
| Caraterística | Especificação |
|---|---|
| Potência máxima | 460 cv |
| Aceleração (0-100 km/h) | 3,1 segundos, máximo 262 km/h |
| Autonomia (WLTP) | 571 km |
| Tração | Motor duplo integral (AWD) |
| Carregamento rápido | Até 250 kW (recupera até 237 km em 15 min) |
Depois de ter colocado à prova a vertente focada na eficiência na versão Long Range e a versão mais acessível do Model 3, chegou a vez de testar o extremo oposto da gama. O mais recente Tesla Model 3 Performance chegou ao mercado português com preços a começar nos 58 475 euros, que se posiciona frente a propostas desportivas que facilmente ultrapassam os seis dígitos.
Esta versão não recebeu só um aumento de potência. A marca reformulou o chassis, integrou suspensão adaptativa e introduziu elementos aerodinâmicos funcionais em fibra de carbono para criar uma experiência de condução mais desportiva.

Design, interior e conforto
Por fora, a presença deste Performance impõe respeito logo ao primeiro olhar. O difusor traseiro redesenhado, a secção frontal mais vincada e o spoiler em fibra de carbono complementam as jantes forjadas Warp de 20 polegadas, para maior sustentação a alta velocidade.

E este vermelho assenta-lhe que é uma maravilha. É aquele clássico de associarmos esta cor a algo desportivo. Aconteceu-me o mesmo pensamento quando testei o Mazda 6e. No habitáculo, o minimalismo característico da marca ganha acabamentos exclusivos com inserções de fibra de carbono.

Os bancos desportivos são uma adição de peso. Têm apoios laterais pronunciados que seguram o corpo nas curvas mais agressivas, e mantêm as funções de aquecimento e ventilação.

A seleção de marchas (Drive, Reverse e Park) está na lateral do ecrã tátil central, o que pode sempre exigir habituação a novos condutores. Mas o sistema de previsão seleciona o sentido de marcha ao carregar no travão. Atrás, o ecrã de 8 polegadas permite personalizar a ventilação e entreter os passageiros com YouTube ou Netflix.

A capacidade da bagageira mantém os práticos 682 litros combinados com a frunk dianteira. Também aqui temos uma entrada de bagageira mais baixa face ao Model Y, que pode tornar mais difícil a entrada de objetos altos. Mas não há como dizê-la de outra forma: é uma bagageira muito espaçosa.


Tecnologia e Infoentretenimento
O ecrã tátil de 15,4 polegadas continua a ser o centro do veículo, com fluidez que considero referência na indústria. Neste Performance não posso deixar de destacar sistema de som concebido pela Tesla com 15 altifalantes e subwoofers duplos. Nota-se a diferença para outros modelos e dá vontade de nunca sairmos do carro para desfrutar das canções favoritas.
Continua apenas a notar-se a ausência de uma integração nativa do Waze para avisos de trânsito em tempo real. O sistema de navegação da Tesla é baseado no Google Maps, tem uma excelente integração de postos de carregamento e previsão de bateria à chegada. Mas o Waze seria um excelente complemento.

O grande trunfo nesta versão é a vertente desportiva do software. Em destaque encontramos o consagrado Modo Louco (Ludicrous), a definição que desbloqueia a curva de aceleração mais agressiva do grupo motopropulsor. Envia a totalidade dos 460 cavalos e o binário instantâneo para as quatro rodas sem qualquer filtro.
Para quem quer levar a experiência mais longe, o Modo de Pista (Track Mode) pode transformar o ecrã numa central de telemetria, que permite gerir a distribuição de binário entre o eixo dianteiro e traseiro, desligar ou ajustar o controlo de estabilidade e alterar a intensidade da travagem regenerativa para arrefecer ou preservar os travões.

