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Testei a Condução Autónoma da Tesla em Amesterdão: o futuro vem para Portugal?

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Tesla

Tesla Full Self Driving (Supervisionado)
★★★★☆4.5Muito Bom

Fomos a Amesterdão testar o sistema FSD (Full Self-Driving) Supervisionado da Tesla num Model Y. O sistema provou ser extremamente maduro a lidar com peões, bicicletas e o trânsito caótico dos Países Baixos quase sem intervenção humana. Reduz drasticamente o stress ao volante, embora ainda apresente ligeiras hesitações em semáforos e cruzamentos muito complexos. A tecnologia está pronta, pelo que falta apenas a aprovação regulamentar para chegar às estradas portuguesas.

Prós
  • Redução do stress, ideal para o pára-arranca diário e viagens longas
  • Faz mudanças de direção, coloca piscas e adapta a velocidade com naturalidade
  • Funciona em qualquer rota inserida no GPS
  • Câmara interior garante que o condutor mantém os olhos na estrada, para evitar distrações perigosas
  • Condução sente-se bastante segura em quase todos os momentos
Contras
  • Algumas paragens demasiado próximas da linha ou indecisão no amarelo de semáforos
  • Em cenários extremos sem semáforos e com muito fluxo cruzado de peões e bicicletas, o sistema ainda pede para assumirmos o controlo
  • Ainda está dependente de luz verde por parte dos reguladores para chegar a Portugal

Fizeram-nos um convite para o futuro e... aceitámos

Fomos convidados pela Tesla para viajar até Amesterdão e testar uma novidade muito aguardada que ficou recentemente disponível na Europa: a Condução Automatizada Total (Supervisionada), conhecida mundialmente pela sigla FSD (Full-Self Driving).

Até ao momento, esta tecnologia está disponível em países como os Estados Unidos, Canadá, China e Austrália. Na Europa, a luz verde regulamentar já abrangeu os Países Baixos, Lituânia, Estónia, Dinamarca e Bélgica.

Existe uma enorme expectativa para que chegue em breve a Portugal, mas a data exata permanece uma incógnita. Tudo dependerá dos avanços das regulamentações por cá. A tecnologia já existe, mas o nosso país ainda não deu esse passo legal.

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Aterrámos de madrugada nos Países Baixos e rumámos diretamente à Sede Oficial da Tesla para passar um dia inteiro ao volante de um Model Y Premium Long Range de Tração Integral.

O que é, como funciona e qual o preço?

O FSD Supervisionado não é o típico assistente de manutenção na faixa que já funciona nos Tesla ou outros veículos em Portugal. É um sistema de inteligência artificial baseado na visão (Vision AI) que utiliza as oito câmaras exteriores do veículo para obter uma visibilidade de 360 graus e tomar decisões complexas de condução em tempo real.

O carro processa dados recolhidos de uma frota global com mais de seis milhões de veículos e milhares de milhões de quilómetros percorridos. Ou seja, todos os condutores de Tesla acabam por ajudar a melhorar o produto.

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Na prática, o sistema assume a navegação do percurso, faz mudanças de faixa, estaciona automaticamente (Estacionamento Automático), vai ter contigo onde estiveres (Actually Smart Summon) e circula tanto em ruas apertadas da cidade como em autoestradas.

No entanto, há um ponto prévio importante: a palavra Supervisionado. Isto significa que é "à vontade" mas não é "à vontadinha". Uma câmara interior verifica constantemente o estado e o olhar do condutor.

Não precisamos de segurar firmemente no volante a todo o momento, mas é obrigatório ir atento à estrada. Se o sistema detetar que estás a olhar para o telemóvel ou distraído, emite alertas imediatos e até pode cancelar o sistema durante a viagem.

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Quanto ao preço em Portugal, na configuração oficial do veículo no nosso mercado, o pacote opcional de "Capacidade de condução autónoma total" tinha até há pouco tempo um custo único de 7500 € que se mantém para quem o adquiriu dessa forma. Os novos utilizadores podem pagar uma subscrição de 99 € mensais. No fundo, pagas quando quiseres usar.

A minha experiência de um dia ao volante do FSD

Poderia pensar-se que fomos testar este sistema da Tesla numa rota pré-programada, onde só iríamos por onde a marca nos quisesse levar para esconder eventuais falhas. Não foi nada assim. Deram-nos alguns pontos de paragem sugeridos que podíamos usar ou não, e o resto do trajeto foi totalmente escolhido por nós.

Foi exatamente por isso que acabámos em zonas rurais com moinhos tradicionais, mas também mergulhados no meio do caos urbano de Amesterdão, rodeados de peões, bicicletas por todo o lado e trânsito intenso.

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O processo não podia ser mais simples. Chegas ao carro, vês um vídeo de introdução (apenas na primeira vez) introduzes o destino no ecrã central, ativas o FSD com um toque e ele faz o resto. Ele verifica se é seguro sair do lugar de estacionamento, arranca, faz manobras, coloca os piscas no momento certo e muda de direção com uma segurança impressionante.

