
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Ecrãs | Interno: 7,95" dobrável LTPO2 AMOLED (120 Hz, 5000 nits); externo: 6,52" LTPO2 OLED (120 Hz, 6000 nits) |
| Processador/sistema | Snapdragon 8 Elite Gen 5, MagicOS 10; Android 16 (até 7 atualizações) |
| Câmaras traseiras | 50 MP (principal f/1.6) + 64 MP (teleobjetiva periscópio 3x) + 50 MP (ultrawide) |
| Bateria e carregamento | 6660 mAh; carregamento com fio 80 W, sem fios 66 W e reverso |
| Construção e Resistência | 4,0 mm aberto, 8,8 mm fechado, 219 g de peso; proteção IP68 e IP69 (jatos de alta pressão e submersão) |
Desde o Honor Magic Vs que tenho tido a oportunidade de testar todos os dobráveis deste formato da Honor no canal. Acompanhei de perto a trajetória da marca que, na altura do Honor Magic V3, estava claramente um passo à frente de toda a concorrência na espessura e na engenharia de dobradiça.
Contudo, o mercado estabilizou no último anos. Reduzir ainda mais a espessura física tornou-se uma competição feita ao milímetro, o que deu margem a fabricantes como a Samsung e a OPPO para encurtarem distâncias (embora esta última não venda o modelo que testámos em Portugal).
Com a chegada do Samsung Galaxy Z Fold8 e do iPhone Duo, o chamado formato "passaporte" acabou por conquistar o carinho de muitos consumidores pelo equilíbrio ergonómico e pela melhor experiência visual para reprodução de vídeo quando aberto.

Em Portugal, o Honor Magic V6 aterra com uma etiqueta de 2299 euros, disponível numa fase inicial sob exclusividade comercial na rede de lojas e canais digitais da MEO. Testei o equipamento durante uma semana para perceber até que ponto este dobrável justifica o investimento.
Design, construção e ecrãs
Pegar no Magic V6 causa de imediato um forte impacto físico. Fechado, o smartphone mede apenas 8,8 milímetros (nesta versão, já que pode variar até 9 mm dependendo da cor) e quando o abres atinge uns inacreditáveis 4 milímetros de espessura, acompanhados por um peso pluma de 219 gramas.


O manuseamento no bolso ou com uma só mão é tão natural quanto o de um telemóvel convencional de formato tradicional, quando está fechado. O salto em robustez é igualmente de assinalar neste segmento: além da resistência clássica a imersão em água (IP68), o dispositivo acrescenta certificação IP69 contra jatos de água de alta pressão e temperatura.
Os ecrãs representam o que de melhor a tecnologia de ecrãs fornece na atualidade. No exterior encontras um ecrã de 6,52 polegadas com proporção funcional, taxa adaptativa até 120 Hz e um pico de brilho de 6000 nits com ótima legibilidade em dias de sol intenso.

Ao desdobrar o telefone, acedes ao painel principal de 7,95 polegadas LTPO2 AMOLED com proteção antirreflexo muito eficiente, que torna o uso deste tipo de painel muito mais interessante no exterior. O vinco da zona de dobragem continua a notar-se, mas é quase impercetível.
O reverso desta moeda prende-se com a proporção quase quadrada do ecrã interior. Se em produtividade e leitura de documentos em multijanela a área útil é muito boa, ao veres filmes e séries no YouTube ou plataformas de streaming acabas por ficar com barras pretas superiores e inferiores expressivas, que reduzem a vantagem face a um telemóvel de barra.

