
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Motorização | Tração traseira, 105 kW (143 cv), 200 Nm de binário, (0-100 km/h em 8,1 s, vel. máx. 150 km/h) |
| Bateria e carregamento | 41,2 kWh LFP; carregamento rápido DC até 100 kW (10% a 80% em 29 min) e AC até 7 kW trifásico (11 kW opcional) |
| Dimensões | 4,003 m de comprimento, 2,615 m de entre-eixos e raio de viragem de 4,7 metros |
| Capacidade de carga | Bagageira traseira de 404 litros mais porta-bagagens dianteiro (frunk) de 92 litros |
| Tecnologia e infotainment | Ecrã central Retina de 13,2 polegadas, sistema Aster com assistente LUMO, app my firefly, mapas Google Maps, Spotify e Apple CarPlay |
A marca Firefly surge como a aposta urbana do grupo NIO, criada especificamente para trazer viaturas elétricas pensadas para a mobilidade europeia. No mercado português, a oferta no site oficial reparte-se pelas versões Select, que começa nos 30 900 euros (25 121,95 euros mais IVA), e Comfort, tabelada em 32 490 euros (26 414,63 euros mais IVA). Foi esta última que testámos.
O modelo posiciona-se como um rival direto do Renault 5 E-Tech. Embora o modelo francês carregue um peso histórico e uma carga nostálgica que o tornam imediatamente icónico à vista desarmada, o Firefly responde com um design diferenciado e moderno. E, como aperitivo, supera claramente o rival francês em habitabilidade, espaço traseiro e capacidade total de arrumação.

Design, conforto e arrumação
A carroçaria destaca-se pelo curioso conjunto de três óticas redondas à frente e atrás a fazer lembrar o iPhone, acompanhado por painéis que utilizam plásticos reciclados pós-consumo. No interior reina um minimalismo bem conseguido, onde os materiais táteis transmitem boa montagem e uma atmosfera desafogada.
O formato contínuo do banco dianteiro cria uma agradável sensação de amplitude partilhada e conta com aquecimento nos bancos dianteiros e volante logo de série na versão de entrada. A variante Comfort que testámos adiciona ventilação e massagem nos assentos dianteiros, acabamentos em microfibra e um teto panorâmico em vidro de 1,17 metros quadrados.

A arrumação é um dos aspetos onde o Firefly mais brilha, principalmente se tivermos em contas as suas dimensões. A bagageira traseira oferece 404 litros úteis de volume que já surpreendem, mas o grande destaque vai para a frente: a frunk de 92 litros é simplesmente impressionante.


Faz inveja a muitos automóveis elétricos de segmentos bem superiores (que às vezes nem a têm) e permite acomodar facilmente uma mala de viagem de cabine, além de cabos de carregamento. Debaixo dos assentos e na consola central abundam compartimentos úteis para manter o habitáculo sempre organizado. Muitos pontos por esta arrumação e, podemos chamar-lhe, modularidade.
Desempenho, condução e consumos
A plataforma dedicada FT1 faz uma boa distribuição de 50:50 entre eixos e conta com suspensão traseira de cinco braços. O motor síncrono de 105 kW (143 cv) e 200 Nm no eixo traseiro impulsiona o carro com decisão, para um arranque seguro dos 0 aos 100 km/h em 8,1 segundos.
A velocidade de ponta está limitada eletronicamente a 150 km/h, um valor perfeitamente equilibrado e mais do que suficiente para o propósito quotidiano de um modelo deste formato. O raio de viragem de 4,7 metros proporciona manobras ágeis e inversões de marcha rápidas no trânsito apertado da cidade.

Em termos de eficiência energética, o Firefly surpreendeu pela sobriedade com a sua bateria de 41,2 kWh de capacidade útil. A ficha técnica anuncia médias WLTP entre 14,5 e 15,2 kWh/100 km e autonomia de 320 a 330 km, o nosso teste de 350 quilómetros (com uma carga pelo meio) fechou com uma média real de 12,3 kWh/100 km em percurso misto.
É um consumo comedido que permite ultrapassar confortavelmente os 250 km de alcance prático. Mas há que ter em conta que os nossos testes foram feitos maioritariamente em cidade e em nacional num cenário suburbano. Se fores para a autoestrada a 120 km/h, deves esperar que os consumos disparem.

