Comprar um carro elétrico pode ser uma excelente forma de reduzir as despesas com deslocações, sobretudo quando existe a possibilidade de o carregar em casa. No entanto, para quem vive num apartamento sem garagem ou não tem acesso a um ponto de carregamento privado, as contas podem ser bastante diferentes.
Isto acontece porque carregar um elétrico nos postos públicos pode custar significativamente mais do que utilizar a eletricidade de casa. Além disso, os preços variam entre postos e operadores, pelo que a poupança depende muito dos locais onde carregas.
Esta é uma realidade que se torna mais evidente quando utilizamos um elétrico diariamente. Uma experiência de um mês com o Renault Twingo elétrico a carregar exclusivamente na rua ajuda a perceber os desafios de quem não tem acesso a carregamento doméstico.
Mas será que isso significa que comprar um elétrico sem garagem é um erro? Vamos fazer as contas.
Quanto custa carregar um elétrico sem garagem?
Em Portugal, o preço do carregamento público não depende apenas da quantidade de eletricidade consumida.
Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o valor final pode incluir diferentes componentes, como o fornecimento de energia, a utilização do posto, taxas e impostos.
Dependendo do tarifário, também podem existir custos associados ao tempo de utilização ou ao início de cada sessão. Para percebermos a diferença, vamos considerar um carro elétrico com um consumo médio de 16 kWh por cada 100 quilómetros.
Imaginando três preços finais de eletricidade, os custos seriam os seguintes:
| Tipo de carregamento | Preço por kWh | Custo por 100 km |
|---|---|---|
| Em casa | 0,18 € | 2,88 € |
| Posto público económico | 0,35 € | 5,60 € |
| Posto público mais caro | 0,60 € | 9,60 € |
Atenção: estes preços são exemplos ilustrativos e não representam tarifas médias oficiais. Nos postos públicos, os valores pressupõem que todos os custos da sessão já estão incluídos num preço equivalente por kWh.
Também não estamos a considerar as perdas de energia durante o carregamento, que podem aumentar ligeiramente a despesa.
A diferença pode ultrapassar os 800 euros por ano
Agora imagina que percorres aproximadamente 1.000 quilómetros por mês com esse mesmo carro elétrico. Se conseguires carregar em casa a 0,18 €/kWh, o custo energético estimado seria de 28,80 € por mês.
Por outro lado, se dependeres exclusivamente de postos públicos com um custo final equivalente a 0,60 €/kWh, a despesa sobe para 96 € mensais. Estamos a falar de uma diferença de 67,20 € por mês, o que representa aproximadamente 806,40 € por ano.
E se percorreres 1.500 quilómetros mensais, a diferença pode chegar aos 100,80 € por mês, mantendo os mesmos pressupostos. Isto demonstra que o local onde carregas pode ter tanto impacto nas despesas como o consumo do próprio automóvel.
Nem todos os postos públicos têm os mesmos preços
Outro erro comum é assumir que todos os carregadores públicos cobram valores semelhantes. Na realidade, existem postos de carregamento normal, rápido e ultrarrápido, com diferentes potências e estruturas tarifárias.
Um carregador ultrarrápido pode ser bastante conveniente durante uma viagem longa, mas não significa que seja a opção mais económica para quem precisa de carregar o carro durante a semana.
Além disso, um posto de 150 kW não garante que o automóvel consiga carregar constantemente a essa potência. A velocidade depende também das capacidades do veículo, da temperatura e do estado de carga da bateria.
Por isso, antes de iniciares um carregamento, consulta sempre o preço aplicável através da aplicação ou do operador que vais utilizar.
O que deves verificar antes de comprar um elétrico?
Se estás a pensar comprar um carro elétrico e não tens garagem, existem três fatores que deves analisar com atenção.
- Carregadores perto de casa ou do trabalho: verifica se existem postos acessíveis nos locais onde passas mais tempo e se costumam estar disponíveis.
- Preço final dos carregamentos: compara diferentes operadores e confirma se existem custos por minuto, por sessão ou outras componentes tarifárias.
- Quilómetros que percorres: quanto maior for a utilização mensal, maior poderá ser a diferença entre carregar em casa e depender exclusivamente da rede pública.
Também vale a pena perceber se consegues carregar enquanto trabalhas, fazes compras ou realizas outras atividades. Desta forma, evitas deslocações feitas exclusivamente para carregar o automóvel e reduzes o tempo que precisas de dedicar a essa tarefa.
Então, comprar um elétrico sem garagem compensa?
A resposta depende sobretudo dos teus hábitos e dos preços de carregamento a que tens acesso. Se percorres poucos quilómetros e tens postos públicos económicos perto de casa ou do trabalho, um carro elétrico pode continuar a compensar, mesmo sem carregamento doméstico.
Por outro lado, se fazes muitos quilómetros e dependes frequentemente de carregadores rápidos com tarifas elevadas, a poupança face a um automóvel a gasolina ou gasóleo pode diminuir consideravelmente. A falta de acesso a carregamento doméstico é, precisamente, uma das razões que podem levar alguém a não comprar um carro elétrico em 2026.
Antes de tomares uma decisão, deves calcular o custo por 100 quilómetros com os preços dos postos que realmente utilizarias e comparar esse valor com as despesas do teu automóvel atual.