A sensação que fica logo após os primeiros quilómetros é que estamos perante um sistema bastante maduro. A verdade é que, ao fim de uns breves minutos, rapidamente nos esquecemos que estamos a supervisionar um carro que se está a conduzir sozinho.

Talvez me tenha ajudado o facto de já ter testado o Autosteer em autoestrada noutros Teslas (um sistema bem mais embrionário), mas a verdade é que nunca senti qualquer insegurança. O veículo respeita escrupulosamente os limites de velocidade e adapta-se ao fluxo do trânsito.

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Durante todo o dia, tive de intervir apenas umas 3 ou 4 vezes. Onde o sistema ainda precisa de aprimoramento (ou simplesmente não estava muito para aí virado naquele dia) é nos semáforos:

  • Num par de ocasiões, o carro parou num semáforo vermelho avançando demasiado até à linha. Como ficou muito perto, quando o sinal mudou para verde, as câmaras não o reconheceram de imediato. Tive de dar um toque no acelerador para iniciar a marcha e o FSD reassumiu o controlo logo a seguir;
  • Noutra situação, num semáforo sem quaisquer carros à volta, o sistema hesitou. O sinal passou a amarelo, ele decidiu que ia avançar, mas arrependeu-se mesmo em cima do acontecimento e fez uma travagem um pouco brusca;
  • A única situação onde foi mesmo necessário intervir foi numa zona central de Amesterdão repleta de peões, velocípedes e autocarros, sem semáforos e com imensa informação a acontecer ao mesmo tempo. Perante a demora em avançar com segurança num cruzamento complexo, o próprio sistema pediu-me para assumir o volante. Resolvido o cruzamento, voltei a ativar o FSD e seguimos viagem.

Tirando estes pequenos contratempos, a experiência é de um descanso absoluto. Foi-nos indicado para mantermos as mãos em posição de repouso (perto do volante), mas até podemos gesticular à vontade (algo excelente para mim, que falo muito com as mãos). O sistema só nos alerta se levantarmos ou afastarmos as mãos durante muito tempo.

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Um pormenor que mostrou a aprendizagem do sistema e a improvisação (embora com legalidade questionável) foi numa rua apertada. Havia uma carrinha a fazer descarga e, passar ao lado, só galgando parcialmente o passeio. Como o carro da frente o fez, o nosso Tesla procedeu exatamente da mesma forma e nunca pediu a nossa intervenção para a manobra.

Para quem é o Tesla FSD

  • Quem passa muitas horas no trânsito urbano e quer eliminar o stress do pára-arranca;
  • Condutores que fazem viagens longas e querem reduzir a fadiga mental, ao aproveitar para apreciar a paisagem com tranquilidade;
  • Entusiastas de tecnologia que querem experienciar o estado da arte da inteligência artificial aplicada ao ramo automóvel.

Não será o ideal para... os puristas da condução que fazem questão de controlar cada aceleração, travagem e entrada em curva no seu dia a dia ou pessoas que, apesar de este ser um sistema mais seguro do que a maioria dos seres humanos condutores, não se sintam seguros com o mesmo. É experimentar.

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Fizemos uma média pouco acima de 13 kWh durante o nosso teste

Conclusão

O que senti durante este dia nos Países Baixos foi um nível de stress ao volante infinitamente inferior ao normal. É precisamente esse o grande valor que o FSD Supervisionado traz aos condutores. Seja em viagens longas em autoestrada ou no stress diário das cidades, vejo este sistema a ser útil em praticamente qualquer cenário.

E não, o carro não gasta mais a usar o FSD. Pelo contrário, é esperado que seja mais eficiente. Facto é que o sistema já parece totalmente pronto para avançar em Portugal. Se funciona com precisão no meio de milhares de bicicletas em Amesterdão, também vai funcionar nas ruas de Lisboa ou do Porto (apesar dos imensos buracos). Falta apenas a tão aguardada regulamentação nacional.

Além disso, convém ressalvar que falamos de software alimentado por redes neuronais em constante aprendizagem. Se daqui por uns meses voltarmos a testar este mesmo carro, os pequenos problemas dos semáforos provavelmente já terão sido corrigidos via atualização.

Ao longo deste dia senti-me como que num parque de diversões a testar a tecnologia mais entusiasmante que usei nos últimos anos. O futuro da condução autónoma é uma realidade, não se deixem enganar. Só está à espera de autorização legal para funcionar no nosso país. Depois de se usar, será difícil voltar atrás.

Sabe mais sobre o Full-Self Driving no site oficial da Tesla.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Está no 4gnews desde 2017, onde dá asas à sua paixão por escrever sobre tecnologia. Já fez mais de 300 reviews a produtos, visitou fábricas de smartphones na China e marcou presença em alguns dos grandes eventos tecnológicos, como o Mobile World Congress e IFA. É editor-chefe desde 2025.