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Médicos alertam para crise silenciosa entre os jovens: Redes sociais “tão nocivas como o tabaco”

O uso excessivo de redes sociais pode representar para os jovens risco comparável ao tabagismo, alerta a Academia das Faculdades Reais de Medicina, Reino Unido, que pede medidas e mais atenção dos profissionais de saúde ao impacto digital na saúde mental.

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redes sociais
Imagem: Unsplash

A utilização excessiva das redes sociais pode estar a transformar-se numa das maiores ameaças à saúde pública entre os jovens. O alerta foi lançado pela Academy of Medical Royal Colleges, do Reino Unido, entidade que reúne algumas das principais instituições médicas britânicas, ao comparar os impactos das plataformas digitais aos efeitos nocivos do tabagismo.

Segundo a organização, médicos e profissionais de saúde devem começar a questionar sistematicamente crianças e adolescentes sobre o tempo passado em frente aos ecrãs e sobre a utilização das redes sociais, da mesma forma que já abordam hábitos relacionados com álcool, drogas ou tabaco.

A pedopsiquiatra Emily Sehmer, citada pela BBC e reproduzida por vários meios internacionais, afirmou que os perigos associados ao uso excessivo das redes sociais podem ser “piores” do que os do tabagismo, sobretudo devido aos efeitos psicológicos e emocionais prolongados nos mais jovens.

Médicos querem rastreio digital nas consultas

A recomendação surge numa altura em que o Governo britânico está a analisar novas restrições para menores de 16 anos no acesso às redes sociais. Desde março decorre uma consulta pública para avaliar medidas de proteção digital destinadas a crianças e adolescentes.

Entre as propostas discutidas estão limites de idade mais rigorosos, controlos parentais obrigatórios e mecanismos que reduzam a exposição prolongada a conteúdos potencialmente nocivos.

A Academia das Faculdades Reais de Medicina defende ainda a criação de orientações específicas para ajudar médicos a identificar sinais de dependência digital, isolamento social, ansiedade, perturbações do sono e outros problemas associados ao uso intensivo das plataformas online.

Cresce a pressão internacional sobre plataformas digitais

O debate em torno do impacto das redes sociais nos jovens tem ganho força em vários países. Em Portugal, o Parlamento aprovou uma proposta para limitar o acesso livre às redes sociais a menores de 16 anos, permitindo exceções apenas mediante consentimento parental para jovens a partir dos 13 anos.

Também França e Austrália avançaram recentemente com medidas mais restritivas relacionadas com o uso de plataformas digitais por menores. No caso australiano, o acesso às redes sociais por menores de 16 anos já foi proibido desde dezembro de 2025.

Paralelamente, o Reino Unido continua a reforçar políticas de saúde pública relacionadas com comportamentos aditivos, incluindo novas restrições ao tabaco e aos cigarros eletrónicos.

O impacto invisível das redes sociais

Especialistas em saúde mental têm alertado para o aumento dos casos de ansiedade, depressão, baixa autoestima e distúrbios do sono entre adolescentes altamente expostos a conteúdos digitais. A comparação com o tabaco surge precisamente pela dimensão coletiva do problema e pela forma como os efeitos podem prolongar-se durante anos.

Além do impacto emocional, cresce também a preocupação com fenómenos como cyberbullying, dependência comportamental, exposição a desinformação e algoritmos desenhados para maximizar o tempo de permanência nas plataformas.

Estudos recentes mostram ainda como as redes sociais amplificam conteúdos potencialmente nocivos e influenciam comportamentos de risco, especialmente entre os mais jovens.

“Não podemos ignorar o problema”

Para os médicos britânicos, o principal desafio está no facto de muitas famílias e instituições ainda encararem o uso excessivo das redes sociais como um hábito normal da vida moderna, sem reconhecerem os impactos reais na saúde mental.

“Não podemos saber a dimensão do problema se não perguntarmos”, afirmou Emily Sehmer, defendendo uma abordagem mais direta e preventiva por parte dos profissionais de saúde.

O alerta da comunidade médica britânica deverá intensificar a pressão internacional sobre plataformas como TikTok, Instagram e Snapchat, numa altura em que governos europeus procuram encontrar um equilíbrio entre liberdade digital e proteção dos menores.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.