
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Motorização | 1.2 Eco-G (1199 cm3), 3 cilindros turbo, 120 cv e 197 Nm (Gasolina + GPL) |
| Transmissão e tração | Caixa automática de dupla embraiagem com 6 relações (4x2 dianteira) |
| Dimensões | 4550 mm de comprimento, 200 mm de altura ao solo e lotação de 7 lugares |
| Sistemas e ecrãs a bordo | Ecrã central de 10" com Media Nav Live, som Arkamys 3D e painel digital de 7" |
| Capacidade dos depósitos | 50 litros de gasolina + depósito dedicado de GPL com 48,8 litros úteis |
O sucesso do Dacia Jogger nas ruas e nas frotas de transporte de passageiros em cidades como Lisboa ou Porto não aconteceu por acaso. Com a (quase) extinção dos monovolumes tradicionais nas marcas generalistas e a escalada de preços nos SUV familiares, a Dacia encontrou uma avenida totalmente desimpedida.
O Jogger arranca nuns acessíveis 18 500 euros na versão base de cinco lugares, mas começa apenas nos 19 400 euros na versão de sete lugares no nível Essential e fixa-se nos 27 806,99 euros na unidade topo de gama que conduzi. Trata-se da versão Journey equipada com o motor Eco-G 120 e transmissão automática.

O Jogger posiciona-se como uma espécie de canivete suíço sobre rodas. É um misto de carrinha e crossover com 4,55 metros de comprimento que resolve a vida de famílias inteiras sem hipotecar o orçamento doméstico. O aspeto não agrada a todos. Mas aqui a função é rainha.
Design e habitabilidade
A estética exterior foi modernizada com a nova assinatura luminosa LED em forma de T invertido, grelha com apontamentos pixelizados e farolins verticais que sobem pelos pilares traseiros ao estilo de uma carrinha sueca.

As proteções em material Starkle (composto que integra 20% de plástico reciclado) nas cavas das rodas e as barras de tejadilho modulares conferem-lhe uma robustez prática e descomprometida. Já há imenso espaço na bagageira com 5 lugares. Mas essa zona superior abre ainda mais possibilidades.
No habitáculo, o design foca-se naquilo que verdadeiramente importa, sem luxos. Esta versão Journey traz apontamentos estéticos em tecido denim azul no tablier e nas portas dianteiras, que dão um ambiente mais acolhedor e afastam a sensação de algo básico das primeiras gerações.

A segunda fila de assentos tem bastante espaço para joelhos e cabeça, mas é na terceira fila que o modelo volta a surpreender. Ao contrário do que acontece em muitos SUV compactos onde os dois últimos bancos são meros bancos de recurso para emergências ou crianças, no Jogger a última fila surpreende pelo espaço desafogado para pernas e cabeça.
Na verdade, durante os meus testes, permitiu que dois adultos viajassem com dignidade. O reverso da medalha nesta terceira fila faz-se sentir em dois pontos práticos. O primeiro é a colocação dos cintos de segurança, que se revela uma autêntica confusão de fitas e fechos que se cruzam na traseira e exigem paciência até apanhares o jeito.
O segundo é a bagageira, como acontece na maioria dos veículos deste género. Com a lotação esgotada aos sete lugares, o volume de carga traseira quase não existe. Sobra apenas um vão estreito onde cabem algumas mochilas ou sacos de roupa. Um carrinho de bebé não terá lugar nesta configuração.
No entanto, se retirares ou rebateres os dois assentos do fundo, o cenário muda de figura. Ficas com mais de 500 litros de mala até à chapeleira (que podes tirar) e uns brutais 1819 litros de volume total caso rebata a segunda fila. Forma uma área de arrumação gigantesca e plana apoiada pelos práticos ganchos do ecossistema de fixação YouClip.
Condução e comportamento dinâmico
A grande novidade desta versão é a combinação do motor 1.2 turbo de 3 cilindros Eco-G com 120 cavalos e 197 Nm de binário com a caixa automática de seis velocidades. Esta transmissão de dupla embraiagem está longe de ser das mais expeditas. Mas cumpre, principalmente em cenário urbano. Quando se torna molengona, há patilhas de apoio no volante.
Perto de metade do ensaio foi cumprido num trajeto de ida e volta com 450 km em autoestrada com os 7 lugares completamente ocupados por passageiros. Nessas condições de esforço e peso máximo, o motor aguentou-se bastante bem nos 120 km/h estabilizados.

As recuperações e ultrapassagens em subidas mais íngremes exijem carregar mais no acelerador e ter alguma paciência, mas fiquei surpreendido. Potência não é problema. A suspensão digere com eficácia as imperfeições da estrada e os 200 mm de altura ao solo dão à-vontade fora de estrada.
Mas é claro, o Jogger está longe de impressionar pelo seu dinamismo em estrada. Além disso, o isolamento acústico deixa passar algum ruído aerodinâmico e de rolamento a velocidades mais elevadas, que acaba por se sentir mais em viagens longas. Mas isso não arruína a convivência a bordo.

