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Gasóleo normal ou aditivado: qual é a diferença e qual compensa mais para o teu carro?

O gasóleo aditivado custa mais, mas pode ajudar a manter os injetores limpos e reduzir depósitos. Ainda assim, para muitos carros, o gasóleo normal continua a ser suficiente.

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gasoleoaditivado
Fonte: unsplash

À primeira vista, a diferença parece resumir-se ao preço. Na bomba, encontramos normalmente uma opção mais barata e outra aditivada, com um custo por litro superior. Mas isso não significa que o gasóleo normal seja um combustível de pior qualidade.

Segundo a Lei n.º 6/2015, um combustível simples é aquele que cumpre as especificações exigidas sem receber uma aditivação suplementar para além da necessária para respeitar esses requisitos.

Ou seja, o gasóleo normal vendido para utilização rodoviária já tem de cumprir determinados parâmetros de qualidade. A diferença está sobretudo naquilo que é acrescentado às versões aditivadas.

A própria legislação define os aditivos como substâncias incorporadas no combustível com o objetivo de modificar algumas das suas propriedades. Dependendo da formulação, podem ser utilizados para ajudar a controlar depósitos nos injetores, melhorar a lubricidade ou proteger componentes do sistema de alimentação.

Não existe, porém, uma receita única para o gasóleo aditivado. O tipo e a concentração dos aditivos podem variar entre produtos, o que significa que nem todos apresentam exatamente as mesmas características.

É também uma das razões pelas quais existem diferenças entre combustíveis disponíveis no mercado, mesmo quando todos têm de cumprir as especificações mínimas exigidas.

E o número de cetano, o que significa?

Outro valor importante quando falamos de gasóleo é o número de cetano.

De forma simples, este valor está relacionado com a facilidade com que o combustível inicia a combustão depois de ser injetado no motor. Um número de cetano mais elevado significa, de forma geral, um menor atraso entre a injeção e o início da combustão.

A legislação europeia sobre a qualidade dos combustíveis estabelece um número de cetano mínimo de 51 para o gasóleo rodoviário abrangido por estas especificações. Existem ainda limites para outros parâmetros, como o teor de enxofre e a densidade.

Alguns combustíveis podem apresentar um número de cetano superior ao mínimo exigido, mas isso não significa automaticamente que o carro passe a ter mais potência.

Pode existir uma diferença na forma como ocorre a combustão em determinadas condições, mas não se deve esperar uma transformação significativa no desempenho apenas por escolher gasóleo aditivado.

O mesmo acontece com o consumo. Abastecer com uma opção mais cara não garante que o carro passe imediatamente a gastar menos.

Velocidade, trânsito, temperatura, pressão dos pneus, peso transportado, percurso e estado do próprio motor podem ter uma influência muito maior no consumo.

O gasóleo aditivado pode ajudar a manter os injetores limpos?

Esta é provavelmente uma das vantagens mais interessantes deste tipo de combustível.

Os injetores trabalham com grande precisão e são responsáveis por colocar a quantidade correta de combustível no motor. Ao longo do tempo, podem formar-se depósitos capazes de alterar o seu funcionamento.

A Worldwide Fuel Charter explica que os depósitos nos injetores podem interferir com o fluxo e a pulverização do combustível, afetando a combustão e podendo ter impacto no desempenho e nas emissões.

O mesmo documento aborda a utilização de aditivos de controlo de depósitos para ajudar a manter os sistemas de injeção limpos, algo particularmente relevante nos sistemas diesel modernos de alta pressão. É precisamente aqui que determinados gasóleos aditivados podem apresentar uma vantagem: ajudar a prevenir ou limitar a acumulação de depósitos ao longo do tempo.

Isso não significa, contudo, que sejam capazes de reparar um problema existente. Se um injetor já estiver avariado ou existir outro problema mecânico, abastecer com gasóleo aditivado não substitui uma reparação ou manutenção adequada.

O mesmo se aplica a componentes como a EGR ou o filtro de partículas. Utilizar um combustível mais caro não vai resolver automaticamente uma avaria ou um filtro de partículas que esteja a ter dificuldades em regenerar.

Da mesma forma, não há motivo para considerar o gasóleo normal prejudicial apenas por ser mais barato. Desde que cumpra as especificações indicadas para o automóvel, pode ser utilizado normalmente.

Afinal, qual compensa mais para o teu carro?

Para a maioria dos condutores, o gasóleo normal continua a ser suficiente para uma utilização diária. Cumpre as especificações necessárias e apresenta normalmente a vantagem de ser mais barato.

O gasóleo aditivado pode fazer mais sentido para quem está disposto a pagar um pouco mais pela aditivação adicional, sobretudo pelos componentes destinados a controlar depósitos e ajudar a manter limpo o sistema de injeção.

Não significa, no entanto, que seja obrigatório abastecer sempre com aditivado. Num automóvel compatível com ambos, é possível alternar entre gasóleo normal e aditivado.

Também é importante fazer as contas ao preço. Se existir uma diferença de 10 cêntimos por litro, por exemplo, num depósito de 50 litros estamos a falar de mais 5 euros por abastecimento. Ao fim de dez depósitos, a diferença chega aos 50 euros.

Por isso, se a prioridade for simplesmente reduzir o custo de cada abastecimento, o gasóleo normal será geralmente a opção mais racional. Já o aditivado pode justificar o preço extra para quem valoriza os possíveis benefícios relacionados com a limpeza e proteção do sistema de combustível.

O que não se deve esperar é uma solução milagrosa. Gasóleo aditivado não garante mais potência, uma grande redução no consumo ou ausência de futuras avarias.

Antes de ires abastecer, podes sempre comparar os preços entre postos. O Waze pode ajudar a encontrar combustível mais barato ao longo da tua rota, o que pode fazer alguma diferença no custo final.

No final, o gasóleo normal ganha sobretudo no preço e é suficiente para a maioria dos condutores. O aditivado acrescenta componentes que podem ajudar a manter o sistema de injeção limpo, mas é preciso perceber se essa vantagem justifica pagar mais por litro.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.