridos, o estudo analisou dados de mais de 1.000 híbridos com até 12 anos e quilometragens até 128 mil quilómetros. As conclusões surpreenderam: a saúde média da bateria dos PHEV situa-se nos 94,27%, apenas ligeiramente abaixo dos 94,94% registados nos elétricos puros. Em média, os números são muito semelhantes. O problema está na variação.

Híbridos: os mesmos números médios, mas muito mais imprevisíveis

O desvio padrão na saúde das baterias dos híbridos é de 5,48%, quase o dobro dos 2,97% registados nos elétricos puros. Na prática, isto significa que dois híbridos com a mesma idade e quilometragem podem apresentar estados de bateria completamente diferentes, dependendo da forma como foram utilizados.

A razão é simples: os híbridos têm padrões de utilização muito mais variados. Alguns são carregados diariamente e usados quase como elétricos de curta distância. Outros passam grande parte do tempo em modo de combustão, com a bateria raramente carregada. Segundo Oliver Phillpott, CEO da Generational, essa diferença de utilização reflete-se diretamente no estado da bateria. Os PHEV usam baterias mais pequenas, normalmente entre 8 e 20 kWh, o que obriga a ciclos de carga e descarga muito mais intensos do que nos elétricos puros.

Um condutor que faça 50 km diários em modo elétrico pode descarregar e recarregar a bateria quase por completo todos os dias. Num elétrico puro, o mesmo percurso representa normalmente apenas 10 a 30% da capacidade total da bateria.

Eléctricos puros: a degradação segue um padrão mais previsível

Nos eléctricos puros, a investigação mostra que a degradação segue um padrão mais claro: suave nos primeiros 90.000 km, com perdas inferiores a um ponto percentual por cada 10.000 km. A partir desse marco, o ritmo acelera para uma média de 2,3 pontos percentuais por cada 10.000 km. Um carro que aos 90.000 km ainda mostra 94% de saúde pode chegar aos 130.000 km com menos de 85%.

A Generational considera que uma bateria atingiu o fim da vida útil quando a capacidade cai para 70 a 80% do original, ponto em que a substituição é inevitável e cara, já que a bateria representa 40 a 50% do valor do veículo quando novo.

Não há uma só marca igual

Num estudo com mais de 1.300 viaturas elétricas, a Kia liderou, com os modelos EV6 e e-Niro no topo. Audi e Opel completaram o pódio. A Tesla ficou apenas em quarto lugar.

Nos híbridos, o estudo da ADAC com 28.000 veículos revelou diferenças ainda maiores entre marcas: a Mercedes-Benz foi a grande vencedora, com os seus PHEV a manterem em média 90% da capacidade da bateria aos 200.000 km, independentemente de serem usados mais em modo elétrico ou de combustão. A BMW também apresentou uma degradação gradual e previsível, embora mais acentuada. Já a Mitsubishi registou degradações mais rápidas, mesmo em veículos com baixa quilometragem.

O que degrada mais depressa a bateria, seja elétrico ou híbrido

  • Manter a bateria nos 100% frequentemente - É um dos hábitos mais comuns e também dos mais prejudiciais. O ideal é definir um limite automático entre os 80% e 90%, sobretudo nos carregamentos durante a noite.
  • Usar carregamento rápido DC em excesso - O carregamento rápido gera mais calor e acelera o envelhecimento das células. É essencial em viagem, mas não deve ser o método principal no uso diário quando existe alternativa.
  • Expor o carro a temperaturas extremas após carregar - O calor acumulado depois de uma carga rápida pode aumentar significativamente o desgaste da bateria, especialmente em dias muito quentes.
  • Nos híbridos, ignorar o modo elétrico - Utilizar o carro apenas em combustão também não ajuda. Manter a bateria longos períodos com pouca carga acelera a degradação química das células.

O que isto muda na hora de comprar um usado

Se estás a considerar comprar um elétrico ou híbrido usado em Portugal, a quilometragem já não é o único indicador que importa. Nos híbridos, a forma como o carro foi usado é ainda mais determinante do que nos eléctricos puros, dada a maior variação registada.

Um diagnóstico de saúde da bateria antes de qualquer compra deixou de ser opcional. As ferramentas capazes de ler o estado de saúde da bateria diretamente no veículo estão cada vez mais acessíveis e conseguem fornecer esse valor em poucos segundos.

O futuro promete baterias muito mais resistentes e duradouras. A Toyota está a desenvolver baterias de estado sólido com uma vida útil estimada de 40 anos e até 90% da capacidade original. Até lá, cuidar da bateria do teu elétrico continua a ser uma das decisões mais inteligentes que podes tomar.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.