Tecnologia e conectividade
O painel de instrumentos digital a cores de 7 polegadas apresenta grafismos simples, diretos e sem floreados visuais desnecessários. Exibe com total clareza a autonomia individual para cada um dos dois combustíveis e os respetivos consumos.
Ao centro, o renovado sistema multimédia Media Nav Live assenta num ecrã tátil de 10 polegadas montado no topo do tablier, que tem navegação conectada com informação de trânsito em tempo real e atualizações integradas. Nesta versão, há compatibilidade sem fios com Apple CarPlay e Android Auto.

A integração tecnológica é complementada por uma base de carregamento do smartphone por indução na consola dianteira, quatro portas USB-C e um sistema de áudio 3D Arkamys com 6 altifalantes que, longe de ser incrível, cumpre bem a sua função com podcasts e música em viagem.
Ao nível das ajudas à condução, a unidade inclui câmara de estacionamento multiview, aviso de ângulo morto e travagem autónoma de emergência. Mas deves ter em conta que estas funções só estão disponíveis como equipamento opcional.

O que está em todas as versões é o maior detalhe prático de ergonomia num Dacia ou Renault. É o botão físico My Safety no lateral do volante, que permite com um duplo clique desligar de imediato os alertas sonoros invasivos de manutenção na faixa e excesso de velocidade que a regulamentação europeia obriga a ligar em cada arranque.
Consumos e autonomia bi-fuel
Ao volante do Jogger realizei um teste alargado de cerca de 830 quilómetros, sendo que cerca de metade foram cumpridos com lotação esgotada e o restante percurso maioritariamente em autoestrada a ritmos entre os 110 e 130 km/h.
- Cerca de 500 km percorridos a GPL: registou uma média final de 8,5 litros aos 100 km (depósito completo);
- Cerca de 330 km percorridos a gasolina: assinalou um consumo médio no computador de bordo de 6,9 litros aos 100 km

Se considerarmos que rodou quase metade dos quilómetros com 7 passageiros, os consumos são aceitáveis. A grande vantagem está na fatura do posto de combustível: atestar o depósito de GPL de 48,8 litros a preços em torno de 1 € por litro garante um custo por quilómetro muito interessante.
Se somarmos o depósito de 50 litros de gasolina ao depósito de gás, este Jogger consegue autonomias reais combinadas na ordem dos 1100 a 1300 quilómetros. Depende do pé, dos trajetos e da carga.
Para quem é o Dacia Jogger
- Famílias com três ou mais filhos que necessitam de transportar regularmente sete pessoas sem gastar uma fortuna;
- Quem procura o custo por quilómetro mais baixo possível num carro a combustão com o GPL;
- Pessoas que precisam de uma bagageira de grandes dimensões para equipamentos de desporto ou compras volumosas em modo de cinco lugares;
- Condutores que fazem viagens longas pelo país e valorizam autonomias combinadas acima dos 1000 quilómetros;
- Profissionais e condutores de frotas que querem transmissão automática e mecânica simples para o dia a dia.
Não é para... condutores que exigem acabamentos interiores refinados com materiais almofadados e requinte premium, quem procura desempenhos desportivos, acelerações contundentes e recuperações rápidas em autoestrada com peso a bordo, quem valoriza insonorização irrepreensível e habitáculos silenciosos a velocidades elevadas ou quem valoriza dinâmica de condução.

Conclusão
O Dacia Jogger de 7 lugares na versão Journey Eco-G 120 automática desmistifica qualquer preconceito associado ao universo de trabalho dos TVDE. Pode de facto ser uma das compras mais racionais para uma família numerosa que quer fugir aos SUVs.
Submetido a um teste de fogo de 450 km em autoestrada com as sete vagas totalmente preenchidas, provou que a sua terceira fila fornece espaço real para acomodar passageiros com surpresa e conforto. E claro, as limitações são honestas e transparentes desde o primeiro minuto.
Os plásticos duros dominam a cabine, o ruído aerodinâmico faz-se notar em ritmos intensos de autoestrada, colocar os cintos na retaguarda exige ginástica e a bagageira fica virtualmente curta quando os sete bancos estão erguidos. E claro, dinamismo na condução não é com o Jogger.
Num tempo em que qualquer automóvel de dimensões familiares ultrapassa os 35 ou 40 mil euros, levar para a garagem um veículo com estas dimensões, novo por menos de 20 mil euros e por 27 806 euros na sua configuração mais apetrechada, capaz de fazer médias reais de 8,6 litros a GPL e passar os 1000 quilómetros de autonomia sem parar, faz do Jogger uma opção apetecivelmente inesperada.
Sabe mais no site oficial da Dacia.