The Haunting of Hill House – Série retorna o terror às suas origens

Ricardo Magalhães

‘The Haunting of Hill House’ (THoHH como me vou referir por daqui em diante) é a série que tens que começar a ver agora! A série é produzida por Mike Flanagan e está disponível na Netflix desde 12 de Outubro. Além disso é uma adaptação da obra ‘The Haunting of Hill House’ de Shirley Jackson de 1959. Desde que estreou, a série tem deixado todos boquiabertos e aterrorizados.

A obra de Shirley Jackson já tinha sido adaptada ao grande ecrã. Primeiramente veio Robert Wise com o excelente ‘The Haunting’ em 1973. Seguidamente veio Jan de Bont com uma adaptação inundada de efeitos especiais com o mesmo nome em 1999. No entanto, nunca esta tinha sido adaptada a formato televisivo. Certamente não podia ter corrido de melhor maneira esta adaptação.

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Antes de tudo temos de saber que ‘THoHH’ não é uma cópia exacta da obra de Jackson. Quando Flanagan e a sua equipa foram propostos para desenvolver este projecto pela Netflix ficou claro que o material original não era extenso o suficiente para cobrir 10 episódios. Portanto, alterações foram feitas nomeadamente a nível de personagens.

Mike Flanagan continua a destacar-se no género de terror.

Tal como Flanagan refere, assustar audiências num filme e numa série não é a mesma coisa. Ou seja, uma coisa é dispor de 2 horas, outra é ter um conjunto de episódios que no total constituem 10 horas de televisão. Não só esse facto mas também ter a noção que ao ter 10 episódios é preciso saber como manter a tensão ao longo de todos eles. Afinal de contas um projecto de terror tem de viver deste clima de suspense e deixar constantemente a audiência inquietada. Tudo isto e muito mais foi tido em conta por Flanagan e o resultado final fala por si.

Flanagan assume-se cada vez mais no mundo do cinema de terror. Entre o seu leque de projectos no género pode-se ver ‘Absentia’, ‘Before I Wake’, ‘Hush’, ‘Oculus’ e mais recentemente, e tal como ‘THoHH’ também uma parceria Netflix, ‘Gerald’s Game’. Todos estes projectos foram, no geral, bem recebidos pelo público, o que por si só diz bastante do trabalho de Flanagan. Nesse sentido, não foi por acaso que lhe foi confiada a sequela de ‘The Shining’ de seu título ‘Doctor Sleep’.

‘THoHH’ conta a história da família Crain encabeçada por Olivia (Carla Gugino) e Hugh (Henry Thomas). Estes, juntamente com os seus 5 filhos, Steven (Michiel Huisman), Shirley (Elizabeth Reaser), Theodora ‘Theo’ (Kate Siegel) e os gémeos Luke (Oliver Jackson-Cohen) e Nell (Victoria Pedretti) mudam-se para a mansão Hill House durante o verão (à cerca de 20+ anos atrás) com o objectivo de a reestruturarem e posteriormente vender.

‘THoHH’ conta a história da família Crain encabeçada por Olivia e Hugh

Antes de mais nada há que referir que a série se encontra estruturada em duas linhas temporais distintas. Primeiramente, a que segue a família quando esta chega a Hill House. A segunda segue cada um dos elementos na sua vida durante o tempo presente. No entanto, mesmo dentro de duas linhas temporais a narrativa não as segue linearmente à medida que os episódios passam. Com o intuito de proporcionar uma maior flexibilidade à narrativa, cada episódio avança e retrocede em cada linha temporal.

Os primeiros episódios (excluindo o primeiro) são dedicados também a cada um dos filhos. Isto é, cada um dos filhos tem um episódio onde tem uma maior preponderância que os restantes personagens. Dessa forma é possível explorar em profundidade cada uma das suas histórias o que para o restante da série se torna essencial.

Cada membro da familia Crain tem os seus fantasmas.

Ademais, ‘The Haunting of Hill House’ é uma série em que cada cena é uma pequena peça que nos episódios finais é encaixada. Existe uma enorme mestria em como as cenas são dispostas e editadas que torna o clímax final ainda mais gratificante. De tal forma que não vais querer perder nenhum pormenor revelado.

As actuações são todas de um nível elevado, sem excepções. Cada ator consegue explorar todas as camadas do seu personagem e refira-se que não são personagens fáceis de desempenhar. Todos estes são bem estruturados e complexos o que contribui bastante para a narrativa.

Toda a cinematografia é magnífica e em grande parte responsável por deixar-nos absolutamente boquiabertos com cada cena. Eu adorei os 10 episódios de ‘THoHH’, mas neste capitulo o episódio 6 acaba por se destacar. Decerto que até poderia dizer o que o faz destacar-se, e até nem seria spoiler porque não está directamente relacionado com a história, mas tal como eu senti da primeira vez que assisti, acho que vai ser uma surpresa bem positiva para muita gente.