Quanto ao carregamento, Nos postos rápidos, a bateria aceita potências até 100 kW em corrente contínua e precisa de 29 minutos para repor dos 10% aos 80% de energia. São números dentro do que se encontra nos rivais diretos, sem impressionar.
Tecnologia e ergonomia
O sistema operativo Aster instalado no ecrã central Retina de 13,2 polegadas tem provavelmente o design mais bem conseguido de um carro chinês que já testei. A interface passa uma agradável sensação de leveza, fluidez gráfica e um visual divertido. Transmite em pleno aquele fator "cool kid" que a marca tanto promove na sua comunicação.

A navegação de origem está integrada com a base do Google Maps e existe aplicação nativa do Spotify, tudo apoiado por um sistema de som imersivo de 14 altifalantes com Dolby Atmos que entrega uma boa acústica.
A experiência conectada estende-se ao smartphone através da aplicação oficial my firefly, que também colocámos à prova durante estes dias para Android. Também pode servir para usar o telemóvel como chave ao te aproximares. O que dá jeito, porque para abrir e fechar o carro temos de encostar o cartão-chave no espelho retrovisor do lado do condutor. Um sítio algo estranho.

A app responde aos comandos remotos. Permite consultar o estado de carga da bateria e autonomia restante em tempo real, abrir ou trancar as portas à distância, pré-aquecer ou arrefecer a climatização do habitáculo antes de entrares no carro e enviar destinos de navegação diretamente do telemóvel para o sistema multimédia da viatura.
No entanto, a componente digital acusa duas limitações que deves ter em conta. Durante o ensaio, o suporte para Android Auto ainda não estava disponível; aparentemente estará no futuro. Ou seja, o espelhamento do telemóvel está para já limitado ao Apple CarPlay.

Além disso, a opção pelo minimalismo transfere comandos básicos do dia a dia, como o controlo do ar condicionado e outros, para o interior dos menus do ecrã central, o que obriga a desviar os olhos da estrada para simples ajustes de temperatura.
Em termos de segurança ativa, o pacote de hardware com 21 sensores e 24 sistemas de assistência de série atua de forma precisa e sem falsos alarmes irritantes. Aliás, é até bastante conservador, pois avisa-te rapidamente para prestares atenção assim que tiras os olhos da estrada por momentos.

Para quem é o Firefly
- Quem procura um compacto elétrico espaçoso com facilidade de manobra e estacionamento em cidade
- Condutores que dão prioridade a arrumação generosa e valorizam um frunk onde cabe algo como um trolley de cabine
- Fãs de tecnologia que apreciam uma interface multimédia bonita, rápida e com ótimo sistema de som
- Quem procura uma alternativa com mais espaço interior e bagageira do que o Renault 5
Não é para... utilizadores de telemóveis Android que considerem indispensável a integração do Android Auto logo à partida, condutores que realizam viagens longas regulares por autoestrada e procuram autonomias reais acima de 300-350 km, quem prefere botões físicos dedicados para regular a temperatura e a climatização do habitáculo e compradores com orçamentos baixos.
Conclusão
O Firefly entra no mercado português com argumentos sólidos para desafiar os intervenientes estabelecidos no segmento B elétrico. Destaca-se de imediato pela arrumação exemplar, onde o compartimento dianteiro de 92 litros resolve de vez as limitações típicas deste tipo de viatura.
E também pelo excelente aproveitamento do habitáculo face a concorrentes como o Renault 5. A eficiência pelos 13,2 kWh/100 km registados no nosso ensaio de 300 quilómetros e o bom comportamento em cidade (ainda que pouco dinâmico) mostram que a base mecânica foi bem desenvolvida.
O ambiente tecnológico brilha pela maturidade estética do sistema operativo Aster, embora a ausência de Android Auto à data de teste e a dependência do ecrã para comandos essenciais do ar condicionado peçam melhorias.
A fasquia de preço a arrancar nos 30 900 euros coloca-o num patamar exigente para um citadino, e seria interessante no futuro uma versão apetrechada com uma bateria de maior capacidade para quem deseja viajar mais longe sem pausas de carregamento. Para quem privilegia espaço, sofisticação digital e agilidade urbana diária, o Firefly é um automóvel que merece toda a atenção se preço não for um problema.
Sabe mais no site oficial da Firefly.
