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Comprar um elétrico sem garagem pode ser um erro? Fizemos as contas

Não ter garagem não significa que devas desistir de um carro elétrico. Mas depender exclusivamente dos postos públicos pode alterar bastante os custos. Eis o que deves calcular antes de comprar.

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Fonte: Pexels

Comprar um carro elétrico pode ser uma excelente forma de reduzir as despesas com deslocações, sobretudo quando existe a possibilidade de o carregar em casa. No entanto, para quem vive num apartamento sem garagem ou não tem acesso a um ponto de carregamento privado, as contas podem ser bastante diferentes.

Isto acontece porque carregar um elétrico nos postos públicos pode custar significativamente mais do que utilizar a eletricidade de casa. Além disso, os preços variam entre postos e operadores, pelo que a poupança depende muito dos locais onde carregas.

Esta é uma realidade que se torna mais evidente quando utilizamos um elétrico diariamente. Uma experiência de um mês com o Renault Twingo elétrico a carregar exclusivamente na rua ajuda a perceber os desafios de quem não tem acesso a carregamento doméstico.

Mas será que isso significa que comprar um elétrico sem garagem é um erro? Vamos fazer as contas.

Quanto custa carregar um elétrico sem garagem?

Em Portugal, o preço do carregamento público não depende apenas da quantidade de eletricidade consumida.

Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o valor final pode incluir diferentes componentes, como o fornecimento de energia, a utilização do posto, taxas e impostos.

Dependendo do tarifário, também podem existir custos associados ao tempo de utilização ou ao início de cada sessão. Para percebermos a diferença, vamos considerar um carro elétrico com um consumo médio de 16 kWh por cada 100 quilómetros.

Imaginando três preços finais de eletricidade, os custos seriam os seguintes:

Tipo de carregamento Preço por kWh Custo por 100 km
Em casa 0,18 € 2,88 €
Posto público económico 0,35 € 5,60 €
Posto público mais caro 0,60 € 9,60 €

Atenção: estes preços são exemplos ilustrativos e não representam tarifas médias oficiais. Nos postos públicos, os valores pressupõem que todos os custos da sessão já estão incluídos num preço equivalente por kWh.

Também não estamos a considerar as perdas de energia durante o carregamento, que podem aumentar ligeiramente a despesa.

A diferença pode ultrapassar os 800 euros por ano

Agora imagina que percorres aproximadamente 1.000 quilómetros por mês com esse mesmo carro elétrico. Se conseguires carregar em casa a 0,18 €/kWh, o custo energético estimado seria de 28,80 € por mês.

Por outro lado, se dependeres exclusivamente de postos públicos com um custo final equivalente a 0,60 €/kWh, a despesa sobe para 96 € mensais. Estamos a falar de uma diferença de 67,20 € por mês, o que representa aproximadamente 806,40 € por ano.

E se percorreres 1.500 quilómetros mensais, a diferença pode chegar aos 100,80 € por mês, mantendo os mesmos pressupostos. Isto demonstra que o local onde carregas pode ter tanto impacto nas despesas como o consumo do próprio automóvel.

Nem todos os postos públicos têm os mesmos preços

Outro erro comum é assumir que todos os carregadores públicos cobram valores semelhantes. Na realidade, existem postos de carregamento normal, rápido e ultrarrápido, com diferentes potências e estruturas tarifárias.

Um carregador ultrarrápido pode ser bastante conveniente durante uma viagem longa, mas não significa que seja a opção mais económica para quem precisa de carregar o carro durante a semana.

Além disso, um posto de 150 kW não garante que o automóvel consiga carregar constantemente a essa potência. A velocidade depende também das capacidades do veículo, da temperatura e do estado de carga da bateria.

Por isso, antes de iniciares um carregamento, consulta sempre o preço aplicável através da aplicação ou do operador que vais utilizar.

O que deves verificar antes de comprar um elétrico?

Se estás a pensar comprar um carro elétrico e não tens garagem, existem três fatores que deves analisar com atenção.

  • Carregadores perto de casa ou do trabalho: verifica se existem postos acessíveis nos locais onde passas mais tempo e se costumam estar disponíveis.
  • Preço final dos carregamentos: compara diferentes operadores e confirma se existem custos por minuto, por sessão ou outras componentes tarifárias.
  • Quilómetros que percorres: quanto maior for a utilização mensal, maior poderá ser a diferença entre carregar em casa e depender exclusivamente da rede pública.

Também vale a pena perceber se consegues carregar enquanto trabalhas, fazes compras ou realizas outras atividades. Desta forma, evitas deslocações feitas exclusivamente para carregar o automóvel e reduzes o tempo que precisas de dedicar a essa tarefa.

Então, comprar um elétrico sem garagem compensa?

A resposta depende sobretudo dos teus hábitos e dos preços de carregamento a que tens acesso. Se percorres poucos quilómetros e tens postos públicos económicos perto de casa ou do trabalho, um carro elétrico pode continuar a compensar, mesmo sem carregamento doméstico.

Por outro lado, se fazes muitos quilómetros e dependes frequentemente de carregadores rápidos com tarifas elevadas, a poupança face a um automóvel a gasolina ou gasóleo pode diminuir consideravelmente. A falta de acesso a carregamento doméstico é, precisamente, uma das razões que podem levar alguém a não comprar um carro elétrico em 2026.

Antes de tomares uma decisão, deves calcular o custo por 100 quilómetros com os preços dos postos que realmente utilizarias e comparar esse valor com as despesas do teu automóvel atual.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.