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Conduzimos o Xpeng G6: o Tesla Model Y tem razões para se preocupar?

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Xpeng

Xpeng G6
★★★★☆4.5Muito Bom

O Xpeng G6 não veio para brincar. Se o Model Y é o rei do segmento, este é o concorrente que estudou pelo mesmo livro e decidiu acrescentar umas notas de rodapé bem úteis. Trata-se de um dos principais rivais do modelo da Tesla e não o esconde, no formato e na afeição à tecnologia. Embora ainda haja traduções a aprimorar, tem pormenores mais funcionais. É, provavelmente, a experiência mais próxima que podes ter de um Tesla num bom sentido, mas com aspetos que facilitam a experiência a bordo e um carregamento que te deixa de queixo caído.

Prós
  • Carrega dos 10 aos 80% em cerca de 12 minutos nas condições ideais;
  • Bancos ventilados, aquecidos e com massagens
  • Presença de painel de instrumentos à frente do condutor e manete de velocidades
  • Uma autêntica sala de estar com muito espaço traseiro e uma bagageira ampla
Contras
  • Focado no conforto, não é o carro mais dinâmico para quem quer condução desportiva
  • Completo e fluido, mas há algumas traduções que deixam a desejar
Característica Detalhe
Autonomia WLTP

Até 535 km

Bateria

80 kWh

Potência máxima

218 kW (296 Cv)

Aceleração (0-100 km/h)

6,7 segundos

Velocidade Máxima

202 km/h

Carregamento DC

Até 451 kW

Bagageira

571 L (até 1374 L)

O Xpeng G6 chegou a Portugal desde 50 790 € nesta versão RWD Long Range com um alvo desenhado nas costas do SUV mais vendido do mundo. A inspiração nota-se no formato e em pormenores tecnológicos de design do Tesla Model Y, mas a Xpeng quis ir mais longe na funcionalidade. É o carro onde me senti mais perto da experiência Tesla. É um produto pensado para quem quer tecnologia sem algumas omissões ergonómicas de alguns rivais.

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Minimalismo cruza-se com a funcionalidade

Entrar no G6 é encontrar um ambiente onde o minimalismo se cruza com a funcionalidade. Ao contrário da abordagem radical da Tesla, aqui a Xpeng foi inteligente. Tens uma manete dedicada para as marchas e um painel de instrumentos digital de 10.25 polegadas à frente do volante. Não precisas de desviar o olhar para o ecrã central de 15.6" só para saber a que velocidade vais. Só é pena termos de recorrer ao ecrã para ajustar a ventilação ou os modos de condução.

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A "magia" começa logo na aproximação. O carro deteta a tua presença e abre-se (algo que até num Dacia acontece, mas não o vemos em todos). Ao entrares, o banco ajusta-se automaticamente através da função "boas-vindas". E por falar em bancos, o conforto é de outro nível. Aqui tens assentos que são aquecidos, ventilados e fornecem uma variedade de massagens que tornam qualquer engarrafamento suportável para aliviares o stress.

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Funções inteligentes muito úteis

Na estrada, o G6 não tenta ser um desportivo. É mais um companheiro extremamente ágil e inteligente. O sistema Xpilot 2.5 tem funções que facilitam a vida e agradeci durante o ensaio. Se te distrais num semáforo, ele avisa-te mal a luz fica verde ou quando o carro da frente arranca (sim, há câmaras em todo o lado e vês a lateral quando dás pisca).

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O estacionamento automático (EAP 2.0) funciona com uma precisão impressionante (estaciona melhor que eu), e podes até controlar o carro através da App ou da chave para manobras de "Forward & Reverse". A gestão da energia é um dos seus maiores trunfos. Tem uma bomba de calor de série (sistema X-HP3.0).

Eficiente e com carregamento verdadeiramente rápido

A marca promete que o carro é eficiente em qualquer clima. Nos meus testes, mesmo com o pedal pesado, consegui consumos na casa dos 14,6 kWh/100km em trajetos mistos maioritariamente de cidade, mas com autoestrada e nacional à mistura. É um valor excelente face aos 17,5 kWh/100km prometidos.

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E o carregamento? É aqui que aniquila a concorrência. Com a sua arquitetura de 800V, a marca promete 10-80% em 12 minutos. No carregador mais rápido do país que fui testar, comecei com 31% e cheguei aos 80% em 11 minutos. É, literalmente, o tempo de ires à casa de banho e beber um café. Se preferires ficar no carro podes simplesmente relaxar com uma massagem enquanto assistes a vídeos nas apps nativas do Xmart OS.

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Para quem é o Xpeng G6

  • É para ti se: fazes muitas viagens longas e o tempo de carregamento é a tua maior preocupação;
  • É para ti se: valorizas o conforto e tecnologia de topo incluída de série;
  • É para ti se: queres a inteligência de um Tesla, mas com a praticidade de um painel de instrumentos e mais comandos físicos.

Não é para ti se procuras uma condução purista e uma suspensão rígida para curvar depressa ou preferes o prestígio e o historial das marcas premium europeias.

Conclusão

Dizer que o Xpeng G6 é apenas "mais um chinês" é um erro crasso. O que temos aqui é um produto que entendeu perfeitamente as necessidades do consumidor a que se destina. Embora ainda tenhamos de aceder ao ecrã para mudar algumas funções que podiam estar em botões no volante, a Xpeng manteve o que funciona e melhorou o que era mediano.

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Os 5 anos de garantia total (ou 120 000 km) e 8 anos na bateria são extremamente importantes; mas mais importante é a tranquilidade. Saí deste ensaio com a certeza de que a "ansiedade de autonomia" morreu oficialmente. Quando consegues recuperar centenas de quilómetros no tempo de pedir um café e ir à casa de banho, o jogo muda. E tudo isto com grande conforto a bordo, ainda que não seja um carro muito dinâmico.

O G6 RWD Long Range é, atualmente, uma das melhores escolhas para quem quer saltar para a mobilidade elétrica sem abdicar do conforto de um segmento superior. Se estás na dúvida entre este e o Tesla Model Y, o meu conselho é fazeres um test drive aos dois e ver a qual te adaptas melhor. E aconselho testares o carregamento do Xpeng G6. Depois disso, será difícil olhar para trás.

Sabe mais no site da Xpeng em Portugal.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Está no 4gnews desde 2017, onde dá asas à sua paixão por escrever sobre tecnologia. Já fez mais de 300 reviews a equipamentos, visitou fábricas de smartphones na China e marcou presença em alguns dos grandes eventos tecnológicos, como o Mobile World Congress e IFA. É editor-chefe desde 2025.