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Fonte: Meme Generator

Este artigo não te vai trazer nenhuma novidade sobre tecnologia, nenhum tutorial nem vai restaurar a tua fé na humanidade, descobrir o segredo da juventude nem te vai dizer o que aconteceu na festa privada daquela celebridade. Este artigo propõe-se a tão somente tentar explicar o porquê de continuarmos a “cair” neste métodos de Clickbait.

Dia após dia fui assistindo impávido e sereno a uma mudança de paradigma nos mais variados meios de comunicação social, muitos dos quais ainda apontam jocosamente o dedo a um dos “pais fundadores” do Clickbait em Portugal (chamemos-lhe Correio da matina) mesmo que os seus telhados sejam de vidro. Não pretendo defender esta ou aquele entidade mas tão só alertar para algo que infelizmente já é quase um standard nas redes sociais mas a culpa é exclusivamente nossa.

O que é “Clickbait”?

Clickbait, a caça ao clique num mundo cada vez mais competitivo em que os meios de comunicação social têm que lutar pela tua atenção, especialmente os outrora grandes jornais, periódicos e revistas que assistem ao declínio das suas publicações em papel (o planeta agradece), motivação esta que os leva a pisar cada vez mais a linha da decência e a explorar uma aparente lacuna no código de ética jornalística.

   

Algumas fontes definem Clickbait como um título que não cumpre as expectativas quando acabamos de ler o artigo, ou uma inteligente manipulação da informação para que o teu cérebro não resista a querer saber mais, mesmo que depois não aprendas rigorosamente nada! Com efeito, é cada vez mais difícil distinguir o que é um título Clickbait de um artigo normal mas existem vários métodos para criar um destes atraentes títulos, uns aceitáveis, outros ridiculamente óbvios e até o “South Park” já satirizou a situação.

O Clickbait é irritante, é certo mas funciona cada vez melhor e de vez em quando também o usamos nos nossos artigos (afinal de contas somos humanos). Somos a geração que não tem tempo a perder, temos sempre algo a fazer mas acabamos por torrar horas em frente a um ecrã, absorvendo tudo o que nos é transmitido como se de uma verdade universal se tratasse!

Já paraste para pensar se, talvez o que este sujeito diz ou escreve não é assim tão fiável? Quais são as fontes? Qual o seu conhecimento de causa para estar aqui a falar sobre X, Y, Z? Mas bem sei, não vais perder tempo a fazer isto, somos preguiçosos e o nosso cérebro já nem se dá ao trabalho de relacionar os assuntos.

O Clickbait não acontece pura e simplesmente, os editores escolhem meticulosamente as palavras que vão aparecer no título  para que os teus olhos sejam imediatamente atraídos por esta visão. Dou-te um exemplo, bem recente com três títulos baseados na mesa informação:

Qual destes títulos é o mais apelativo, qual é aquele que desperta mais curiosidade no leitor? Facilmente elegemos o 3º artigo como merecedor do nosso clique pois é aquele que mais promete mas será que cumpre? Muito resumidamente, o 1º artigo é o que menos atrai o leitor, ao passo que o 3º é o indiscutível favorito, contudo esse é também o que mais probabilidade tem de nos desiludir depois de lermos o que foi exposto, o que se ganha em visualizações pode-se porventura perder em credibilidade.

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Os métodos mais comuns de Clickbait:

1- O fosso de curiosidade

As promessas de algo inacreditável, hilariante, completamente impressionante e tantas outros superlativos são uma das mais eficazes mas desavergonhadas estratégias para caçar o teu clique. “Não vais acreditar no que aconteceu”, “O truque usado pelas celebridades para ganhar dinheiro”, “Sabes como ganhar dinheiro no YouTube?”, “Saiba o que elas vestem no Rock in Rio”, exemplos clássicos mas bem atuais. O truque aqui é simples, despertar a tua curiosidade, provocar o teu cérebro.

Criar-te uma sensação de desconforto perante o desconhecimento daquela informação, criar uma autêntica necessidade que não estará satisfeita até que fiques a saber de que raio se tratava aquele artigo e por muito ridícula, frívola ou útil, vá. Só ficarás tranquilo e em paz quando tirares as tuas dúvidas.