Desempenho e software
No interior deste smartphone está a plataforma Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 de 3 nanómetros, acompanhada por memórias UFS 4.1. O comportamento no dia a dia é impecável. As aplicações abrem rápido, a transição entre janelas no multitarefa decorre sem soluços e os jogos pesados correm com taxas de fotogramas estáveis. Algo expectável nesta dimensão de preço.
Notámos algum aquecimento em jogos mais pesados, mas nada de anormal para dias de grande calor durantes os testes. Em uso normal, nunca aconteceu. O software assenta na MagicOS 10 baseada em Android 16.
Pontuação do Honor Magic V6 no Geekbench 7
- CPU: Single-core - 1136 pontos; Multi-core: 5261 pontos
- GPU: 15483 pontos

Tal como na anterior geração, a marca tem um forte compromisso de até 7 grandes atualizações do sistema operativo, o que dá longevidade e confiança de utilização a longo prazo para um investimento tão avultado. É um software com bastantes soluções para o formato, bem otimizado, mas com grandes inspirações de design no iOS.
Bateria e carregamento
A bateria é uma das áreas onde a Honor volta a impressionar. Mais uma vez recorre à química de silício-carbono, com uma capacidade de 6660 mAh num corpo com apenas 4 milímetros em formato aberto. E na China a capacidade até é superior.

Com várias horas entre os ecrãs externo e interno com conectividade 5G, consegues chegar ao fim de um dia de utilização intensa sem problemas. Um utilizador mais leve pode inclusive almejar um dia e meio ou mais. Mas dada a natureza tudo em um deste dispositivo, é difícil não acabar por se usar muito. São números em linha com o que conseguimos no OPPO Find N6.
A velocidade de carregamento mantém números elevados. Suporta carregamento rápido de 80 W por cabo. Nos nossos testes conseguimos carregar 50% em cerca de 30 minutos e 100% em perto de uma hora. O carregamento sem fios pode ser feito até 66 W e há carregamento reverso para partilhar energia com outros aparelhos.

Câmaras
O módulo fotográfico do Magic V6 aposta numa configuração tripla composta por um sensor principal de 50 megapixéis com abertura f/1.6 e estabilização ótica, uma teleobjetiva periscópio de 64 megapixéis com zoom ótico de 3x e estabilização, e uma grande angular de 50 megapixéis com 122 graus de campo de visão.
As fotografias captadas exibem boa nitidez, balanço de brancos consistente entre as três lentes e uma resposta competente no modo noturno. É um dos melhores sistemas fotográficos já montados num smartphone dobrável.
Contudo, quando confrontado com os topos de gama clássicos de barra na mesma fasquia de preço, a lente periscópio com zoom ótico de apenas 3x e os sensores fisicamente mais contidos não conseguem competir de igual para igual com o alcance de zoom e o detalhe de referências focadas puramente na fotografia.
Em vídeo, o equipamento grava até 4K a 60 fotogramas por segundo com perfil de cor a 10 bits. Nos meus testes, apesar das limitações de zoom, revelou boa estabilização e impressionou pela suavidade na troca de lentes, onde se notam melhorias face à geração anterior.
Para quem é o Honor Magic V6
- Utilizadores que querem um dos dobráveis de livro mais finos, leves e ergonómicos do mercado;
- Profissionais que trabalham constantemente com produtividade multijanela em mobilidade;
- Quem quer uma autonomia acima da média sem prescindir de ecrãs de grande qualidade e desempenho de topo;
- Consumidores que valorizam a máxima proteção num dobrável contra água e poeiras através do selo IP68 e IP69.
Não é para... quem tem um orçamento controlado e não quer gastar 2299 euros num equipamento móvel, utilizadores cujo consumo principal seja vídeo em formato panorâmico 16:9 ou 21:9 ou entusiastas de fotografia que pretendam zooms avançados de 5x ou 10x de topo de gama convencional.

Conclusão
A Honor continua a mostrar no Magic V6 que é possível lançar um dobrável com uma espessura muito reduzida, combinado com uma bateria que, em Portugal, atinge os 6600 mAh. É um equipamento que mostra bem o que a marca consegue fazer e que resolve o peso e a fragilidade que antes afastavam muitos utilizadores deste segmento.
A fatura a pagar por este luxo tecnológico continua muito alta - agora cifra-se nos 2299 € em Portugal, embora já o consigas encontrar a preços mais baixo se mandares vir de fora. É um dispositivo ainda com uma câmara abaixo de modelos tradicionais, mas ainda assim muito boa, desenhado para a franja de entusiastas disposta a pagar o preço desta tecnologia para a ter no bolso.

