Os portugueses que têm tarifa bi-horária ou tri-horária de eletricidade nas suas casas vão sentir mudanças nos preços já a partir de 2027.
Isto porque a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou uma alteração aos períodos horários que definem quando a eletricidade é mais cara ou mais barata. A mudança estava a ser estudada desde o início do ano.
A principal diferença é que a hora mais barata da noite vai passar a começar meia hora mais tarde do que acontece hoje em dia.
Nas tarifas bi-horárias, a fatura divide-se em dois períodos: o período fora de vazio, mais caro, e o período de vazio, mais barato.
Com a nova regra, a lógica mantém-se a mesma. No entanto, esse horário mais barato vai ser reduzido um pouco no início do dia mas compensado à noite.
No ciclo diário, passa das 22h00 para as 22h30. Já no ciclo semanal (dias úteis), passa de 00h00 para as 00h30.
Em contrapartida, o fim do período de vazio também é adiado 30 minutos. No ciclo diário, passa das 08h00 para as 08h30. No ciclo semanal, passa das 07h00 para as 07h30.
Mudanças afetam perto de 500 mil portugueses
Para os clientes com tarifas tri-horárias e tetra-horárias, que não se aplicam a consumidores residenciais, a mudança é diferente. As horas de ponta que hoje existem de manhã e no início da tarde deixam de existir nesses períodos, ficando concentradas apenas ao final do dia.
Segundo os dados da própria ERSE, há cerca de 386 mil clientes residenciais com tarifa bi-horária e 111 mil com tri-horária em Portugal, e são precisamente esses consumidores que vão sentir o impacto direto desta alteração, nomeadamente se têm em em atenção a hora certa para usar a máquina de lavar para poupar na fatura da luz.
Os seis milhões de clientes com tarifa simples, onde o preço se mantém constante ao longo do dia, não são afetados por esta mudança. Os clientes não residenciais com tarifas tetra-horárias também estão abrangidos pela nova regra.
A decisão foi divulgada nesta sexta-feira, 31 de julho, depois de uma consulta pública que levou a alterações face à proposta inicial do regulador.
A implementação vai ser feita de forma faseada. Os clientes não residenciais mudam já a 1 de abril de 2027, enquanto os clientes particulares vão sentir a mudança entre 1 de julho e 31 de dezembro do mesmo ano.
Segundo a ERSE, a alteração deve acontecer de forma automática, feita remotamente através do contador inteligente na maioria dos casos, e apenas nas situações em que isso não for possível é que um técnico do operador de rede se vai deslocar a casa do cliente para fazer o ajuste manualmente.
A entidade disponibilizou ainda uma calculadora que permite simular a diferença em euros que esta mudança representa para um agregado.