Digamos que os ensaios para esse episódio em questão duraram cerca de dois meses e mesmo assim foi uma grande dor de cabeça para todos durante as filmagens. Acima de tudo, o resultado de todos esses ensaios valeu completamente a pena e o episódio 6 é na minha opinião, e pelo que consegui observar de muitos outros também, uma obra-prima cinematográfica. Que tal para aguçar a curiosidade?

O set construído para fazer de Hill House é impressionante de tal forma que foi feito em 2 pisos e é possível vaguear por toda a casa como se de isso mesmo se trata-se e não apenas de sets separados.

'The Haunting of Hill House' establece um clima intenso e foca no terror psicológico.

Tanto o set como a cinematografia contribuem imenso para a imersão e inquietude do espectador. Ao veres os episódios talvez comeces a pensar que estás a ver coisas. Será real ou é a série a ter algum efeito sobre ti? Bem… um pouco dos dois, talvez. Sem querer revelar mais (novamente tudo isto são coisas que irás apreciar quando vires) diria para se ter uma atenção especial a cada plano da câmara e ao background de cada cena.

Flanagan e a sua equipa fizeram questão de rechear cada plano e cada cenário de pormenores capazes de provocar um grande arrepio a qualquer um. Sem me alongar muito mais, diria que prestar atenção às estátuas no background e a possíveis… fantasmas visíveis no background poderá ser uma ideia interessante. Contudo, isto poderá ser algo para prestares mais atenção da segunda vez a que assistires a toda a série. Certamente que vais conseguir captar algumas destas situações na tua primeira visualização mas todas já será mais difícil.

A banda sonora, composta pelos Newton Brothers, é excelente e consegue elevar todas as cenas onde é utilizada. Aliás, ‘THoHH’ sabe, perfeitamente, quando utilizar a sua banda sonora e quando não a utilizar. Quem nunca ficou chateado com um filme/série que usa e abusa da sua banda sonora?

No entanto, para mim, o ponto forte da série está na abordagem daquilo que é realmente um ‘fantasma’. Nesse sentido, para Flanagan, um ‘fantasma’ pode assumir diversas formas. Isto é “algo de que nos arrependemos, uma memória, algo de que nos envergonhamos, luto e culpa”.

A série aborda problemas bem reais e prova que todos temos os nossos fantasmas.

Aliás, o objectivo de Flanagan passou sempre por abordar problemas reais e envolve-los num cenário sobrenatural. Os nossos personagens têm os seus fantasmas, e inserir simbolismo por detrás de cada um é algo em que ‘THoHH’ prospera. Sobretudo os problemas da família Crain são algo com que qualquer um se consegue relacionar.

Muitas comparações têm sido feitas com outras séries, a mais abundante é que ‘THoHH’ é um ‘This is Us’ com um recheio de terror por cima. Afinal é uma comparação algo lógica de se fazer visto que o drama familiar é uma parte intrínseca em ambas as séries.

Por fim, ‘THoHH’ é uma série que é muito mais que terror, drama ou até suspense. É uma série que pega em problemas reais com os quais muitas pessoas lidam no seu dia-a-dia e faz justiça na sua abordagem a todos eles. O elemento sobrenatural trás arrepios em todos os episódios e é sempre extremamente bem realizado. Desse modo, ‘THoHH’ não toma por garantido assustar os espectadores com simples jump-scares.

'The Haunting of Hill House' retorna o terror às suas origens.

Com efeito todas as cenas são planeadas ao ‘milímetro’ e todos os pormenores são tidos em conta. Desde a iluminação da cena, os movimentos da câmara, a maneira como os personagens reagem e a maneira como cada fantasma atua. Acima de tudo, ‘THoHH’ retorna o género de terror às suas origens. Numa era em que a maioria dos filmes e séries de terror vive à base de jump-scares completamente previsíveis e imerecidos, 'THoHH' é uma lufada de ar fresco.

Para mim, as melhores séries e filmes são aquelas que ficam na nossa cabeça muito depois de terminarem. Eu já acabei a série há um número considerável de dias e esta continua bem presente na minha cabeça. Na minha opinião, Mike Flanagan e toda a sua equipa com ‘The Haunting of Hill House’ fizeram algo muito especial. 'The Haunting of Hill House' garantiu desta maneira um lugar no meu top de séries favoritas de sempre.

E visto estarmos à porta do Halloween, é sem dúvida uma óptima altura para ver os 10 episódios de ‘The Haunting of Hill House’!

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