
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Autonomia WLTP | 534 km |
| Consumo de energia anunciado | 13,0 kWh/100 km |
| Aceleração (0-100 km/h) | 6,2 segundos |
| Volume de carga total | 682 Litros (inclui a mala traseira e os 88 litros da frunk) |
| Carregamento em Supercharger | Potência máxima de até 175 kW |
A Tesla sempre teve a missão de democratizar a mobilidade elétrica, e este Model 3 com tração traseira que já tinha conduzido na apresentação à imprensa em Portugal, é o pináculo dessa estratégia. Numa altura em que o mercado europeu tenta encontrar propostas equilibradas abaixo dos 40 mil euros, a marca de Elon Musk joga aqui uma cartada fortíssima.
O Model 3 é um produto que junta uma bateria de alta densidade, um motor traseiro ágil e o mesmo ecossistema de software que encontras nas versões mais caras da marca, tudo isto sem parecer um carro muito "cortado" no equipamento de série. O preço começa nos 36 990 € já com IVA.

Experiência no dia a dia com Tesla Model 3 tração traseira
Temos sempre tendência a olhar para os números que a marca promete. A Tesla promete, neste modelo, um consumo médio combinado de 13 kWh. No mundo real, a viver com o Model 3 durante uma semana e após mais de 650 km percorridos numa mistura de cidade e bastante autoestrada (sempre nos limites legais), fechei o teste com uma média incrível de 13,4 kWh/100 km.

Na cidade, no típico para-arranca matinal de Lisboa, cheguei a registar médias abaixo dos 10 kWh/100 km. É uma eficiência impressionante para um carro deste tamanho. Tem uma bateria LFP e estima-se que seja de 60 kWh (a Tesla não tem por hábito revelar os números concretos).

Pelos meus testes, podes contar com autonomia real em autoestrada neste tempo ameno de verão sem problemas a chegar aos 300 km, sem ultrapassar os limites de velocidade (máx. 120 km/h). Se andares maioritariamente em cidade, neste Model 3 não terás problemas em ultrapassar os 400 km de autonomia nas condições ideais ou ir bem mais além e chegar perto dos 534 km que a marca promete.

A condução é silenciosa e muito bem insonorizada. Mesmo sem recorrer a vidros duplos, o isolamento acústico convence. Os novos bancos, apesar de combinarem pele vegan com tecido, são extremamente confortáveis e oferecem um excelente apoio para viagens longas. O som destes altifalantes também surpreende e é bastante imersivo, ainda que não ao nível dos modelos mais caros como o Model Y Premium.
Nem tudo são rosas na experiência de condução diária. A decisão de colocar praticamente tudo no ecrã central de 15,4 polegadas obriga a uma curva de aprendizagem para os mais puristas. Temos a manete dos piscas no volante de volta, mas para ajustar os espelhos, o ar condicionado, regular os bancos ou até engrenar a marcha (D ou R), ficamos dependentes do painel tátil ou do automatismo do carro.

Alguns condutores podem sentir também a falta de um pequeno painel de instrumentos à frente do condutor (já não é o meu caso) para ver a velocidade instantânea sem desviar o olhar. Até dispensaria esse ecrã se tivéssemos um head up display (refletivo no vidro) como acontece em algumas marcas como a Polestar ou BYD.
E o facto de o sistema operativo continuar fechado (sem Android Auto ou Apple CarPlay) significa que não podes usar o teu Waze diretamente no ecrã principal. Para fechar as críticas ergonómicas, a boca da bagageira não é muito alta, o que pode dificultar a inserção de objetos mais volumosos, ainda que o volume lá dentro seja muito bom.

Para quem é o Tesla Model 3
- Para quem procura a melhor transição para o mundo elétrico sem ansiedade de autonomia (graças à rede de Superchargers e ao planeador de viagem integrado)
- Para quem quer um familiar espaçoso com custos de utilização e manutenção extremamente reduzidos
- Valoriza tecnologia, atualizações automáticas constantes (OTA) e um desempenho divertido
Não é para quem... não aprecia interfaces puramente táteis e prefere botões físicos para o ar condicionado e funções básicas, exige integração com os sistemas da Google ou Apple no painel do carro e precisa de carregar objetos muito altos e volumosos na mala, onde um SUV (como o Model Y) faria mais sentido.
Conclusão
Se me dessem cerca de 37 mil euros e me dissessem que tinha de escolher um carro elétrico hoje em Portugal, esta seria a opção que aconselharia à grande maioria das pessoas. O Tesla Model 3 de tração traseira prova que a eficiência é o argumento principal de um elétrico moderno, e neste campo a Tesla continua a dar cartas.
Fica apenas a faltar que a Condução Autónoma Total (FSD) seja formalmente aprovada e libertada para as estradas portuguesas para termos o pacote completo. Até lá, pelo preço pedido, é uma escolha muito aconselhável no mercado nacional. Não admira que vejamos tantos na estrada.
Sabe mais sobre o Model 3 e como comprar no site da Tesla.
