
|
Especificação |
Detalhe |
|---|---|
|
Motor e potência |
Eco-G de 1199 cm3 com 120 cavalos |
|
Combustível |
Gasolina (50 litros) + GPL (50 litros) |
|
Transmissão |
Tração 4x2 com caixa automática de 6 relações |
|
Bagageira |
594 litros de volume mínimo |
|
Preço base (Eco-G Essential) |
19 900 euros |
Quando avaliámos a evolução da marca no nosso ensaio ao Dacia Sandero Stepway 2026, ficou evidente que a fabricante romena subiu a fasquia da qualidade sem destruir a sua identidade acessível. Com o novo Duster, a narrativa repete-se numa escala superior. Além das vocações citadinas e familiares, a marca continua a disponibilizar uma procurada versão 4x4 no seu alinhamento.
O objetivo é dar resposta a quem precisa de colocar o SUV no meio da lama e dos maus caminhos. Foi esse modelo que fui testar há uns meses a França. O acesso à gama do Duster arranca nuns apelativos 19 900 euros para a versão Eco-G Essential.

Para este teste em concreto, tivemos em mãos a versão Dacia Duster extreme Eco-G 120 auto com tração ao eixo dianteiro. A introdução da caixa automática faz o preço base subir para os 25 050 euros. No entanto, a unidade que testei estava carregada de opcionais, e atinge um valor final de 27 857 euros.
Sendo totalmente honesto contigo, na hora de passar o cheque, o meu conselho é que deixes alguns luxos de fora. Eu prescindiria facilmente do Pack Heat, que adiciona o sistema de aquecimento dos bancos dianteiros e o volante aquecido.

Se abdicarmos destes mimos e até da própria caixa automática, o ponto de equilíbrio perfeito desta versão Eco-G fixa-se tranquilamente abaixo dos 24 mil euros. Com esta configuração, atrevo-me a dizer que este é o melhor automóvel preço-qualidade do mercado para quem quer um SUV e não está disposto a fazer a transição para os veículos elétricos.
A experiência com o Dacia Duster no dia a dia
A convivência diária com este modelo resume-se bem numa palavra: pragmatismo. A bagageira disponibiliza uns massivos 594 litros de capacidade, que já é um espaço considerável para quem tem filhos e leva a casa atrás nas férias. O único detalhe que me deixou com pena foi a falta de uma bagageira de abertura elétrica. Tal como acontece no novo Bigster, seria um pormenor de conveniência que daria imenso valor prático ao conjunto.

No interior, o design atual e robusto não esconde as suas origens. Como é óbvio e perfeitamente compreensível nesta faixa de preço tão contida, os plásticos duros dominam a totalidade do habitáculo. Temos um sistema de infoentretenimento próprio, com integração rápida e fluida de Android Auto e Apple CarPlay sem fios. Nesta versão temos duas portas USB-C à frente e duas atrás e ainda carregamento de smartphone por indução.
Os bancos também se revelaram um pouco mais firmes do que eu desejaria, mas o suporte anatómico compensa essa rigidez inicial. Mesmo depois de realizar duas viagens longas, não notei qualquer desconforto físico. Importa ainda alertar para a Câmara Multiview do Pack Parking: oferece diversas perspetivas usáveis para estacionamento, mas a qualidade de imagem podia ser melhor.


Onde o Duster destrói qualquer tipo de crítica é na hora de somar quilómetros. A Dacia instalou dois tanques de combustível independentes com 50 litros de capacidade cada para gasolina e GPL. A marca atreve-se a prometer mais de 1400 quilómetros de autonomia máxima e a verdade é que os resultados reais são impressionantes.
Fiz mais de 1100 quilómetros ao volante e os dados do painel falam por si. O computador de bordo registou 1106,3 quilómetros percorridos, com muitos trajetos de autoestrada (A1 e A24, por exemplo) a castigar as médias. Consegui percorrer 635,8 quilómetros suportados pela gasolina e 470,5 quilómetros movidos a GPL.

O painel indicou um consumo a gasolina de 5,8 litros, enquanto a média a gás ficou-se pelos 7,5 litros aos 100. O detalhe que encerra a as conclusões deste teste é que no final da viagem ainda restavam 120 quilómetros de autonomia no tanque de gasolina e o depósito de GPL tinha entrado na reserva há poucos quilómetros. Por isso, seria de esperar que facilmente se ultrapassem os 1200 km.
Para quem é o Dacia Duster Eco-G 2026
- Famílias que procuram um espaço generoso na bagageira de 594 litros para as viagens de férias e rotinas diárias;
- Condutores focados na poupança e que valorizam a tranquilidade de ter mais de 1000 quilómetros de autonomia real sem paragens;
- Compradores racionais que exigem a melhor relação preço qualidade do mercado antes de darem o salto para a mobilidade elétrica;
- Aventureiros que precisam de sair do alcatrão, podendo tirar partido da disponibilidade de uma versão com tração 4x4 no catálogo.
Não é para... fãs de interiores luxuosos que não toleram a presença de plásticos duros no habitáculo e bancos um pouco mais firmes, utilizadores que exigem tecnologia de ponta, já que a fraca resolução das câmaras do Pack Parking e a ausência de bagageira elétrica podem não agradar.

Conclusão
O Dacia Duster Eco-G não tenta ser um automóvel de luxo nem promete acabamentos de classe premium, e é exatamente aí que reside a sua força. A vantagem deste SUV passa pela honestidade com que ataca o mercado, com muito espaço, um design robusto e uma economia de utilização graças ao sistema de GPL suportado por dois depósitos de 50 litros.
A versão ensaiada, ao roçar os 28 mil euros, acaba por desvirtuar ligeiramente a essência acessível do modelo devido ao excesso de opcionais. Contudo, se fores perspicaz na configuração, abdicares da caixa automática e de luxos totalmente dispensáveis, consegues levar para casa o veículo mais pragmático da atualidade por menos de 24 mil euros. Este é o rei da qualidade-preço automóvel para as famílias em Portugal, se ainda não queres avançar para um elétrico ou híbrido.
Sabe mais sobre este Duster no site oficial da Dacia.