Por falar em travagem regenerativa, já o disse noutras análises e volto a dizer nesta. A Tesla tem das travagens regenerativas mais suaves da indústria. É extremamente raro termos de dar uso ao travão no dia a dia e isso acrescenta bastante comodidade na condução, principalmente em cidade.
Desempenho, consumos e autonomia
Durante o nosso teste, percorremos um total de 722 km quilómetros com o veículo em diversos cenários, desde percursos urbanos até traçados sinuosos e tiradas de autoestrada (maioritariamente neste caso). A média final registada foi de 17,97 kWh aos 100 quilómetros.

Este valor fica acima dos 16,5 kWh/100 km homologados pela marca, mas a explicação é simples. Foi impossível resistir a puxar várias vezes pelo Modo Louco (Ludicrous) para sentir a aceleração instantânea de 0 a 100 km/h em escassos 3,1 segundos.
Cada aceleração a fundo tem consequências diretas no consumo de energia, mas o nível de adrenalina compensa a perda marginal de eficiência. E convenhamos: o utilizador que compra o Performance não será o mais preocupado com os consumos.

A suspensão adaptativa absorve pisos degradados com conforto e transforma-se em algo firme e preciso assim que se adotam ritmos mais vivos. A velocidade máxima alcança uns impressionantes 262 km/h, aos quais não cheguei nem perto pois não andei em pista.
Quando chega o momento de carregar, a potência de pico de 250 kW nos Superchargers permite recuperar energia com rapidez, o que adiciona até 237 km de autonomia em 15 minutos. É uma ótima potência e nunca sentimos que a viagem é atrasada. Mas está na hora de a marca começar a aumentar a velocidade de carregamento para outros valores.

Condução autónoma e segurança
O pacote de segurança ativa engloba a travagem de emergência automática, a assistência de manutenção na faixa de rodagem e a visualização dos ângulos mortos no ecrã. O cruise control adaptativo com manutenção na faixa de rodagem vem de série e funciona muito bem em em autoestrada.
A Capacidade de Condução Automatizada Total ainda não se encontra aprovada em Portugal, mas é uma opção de subscrição por 99 € mensais quando chegar por cá. Se quiseres saber um pouco mais como como funciona, vê o nosso vídeo de teste em Amesterdão.
Para quem é o Tesla Model 3 Performance
- Para quem procura a máxima performance por euro investido, com acelerações dignas de supercarros e dinâmica apurada em curva;
- Condutores que adoram afinar parâmetros do carro em detalhe e explorar track days através do Modo de Pista;
- Quem valoriza a versatilidade de um carro familiar para o dia a dia que se transforma num desportivo com uns toques no ecrã;
- Para quem valoriza um sistema de som fenomenal, com ótima noção espacial, qualidade e detalhe.
Não é para.. quem coloca a máxima autonomia e a economia acima de tudo (a versão Long Range é a escolha mais racional para esse perfil), quem prefere manetes tradicionais dedicadas para as marchas em vez de comandos táteis no ecrã ou condutores que não pretendem pagar o acréscimo de preço e o custo de manutenção associado a pneus e jantes de 20 polegadas desportivas.

Conclusão
O Tesla Model 3 Performance é um dos automóveis mais impressionantes que já testei. Usar o Modo Louco e ir 0 aos 100 km/h em qualquer coisa como 3,1 segundos deixa qualquer impactado. Principalmente quando é efeito em absoluto silêncio.
Tal como noutros Tesla que já testámos, o sistema de infoentretenimento da marca é fenomenal. Mas gostaria de ter o Waze como alternativa de navegação e alguns utilizadores podem sentir falta do Android Auto ou do Apple CarPlay. O sistema de som dá vontade de pôr os nossos álbuns favoritos a tocar e nunca sair do carro.

Embora os consumos reais subam para a casa dos 18 kWh aos 100 km quando nos deixamos entusiasmar pelo Modo Louco, a suspensão adaptativa e a eficácia do chassis podem justificar em pleno o valor de 58 475 euros a que se encontra em Portugal. É um desportivo completo, tecnológico e absurdamente rápido. E este vermelho assenta-lhe que nem uma luva.