Durante anos, a Lancia praticamente desapareceu da Europa. A marca ficou reduzida ao Ypsilon, vendido apenas em Itália, algo difícil de imaginar para um fabricante fundado em 1906 e responsável por modelos lendários como o Delta Integrale, o Stratos ou o Fulvia HF. O novo Lancia Gamma quer mudar isso.
Segundo a Stellantis, o crossover foi totalmente concebido, desenvolvido e produzido em Itália, mais concretamente na fábrica de Melfi, uma das unidades mais modernas do grupo. Os primeiros protótipos já estão em testes de estrada, sinal de que o lançamento previsto para novembro de 2026 está cada vez mais próximo.
O problema que ninguém está a dizer em voz alta
O novo Gamma utiliza a plataforma STLA Medium, a mesma base já usada no DS Nº7 e no Peugeot 3008. E é precisamente aqui que surge a grande questão: o que vai tornar este modelo da Lancia suficientemente diferente para convencer os compradores a escolhê-lo em vez de rivais já estabelecidos no mercado?
A resposta terá de passar por três pontos essenciais: design, posicionamento premium e, acima de tudo, preço.
As estimativas apontam para valores a começar perto dos 40 mil euros, colocando o Gamma frente a frente com modelos como o Alfa Romeo Tonale e o DS Nº7. Ou seja, a Lancia vai competir diretamente com carros da própria família Stellantis.
O que o Gamma traz de concreto
A gama de motorizações é, honestamente, um dos pontos mais interessantes do novo Gamma. A Lancia vai disponibilizar uma versão híbrida de 145 cv com mais de 1.000 km de autonomia combinada, mas também várias opções 100% elétricas.
No lado elétrico, as autonomias prometidas variam entre os 540 e os 740 km, valores que colocam o Gamma acima de muitos rivais diretos no segmento.
| Híbrido | Elétrico | Elétrico | Elétrico AWD | |
|---|---|---|---|---|
| Potência | 145 cv | 230 cv | 245 cv | 375 cv |
| Autonomia | +1 000 km | +540 km | +740 km | +675 km |
| Tração | Dianteira | Dianteira | Dianteira | Integral |
Vai resultar?
O mercado europeu está a mudar rapidamente. Os elétricos já representam uma fatia cada vez maior das vendas e a procura por SUVs premium com grande autonomia continua a crescer. O novo Gamma entra num segmento com potencial, mas também com concorrência muito forte. A grande questão nem é o carro em si. É a própria Lancia.
Durante anos, a marca desapareceu do radar de muitos consumidores europeus e recuperar essa confiança não acontece de um dia para o outro. Não basta lançar um modelo novo. É preciso criar presença, identidade e consistência. O Gamma parece ser um passo na direção certa. Mas para a Lancia… isto é apenas o começo.
