
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Potência máxima | 428 cv (315 kW) |
| Aceleração 0-100 km/h | 3,6 segundos |
| Autonomia (WLTP combinado) | Até 449 km |
| Bateria | 69 kWh, NMC |
| Tempo de carregamento em DC | 10-80% em 27 minutos |
O mercado dos SUVs elétricos compactos é dos segmentos mais competitivos do mundo automóvel. As marcas lutam para encontrar o equilíbrio entre autonomia, preço, tecnologia e habitabilidade como vimos num teste recente ao Kia EV3. É aqui que entra o Volvo EX30, o modelo que representa a menor pegada de carbono de sempre da construtora sueca e uma mudança clara de paradigma.
Foi construído a pensar no condutor urbano e jovem (ou de espírito jovem). Posiciona-se no limiar entre a agilidade para andar no trânsito da cidade e a capacidade de fazer viagens mais longas com à-vontade sem preocupação de autonomia.

Na sua versão base, começa nos 38 632 € em Portugal. A versão em teste, a Black Edition Plus P8 AWD (com preço a rondar os 52 962 €), sobe a fasquia de preço qualidade ao juntar tração integral e números quase de supercarro num formato de apenas 4,23 metros.
Conforto e potência num formato compacto
Sentar ao volante do EX30 é ser acolhido por um ambiente abertamente minimalista. O interior Indigo, combinado com os acabamentos Denim e a iluminação ambiente, transmite a sensação de um lounge nórdico moderno. Contudo, ao arrancar, percebe-se imediatamente a dualidade deste carro.

Tem 428 cv de potência e 543 Nm de binário instantâneo. Por isso, a resposta do acelerador é fulgurante. Os 3,6 segundos dos 0 aos 100 km/h sentem-se no corpo, e a tração integral (AWD) cola o carro ao asfalto de forma irrepreensível, mesmo em saídas de curva mais entusiasmadas.
O denominado Chassis Comfort faz um bom trabalho a filtrar as irregularidades e as jantes de 20" impõem uma firmeza saudável em piso degradado. Apesar das dimensões mais compactas aliadas à potência, a sensação de segurança sente-se bastante a bordo. Ou não fosse esse um traço de referência da marca.

Consumos não são os mais baixos, mas bateria dará para as viagens
No que toca aos consumos, a Volvo homologa 17,6 kWh/100 km. No nosso teste combinado, registámos uma média de 17,9 kWh/100 km, um valor aceitável para um automóvel com este nível de performance. Mas não é o mais económico para as voltinhas na cidade.
Em ambiente estritamente urbano, será fácil baixar substancialmente estes valores A marca promete uma autonomia combinada de até 449 km. Mas diria que poderás contar com uns 300 km se o trajeto for maioritariamente em viagem e autoestrada.

O carregamento rápido em DC a 150 kW permite passar dos 10% aos 80% em cerca de 27 minutos. Para o preço já se pedia um pouco mais, até tendo em conta que a Volvo já é uma das marcas de referência neste campo em modelos mais recentes como o aguardado EX60.
Google nativo, poucos botões e sem painel de instrumentos digital
A vida a bordo é dominada pelo ecrã central vertical de 12,3 polegadas disposto na vertical. O sistema operativo Google Automotive é fluido, rápido e intuitivo. Ter o Google Maps nativo a gerir os pontos de carga e as rotas faz com que o smartphone seja um passageiro. Aqui, a Volvo terá sempre o nosso apoio.

A inclusão do sistema Premium Sound da Harman Kardon faz com que a experiência auditiva no habitáculo seja de grande nível. Não ao nível da que experienciámos nos modelos mais caros com os sistemas Bowers & Wilkins, mas esses são provavelmente os melhores da indústria.
A nota menos positiva vai para as decisões de ergonomia interior. A ausência de um ecrã no painel instrumentos atrás do volante (como muito elogiei nos irmãos maiores EX90 ou ES90) obriga a desviar o olhar para a parte superior do ecrã central para ver a velocidade ou consumos.

Nesses modelos até a navegação conseguíamos ter no painel de instrumentos. Até seria perdoável neste ponto se a Volvo tivesse aqui colocado, por exemplo, um head-up display. Mas com um ecrã tão bom à frente do volante nos outros modelos, aqui a experiência sabe a pouco.
Além disso, a transferência dos controlos de abertura dos vidros para a consola central e o ajuste dos espelhos via menus touch exigem uma curva de aprendizagem que tens de ter em conta. Além disso, os controlos de ar condicionado estão totalmente reservados ao painel frontal.

Para quem é o Volvo EX30
- Entusiastas da tecnologia que valorizam a integração nativa com o ecossistema Google com aplicações como Waze, Google Maps ou Spotify diretamente no sistema do carro;
- Condutores urbanos que procuram performance. É um SUV fácil de estacionar em cidade (11 m de diâmetro de viragem) mas com aceleração digna de desportivo;
- Pessoas que apreciam a estética nórdica e materiais reciclados de qualidade.
Não é para... famílias numerosas com filhos adolescentes, pois o espaço no banco traseiro e a bagageira de 400 litros podem ficar curtos para grandes viagens em família com muita bagagem. Também não o ideal para condutores tradicionais que ainda não prescindem de botões físicos para o ar condicionado, comandos nas portas e de um painel de instrumentos clássico à frente dos olhos.

Conclusão
O Volvo EX30 P8 AWD é uma proposta arrojada e extremamente competente. Consegue reunir os traços históricos pelos quais a Volvo é reconhecida, como segurança passiva e ativa de grande nível, auxílios de condução de ponta (como o Pilot Assist ou o Cross Traffic Alert) e um conforto inquestionável. Tudo isto num pacote moderno, ágil e incrivelmente rápido.
Poderia ser ainda melhor com um ecrã de instrumentos minimalista atrás do volante e botões de vidros nas portas? Sem dúvida. No entanto, a bateria para fazer algumas viagens maiores, a excelência do sistema de infoentretenimento e a performance oferecida (ainda que com um preço acima dos 50 mil euros nesta versão) fazem do EX30 um dos elétricos mais desejáveis do seu segmento.
Sabe mais sobre o Volvo EX30 no site oficial oficial da Volvo.