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MB WAY prepara o caminho para o seu maior avanço de sempre

A SIBS juntou-se a quatro empresas de pagamentos europeias para criar uma rede comum. A primeira fase, já definida, é a que a maioria das pessoas usa todas as semanas.

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Imagem gerada por IA

A SIBS, dona doMB WAY, juntou-seà Bancomat, à Bizum, à EPI (Wero) e à Vipps MobilePay para criar a European Network for Payments (ENP).

O objetivo é que as apps de pagamento nacionais passem a funcionar entre países, sem cada uma ter de negociar acordos separados com todas as outras, de acordo com as informações do jornal Expresso.

O que foi criado?

A ENP tem sede em Madrid e os cinco fundadores são acionistas em pé de igualdade. A entidade vai gerir um hub comum de interoperabilidade, uma espécie de ponto central onde as várias apps se ligam e passam a "falar" entre si.

Os cinco parceiros decidiram em fevereiro seguir este caminho, em vez de construir uma infraestrutura de raiz. Esta opção sai mais barata e deve encurtar o caminho até haver algo a funcionar.

O que muda para ti?

A ideia é que os portugueses possam usar o MB WAY no estrangeiro e que quem vem de fora possa usar as apps do seu país em Portugal. Isto inclui três tipos de pagamento: transferências entre particulares, compras em lojas físicas e compras online.

Não vai chegar tudo ao mesmo tempo. A primeira fase é só entre particulares. Só depois vêm o comércio eletrónico e os terminais de pagamento (POS) nas lojas. Não há datas para nenhuma das duas fases seguintes, por isso convém não contar com pagar o café em Milão ou em Oslo com o MB WAY tão cedo.

Convém lembrar que a SIBS já tinha dado um passo nesta direção. Como já referido em abril, o MB WAY ia poder transferir dinheiro para utilizadores de 13 países europeus. A ENP é a estrutura que deve dar continuidade a isso, com um alcance maior e mais tipos de pagamento.

Em relação aos números

Segundo a SIBS, as soluções dos cinco fundadores servem hoje cerca de 130 milhões de utilizadores em 13 países. Isso representa mais de 70% da população da UE e da Noruega. Na prática, a rede começa com escala, porque as apps já têm muita gente a usá-las. Falta ligá-las.

A parte que interessa mais

Este projeto não é só uma questão de conveniência. Na Europa, uma parte grande dos pagamentos com cartão passa por redes americanas, como a Visa e a Mastercard. A ENP nasce, em boa medida, para reduzir essa dependência.

O presidente da SIBS, João Mello Franco, não foge a essa ideia. Fala em "um verdadeiro ecossistema de pagamentos europeu" e diz que o objetivo é permitir pagamentos transfronteiriços mantendo a soberania, a confiança e a proximidade das soluções nacionais.

Há uma diferença importante face a tentativas anteriores. Em vez de uma app única para toda a Europa, a ENP mantém as apps que as pessoas já usam e liga-as entre si. Quem usa o MB WAY continua a usá-lo. Esta abordagem tem uma vantagem: não obriga ninguém a mudar de hábitos, que costuma ser o maior obstáculo a qualquer novo meio de pagamento.

O que falta saber

  • Quando chegam os pagamentos em lojas e online. É aí que o utilizador comum vai notar a diferença, e ainda não há calendário.
  • Que custos terão os comerciantes. Para a ENP competir com os cartões, as comissões terão de ser atrativas, e ainda não há informação sobre isso.
  • Como se vão comportar as quatro apps parceiras entre si, sendo soluções com origens, regras e bases de utilizadores diferentes.

Por agora, a ENP é sobretudo uma decisão de arquitetura e de alianças. A estrutura está criada e a cobertura de partida é grande, mas o teste a sério vai ser a fase do comércio.

Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
O Rodrigo é colaborador na 4gnews e cobre assuntos como gadgets, telecomunicações e software. É licenciado em Comunicação e conta com 10 anos de experiência na criação de conteúdo escrito online.