2- Listas e números e Top’s

O famoso escritor italiano Umberto Eco dizia que os seres humanos eram atraídos pelas listas porque todos temos medo de morrer. Ora bem, isto é uma afirmação válida até um certo ponto. As listas ajudam-nos a sobreviver e a encontrar o rumo num mundo repleto de possibilidades, passo a explicar:

  1. As listas costumam usar números (tipo…óbvio!) e o os números destacam-se muito bem sobretudo em artigos cheios de texto como este. Ajudam-nos a suportar tanta palavra.
  2. Ajudam-nos a quantificar quanta atenção temos que dedicar ao artigo, somos imediatamente atraídos por isto, quantificar o esforço.
  3. As listas organizam a informação de acordo com o seu grau de importância. Exemplo: os 10 melhores smartphones até 200€
  4. Os números sabem bem na medida em que nos ajudam a escolher o que procuramos, evitando a dolorosa tarefa de escolha. Isto é, se alguém diz que este é o Top 3 de smartphones até 100€ e tu estás à procura de um novo smartphone, vais imediatamente reduzir o teu leque de opções aos 3 artigos apresentados.
  5. O número 1 é sempre o mais sedutor daí que se use, abuse e banalize o termo “Top”, ou “o melhor X, Y, Z” mas ao final do dia os resultados aparecem e quem quem produz conteúdo sabe bem disto.

Estas são as 5 razões que tornam as listas tão irresistíveis para ti. Em suma, as listas tornam tudo mais fácil, auxiliam-nos a optar entre um número infinito de possibilidades e satisfazem o nosso cérebro a dizer-nos qual é o melhor, quais são as melhores opções, etc. Contudo, há aqui um reverso da moeda, as listas proporcionam uma solução demasiado fácil, escusando-se a qualquer tipo de questão. Simplesmente aceitas o exposto e confesso que este é o meu tipo de Clickbait favorito e também o mais discreto.

3: A irresistível Antecipação

Como já deves ter reparado, o Clickbait é algo bastante engenhoso e tem muito que se lhe diga. Joga com as nossas emoções e necessidades básicas de controlar o imprevisto ou explorar desconhecido, até aqui tudo bem. Contudo, há um ditado bem português que diz” “À primeira todos caem, à segunda só cai quem quer e à terceira, só cai quem é parvo.” Ora, seremos todos parvos? Sim, porque mesmo sabendo que determinado título é um Clickbait voltamos a cair na tentação vezes sem conta.

Alguns estudos indicam que o ser humano é capaz de aturar um sem fim de tristezas e desilusões desde que por vezes haja alguma recompensa. Bom, a lotaria popular, o Placard (cada vez mais popular entre os jovens) e o EuroMilhões são exemplos perfeitos disso mesmo. Alguns dos títulos Clickbait mais populares com este método são algo do género” Estas fotos de bebés vão por te um sorriso na cara”.

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Estamos pré-programados para procurar algo ternurento, fofinho e se possível com um comportamento humano, somos viciados em dopamina, este neurotransmissor que desempenha um papel fulcral na sensação de prazer e que é capaz de orientar o nosso comportamento, seja ao fazer-nos sorrir perante uma foto de gatinhos, cachorros ou simplesmente para obtermos aquela sensação de satisfação quando passamos mais um nível no Candy Crush.

Antecipamos a recompensa que vamos receber e isto faz com que passemos horas fio para passar mais um nível, para ver as imagens de certo artigo, etc, etc. Somos “escravizados” pela felicidade e tudo fazemos para a obter. De que outra forma justificarias a tentação que sentimos ao ver um título deste género: “As 25 posições mais estranhas de gatos a dormir”. Título fictício mas confessa lá, ficaste curioso, eu sei.

Por último, creio que o fenómeno Clickbait não seja necessariamente mau, aliás, é bastante rentável e pelo que vejo, o público português parece não se importar com esta tendência. Afinal de contas temos exactamente aquilo que merecemos.

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Viapoynter
Fontepainepublishing
Quando não está a escrever um artigo ou a gravar algum vídeo, o Bacelar tem por hábito saborear um bom livro, descobrir novas bandas sonoras ou simplesmente desfrutar do sol, na companhia de quem mais gosta (MM).