Xiaomi prepara câmara revolucionária a chegar aos seus smartphones

Rui Bacelar
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A mais recente patente submetida pela Xiaomi mostra-nos uma implementação única, de aplicação dual, para o sistema de câmaras fotográficas embutidas no ecrã, ou sob o mesmo. É a mais recente criação da fabricante chinesa que já nos habituou a boas surpresas.

De modo sucinto, uma das câmaras traseiras (sensor de imagem), rodaria em 180 graus sempre que necessário para captar uma fotografia (selfie) ou gravar vídeo, funcionando assim como câmara frontal. É um conceito inédito no mundo dos smartphones.

A Xiaomi mostra-nos uma solução inédita para as câmaras dos smartphones

Xiaomi câmara smartphones
Esquemática representando a atuação do sistema patenteado pela Xiaomi

A patente foi submetida pela Xiaomi em 2020, sendo agora aceite e acautelada pela WIPO, noticiada primeiramente pela publicação LetsGoDigital. Foi também pelo seu punho que nos chegaram estas representações digitais da patentes (renders).

A publicação sugere que a Xiaomi trabalha nesta implementação com o intuito de tornar possível a ocultação da câmara frontal. O objetivo, sabemos há bons anos, não é novo, mas continua a iludir os limites do que a engenharia é capaz de fazer atualmente.

Não obstante, há na Xiaomi a missão de desafiar os padrões do possível e impossível. Para tal, continuaríamos a ter uma câmara fotográfica frontal a marcar discretamente presença no canto superior direito de um smartphone da fabricante.

O sistema utilizaria um motor elétrico, ou ímanes para fazer "rodar" o módulo fotográfico da traseira em 180 graus. Isto colocaria o sensor de imagem voltado para o ecrã, atuando aqui como câmara fotográfica oculta sob o ecrã do dispositivo móvel.

O conceito arrojado foi proposto pela Xiaomi em 2020

Xiaomi

Sintetizando. Uma câmara interna, rotativa, que poder servir como câmara traseira e frontal sem interromper o ecrã. Isto libertaria o mesmo de notches ou perfurações, assim que estiverem resolvidos entraves à implementação de um sensor de imagem sob o ecrã.

O segundo desafio consiste na rotação interna do sensor de imagem, algo que a marca acredita ser possível com recurso a um sistema de ímanes ou motor elétrico. Já o primeiro problema, implementação do sensor sob o ecrã, apresenta mais desafios.

Ainda assim, a ZTE já demonstrou ser possível tornar uma porção do ecrã (emissor de luz) permeável à luz a captar pelo sensor. É uma implementação difícil, com o protótipo da ZTE a tornar óbvios os desafios à manutenção da qualidade de imagem.

Uma das câmaras traseiras rodaria 180 graus

Independentemente das dificuldades a Xiaomi estará a trabalhar neste sistema. Para tal, estará trabalhar em hardware próprio que permita realizar esta visão de futuro com possível aplicação nos seus smartphones. Para já, tudo o que temos é esta patente.

Importa sublinhar que não há indicações sobre qual das câmaras traseiras duplicaria funções como câmara frontal. Tanto poderia ser a câmara com objetiva ultra-grande angular, como a câmara convencional com objetiva grande angular. Para já não há certezas.

Note-se ainda que não temos indícios de um protótipo funcional com tal implementação. Dito isto, não sabemos se a Xiaomi cogita efetivamente aplicar este sistema num smartphone a ser apresentado em 2021, ou se é cedo demais para tal.

De qualquer modo, a fabricante surpreendeu-nos recentemente com a objetiva maleável do Mi MIX Fold que pode assumir diferentes distâncias focais. Portanto, uma implementação como a que é aqui descrita não é de todo impossível, mesmo que possa tardar.

Será este um desafio inultrapassável pela engenharia? Poderá a Xiaomi ser a primeira a tornar viável a câmara frontal sob o ecrã?

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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