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Conduzi o GAC Aion V: SUV chinês espaçoso com um segredo muito útil

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GAC

GAC Aion V
★★★★☆4Bom

O GAC Aion V tem argumentos sérios no concorrido segmento dos SUV elétricos familiares. Ao longo de cerca de 250 quilómetros cumpridos na maioria em cidade, assinalou uma média excelente de 15,8 kWh por 100 km. O conforto e o espaço a bordo são irrepreensíveis, com bancos dianteiros com massagens que reclinam e um grande segredo que é o frigorífico na consola central. Em contrapartida, a carroçaria oscila em curvas mais apertadas, não tem frunk, pede muitos menus para tarefas simples como ajustar espelhos ou mudar modos de condução e o sistema ainda tem algumas traduções em português do Brasil. Também sentimos falta de um modo OnePedal. É uma opção interessante e fora do radar habitual em torno dos 40 mil euros.

Prós
  • Conforto de referência com bancos com massagens, ventilação e capacidade de reclinação total
  • Espaço referencial à frente e atrás, com bancos traseiros reclináveis e portas que abrem quase a 90 graus
  • Frigorífico de bordo integrado na consola central com refrigeração ativa e controlo independente

  • Consumos em circuito urbano comedidos, registando 15,5 kWh/100 km durante o teste
  • Bateria LFP de 75,26 kWh com carregamento rápido DC até 180 kW e autonomia combinada de 510 km
Contras
  • Tendência para oscilação da carroçaria em curvas mais pronunciadas ou ritmos vivos
  • Navegação no ecrã com recurso a demasiados submenus para modos de condução ou regular espelhos
  • Sistema de infoentretenimento ainda com várias traduções em português do Brasil
  • Ausência de uma verdadeira condução OnePedal, funcionalidade já habitual nesta faixa de valor
Característica Detalhe
Motor e tração Motor elétrico dianteiro, 150 kW (204 cv), binário de 210 a 240 Nm
Bateria e autonomia WLTP Bateria LFP de 75,26 kWh; 510 km de autonomia combinada e até 709 km em ciclo urbano
Carregamento Carregamento rápido DC até 180 kW (10-80% em 24 min), AC a 11 kW e funcionalidade V2L
Dimensões e habitabilidade 4605 x 1876 x 1686 mm, 2775 mm de entre eixos e bagageira de 427 a 978 litros (sem frunk)
Conforto a bordo Bancos com massagens, teto de abrir panorâmico, som de 9 altifalantes e frigorífico ativo

A ofensiva dos construtores asiáticos em Portugal teve como um dos novos intervenientes mais recentes a GAC, marca fundada em 1997 que aterrou em Portugal representada pelo Grupo JAP. Com produção na Áustria, o Aion V apresenta-se com um preço de 40 990 euros na versão de entrada Premium e de 42 490 euros na opção Luxury ensaiada (sim, já com IVA).

Por estes valores, posiciona-se em terreno acirrado com rivais mais ou menos diretos como o Tesla Model Y de tração traseira, o BYD Seal U ou o Kia EV3, entre modelos que nos passaram pelas mãos. O semblante exterior mantém traços vincadamente chineses e visualmente pouco discretos quando comparado com a ousadia de alguns concorrentes diretos.

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Mas desconstrói essa impressão inicial assim que abrimos as portas. O foco aqui foi direcionado para a habitabilidade familiar, para uma dotação de série fechada sem necessidade de pacotes opcionais e para soluções de conforto interiores raramente vistas neste patamar financeiro.

Design, espaço e habitabilidade

A carroçaria de linhas cúbicas e 4,60 metros de comprimento acolhe detalhes funcionais como os puxadores embutidos e as jantes de 19 polegadas. O grande trunfo está no aproveitamento da plataforma: o habitáculo é generoso tanto na parte dianteira como nos bancos traseiros.

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À frente, os assentos contam com função de massagens com múltiplos pontos de pressão, ventilação, aquecimento e têm a particularidade de poderem ser reclinados por completo até ficarem alinhados com o piso. Conseguem criar duas verdadeiras camas.

Na fila de trás, a sensação de amplitude mantém-se com o piso inteiramente plano e encostos reclináveis q.b. até aos 137 graus para viagens mais relaxadas. Um detalhe de enorme praticidade para as famílias é o ângulo de abertura das portas traseiras.

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Estas portas, como pude comprovar, abrem quase a 90 graus. Esta amplitude facilita sobremaneira a colocação e o manuseamento de cadeirinhas de retenção de crianças nos encaixes Isofix. Certamente poupa as costas de muitos pais.

A bagageira principal fica-se pelos 427 litros na configuração normal com cinco ocupantes, expandindo-se até aos 978 litros ao rebater a segunda fila. Para um modelo familiar com mais de 4,6 metros, o volume da mala é satisfatório, mas podia ser ligeiramente mais generoso. Principalmente pelo facto de o capô dianteiro não esconder qualquer frunk para guardar os cabos de carregamento.

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O segredo da consola central

O grande destaque do Aion V está no compartimento sob o apoio de braço central: um frigorífico de bordo verdadeiro incorporado de fábrica na versão Luxury. Ao contrário das tradicionais saídas de ventilação de porta-luvas, estamos perante um mecanismo com compressor e circuito de frio independente, operado por comandos táteis dedicados no painel.

