Aumento de 6,4% no mercado regulado
Gerir o orçamento familiar está a ficar cada vez mais difícil com as oscilações nos preços de combustíveis. Mas a partir do próximo outono vai ser ainda mais complicado. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou oficialmente um aumento de 6,4% nas tarifas de gás natural para os consumidores domésticos no mercado regulado, em Portugal.
A medida entra em vigor a 1 de outubro de 2026 e vai prolongar-se até 30 de setembro de 2027. O agravamento anunciado é ligeiramente superior à proposta inicial de março, que apontava para uma subida de 6,3%.
O impacto real na carteira: vamos a contas
Afinal, quanto vai custar este aumento no final do mês? Segundo as simulações oficiais do regulador, o impacto médio na fatura mensal (já com taxas e impostos incluídos) será o seguinte:
- Casal sem filhos no 1.º escalão: paga mais 0,91 € por mês. A fatura média mensal fixa-se nos 17,38 €.
- Casal com dois filhos no 2.º escalão: paga mais 1,62 € por mês. A fatura média mensal sobe para os 32,53 €.
Saliente-se que estes valores servem de referência para os cerca de 437 mil consumidores que se encontram no mercado regulado português. Nos últimos cinco anos, este mercado acumulou uma variação média anual de +5,3% no preço final.
O motivo do aumento
A ERSE justifica esta revisão em alta com a escalada e incerteza nos mercados internacionais. A forte tensão geopolítica e o conflito no Médio Oriente inflacionaram as previsões dos custos de aquisição do gás natural para o período de 2026-2027.
A subida da fatura resulta essencialmente de dois fatores:
- O aumento do custo da matéria-prima (gás natural) nos mercados grossistas;
- A subida das tarifas de acesso às redes, motivada pelo aumento do investimento e pela oscilação da procura.
O regulador assume que o cenário atual está sujeito a um "nível de incerteza elevado" e avisa que pode rever as tarifas a qualquer momento, se as condições de mercado ou os desenvolvimentos geopolíticos assim o exigirem.
Quem está no mercado livre também vai pagar mais?
Para os 1,13 milhões de consumidores portugueses que se encontram no mercado livre, a subida não é direta, mas vai haver consequências.
O preço final nestes contratos depende da estratégia de cada operador, mas todos são obrigados a integrar as tarifas de acesso às redes, que são fixadas pela ERSE.
Por exemplo, para os consumidores domésticos, estas tarifas vão implicar um aumento médio de 0,098 cêntimos por quilowatt-hora (kWh). Já para a indústria e grandes consumos (superiores a 10.000 m³), o aumento das tarifas de acesso será de até 0,026 cêntimos por kWh.
Desta forma, é muito provável que as empresas do mercado livre acabem por repercutir estes custos extra nas faturas dos seus clientes nos próximos meses.
A única boa notícia cabe às famílias mais vulneráveis. Os clientes que beneficiam da tarifa social de gás natural (tanto no mercado regulado como no livre) vão continuar a ter o desconto de 31,2% salvaguardado, calculado com base nos preços do mercado regulado.