O espaço permite guardar latas, garrafas ou lanches perecíveis a temperaturas baixas reais, e vejo-o como um recurso precioso tanto em viagens longas de verão com os miúdos como numa ida diária ao supermercado. Junte-se a isto o carregamento de telemóvel por indução com 50 W com grelha de refrigeração própria e a cabine já nos conquistou.

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Condução e dinâmica

Apesar das dimensões de SUV médio, portou-se bem entre o trânsito da cidade onde fiz a maioria dos meus testes. Tem uma direção leve, uma excelente visibilidade e um diâmetro de viragem contido de 5,6 metros que simplifica as manobras. O motor dianteiro de 204 cv e 210 Nm entrega força imediata sem perdas de tração, o que movimenta a viatura com serenidade.

No entanto, o acerto dinâmico privilegia a suavidade em linha reta em detrimento da firmeza. Quando enfrentas estradas com curvas mais apertadas ou rotundas a ritmos mais céleres, o Aion V tem uma clara tendência para oscilar a carroçaria. Por isso, desaconselham-se andamentos desportivos.

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Outro ponto que podia ser melhorado diz respeito à travagem regenerativa: nesta faixa de preço já seria expectável uma condução OnePedal genuína, capaz de imobilizar o carro apenas levantando o pé do acelerador. É funcionalidade que aqui não se encontra afinada até à paragem total, mas é suave.

Infoentretenimento e ergonomia

O habitáculo está despido de botões físicos, que confiam a operação ao generoso ecrã central tátil de 14,6 polegadas. A fluidez é satisfatória, mas a ergonomia de software peca pelo excesso de camadas. Para tarefas corriqueiras como alterar os modos de condução ou ajustar os espelhos retrovisores exteriores, és obrigado a navegar por demasiados submenus, o que rouba atenção à estrada.

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Além disso, a localização do software para o nosso mercado ainda se encontra incompleta, com o português do Brasil a predominar em boa parte das mensagens de sistema, menus e instruções vocais. Aliás, o frigorífico é denominado de geladeira.

O pacote de segurança ADiGO compensa com uma vasta panóplia de alertas de colisão, manutenção na via e câmaras de 360 graus bastante nítidas, apoiado por um sistema de áudio com 9 altifalantes e teto de abrir panorâmico com cortina elétrica. Mas também aqui os alertas precisam de muitos passos para se desligar, se assim o quisermos fazer.

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Consumos e autonomia urbana

Nos cerca de 300 quilómetros cumpridos em ambiente citadino e pequenos troços suburbanos, a gestão de energia impressionou. O consumo médio fixou-se nos 15,5 kWh por 100 km, um valor contido que fica inclusive abaixo da média oficial combinada WLTP de 16,7 kWh/100 km. Mas lá está, foram percursos maioritariamente urbanos.

A bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) com 75,26 kWh promete autonomia de até 709 km de alcance urbano anunciado pela marca. No entanto, devemos ter em conta que isso só acontecerá em cenários ideais. A realidade andará entre os 350-400 km em autoestrada. Um pouco mais em cidade.

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A recarga rápida em postos DC chega aos 180 kW, pelo que podes contar com 24 minutos para recuperar dos 10% aos 80% de capacidade. O suficiente para ir à casa banho, tomar um café e pouco mais. O veículo integra ainda o protocolo bidirecional V2L (Vehicle-to-Load), para que possas recorrer à carga do carro para alimentar equipamentos externos.

Para quem é o GAC Aion V

  • Famílias com crianças pequenas que beneficiam das portas com abertura quase a 90 graus e espaço abundante
  • Quem procura um habitáculo extremamente confortável com bancos de massagens e reclinação total
  • Condutores que dão valor prático a ter um frigorífico ativo no centro do carro para bebidas e alimentação
  • Utilizadores com foco citadino que procuram consumos na ordem dos 15 a 16 kWh/100 km
  • Quem procura um elétrico montado na Europa muito bem equipado de série abaixo dos 43 mil euros

Não é para... condutores que apreciam condução dinâmica desportiva, pessoas que dispensam navegar em submenus digitais para ajustar funções como espelhos, utilizadores que exigem condução através de modo OnePedal, quem faz questão de ter espaço de arrumação dianteiro (frunk) e condutores que se incomodam com a presença de algumas traduções em português do Brasil no sistema do carro.

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Conclusão

O GAC Aion V entra no competitivo mercado português dos SUV elétricos familiares com uma proposta recheada de argumentos práticos e funcionais. Apoiado pelo Grupo JAP e construído na Áustria, o modelo ultrapassa as reservas iniciais provocadas pelo seu desenho exterior tipicamente chinês.

Conquista pelo habitáculo espaçoso, bancos dianteiros com massagens que reclinam por completo e um excelente conforto a bordo. Fica marcado pelo segredo do frigorífico ativo na consola, pelas portas traseiras de abertura ampla e pelos consumos de 15,5 kWh/100 km registados no nosso ensaio urbano de 250 quilómetros.

As suas fraquezas devem ser tidas em conta: a suspensão deixa a carroçaria balançar em curvas apertadas, a mala não impressiona face ao tamanho, dispensa o frunk, o software ainda 'fala' muito português do Brasil, há muitos menus para funções básicas e falta-lhe a condução OnePedal.

Ainda assim, por valores a arrancar nos 40 990 euros com bateria LFP de 75,26 kWh e carregamento a 180 kW, o Aion V assume-se como uma das opções familiares mais confortáveis e funcionais do seu segmento.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.