
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Motorização e tração | Motor duplo com tração integral permanente (AWD) |
| Aceleração e autonomia | 0 a 100 km/h em 4,8 segundos e até 622 km de alcance (WLTP) |
| Dimensões e peso | 4790 mm de comprimento, 1997 kg de tara, até 2138 l de carga total |
| Ecrãs | Ecrã tátil central de 16 polegadas à frente e ecrã de 8 polegadas atrás |
| Carregamento rápido | Pico de 250 kW em Supercharger (recupera até 267 km em 15 minutos) |
A opinião sobre o Model Y já a dei por aqui quando testei a versão Premium de tração traseira no final do ano passado e depois na versão Performance e Standard. No entanto, a chegada da configuração com sete lugares homologados altera por completo o tabuleiro de jogo para quem tem uma família grande.
Em Portugal, a marca norte-americana disponibiliza esta opção associada à versão Premium de tração integral e fixa o preço chave na mão nos 57 475 euros, valor que já contempla IVA, despesas de documentação e taxas de transporte no simulador oficial.

Ao contrário da versão de seis lugares, mais longa, que já anda em testes na Europa, este modelo mantém os 4790 milímetros de comprimento do Model Y convencional. Por isso, tenta retirar o máximo proveito do espaço interior sem alterar o tamanho por fora. Testei-o durante 2 semanas para te contar o que achei.
Design e habitabilidade
A estética exterior preserva a conhecida silhueta, com 1624 mm de altura e uma distância ao solo de 167 mm. É no habitáculo que a dinâmica se transforma. A passagem para os bancos da terceira fila é relativamente simples graças ao mecanismo que desliza os assentos centrais.

Contudo, a física impõe as suas regras. Para que a última fila seja verdadeiramente funcional, precisas obrigatoriamente de empurrar os bancos da segunda fila alguns centímetros para a frente sobre as suas calhas. Só assim há real espaço para pernas na última fila.

Pelo que pude experimentar, para se viajar com conforto, a última fila foi feita à medida de crianças ou jovens em idade escolar. Um adulto de estatura média até consegue sentar-se lá atrás para desenrascar uma deslocação curta num jantar de família ou numa ida à praia, mas numa viagem longa de autoestrada não vai viajar com grande conforto.
Além disso, com os dois bancos traseiros erguidos, a capacidade da mala principal fica reduzida ao mínimo. O que em viagens longas também pode limitar. Quando rebate esses assentos e volta ao modo tradicional de cinco lugares, a volumetria volta a ser estrondosa. Entre o alçapão inferior, o piso plano e a frunk, é notável a quantidade de tralha, malas ou carrinhos de bebé que consegues arrumar sem esforço.
Condução e dinâmica
A presença do motor duplo com tração integral traz um acréscimo nítido de vigor e confiança ao volante. Acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,8 segundos num automóvel com duas toneladas de tara faz-se com uma facilidade desconcertante. É o sweet spot entre um Standard e um Performance, a meu ver.
Permite ultrapassagens seguras mesmo com o habitáculo completamente ocupado. O carro curva assentado, a tração às quatro rodas transmite uma boa sensação de segurança em piso molhado ou estradas mais sinuosas e a travagem regenerativa com condução a um pedal está muito calibrada. Usar os travões acaba por ser raro. Principalmente em cidade.

O conforto de suspensão e a insonorização a bordo são pontos extremamente fortes e inerentes a quase todos os Tesla. Em ritmos de autoestrada, o ruído aerodinâmico e de rolamento foi substancialmente mitigado face às primeiras gerações produzidas pela marca. Viajamos horas seguidas em absoluto silêncio.
Quanto à ausência de manete física tradicional para as marchas que têm de ter trocadas no ecrã tátil ou de forma automática, depois de testar vários modelos da marca, este mecanismo torna-se num hábito natural e já não o encaro como um defeito ergonómico. Mas cada condutor terá a sua opinião neste ponto.

Tecnologia e multimédia
O ambiente a bordo é dominado pela filosofia minimalista que divide opiniões, mas que pessoalmente considero um ponto muito positivo pela limpeza visual e ausência de ruídos parasitas de botões dispersos. Mesmo para fazer limpeza ao veículo tudo se torna mais prático assim. Mas é normal que, fase ao que nos habituámos na indústria, se possa acusar o interior de ser "despido".
O ecrã central tátil de 16 polegadas concentra todas as informações com uma fluidez que a meu ver é uma referência na indústria e que concentra a maioria dos controlos, incluindo o ar condicionado. É complementado por um pequeno ecrã tátil de 8 polegadas na consola traseira que permite aos passageiros gerir a climatização e aplicações de entretenimento em andamento.

No entanto, há aspetos que continuam a merecer críticas, ainda que possam soar repetitivas. O sistema automático dos limpa para-brisas continua a ser pouco fiável. Como usa as câmaras em vez de sensores, nem sempre deteta a chuva com a precisão exigida ou aciona as escovas a seco sem qualquer motivo. É raro, mas acontece.
A recusa da Tesla em disponibilizar espelhamento com Android Auto e Apple CarPlay, bem como a inexistência de uma aplicação nativa do Waze, continuam a fazer falta para quem não dispensa avisos comunitários de acidentes e radares fixos. O sistema é tão bom que eu dispensava o espelhamento do smartphone. Mas o Waze dá mesmo jeito.

Em contrapartida, o sistema de navegação proprietário da Tesla, suportado na base de dados da Google, é bastante fiável. O cálculo de rotas é impecável, o pré-condicionamento térmico da bateria ativa-se automaticamente quando selecionas um Supercharger e a estimativa da percentagem de bateria com que vais chegar ao destino é bastante precisa. Retira qualquer tipo de ansiedade de autonomia.
Consumos e autonomia
Por falar em autonomia, a norma oficial WLTP homologa uma autonomia mista de 600 quilómetros e um consumo anunciado de 15,6 kWh aos 100 km. Durante o meu período de testes, percorri 1820 quilómetros maioritariamente em autoestrada.

Com ar condicionado em permanência e a mala traseira e a frunk totalmente carregadas de bagagens em cenário de férias familiares na maioria dos percursos com 5 passageiros. Fiz muito poucos quilómetros com os sete lugares em utilização, mas viajar a 120-125 km/h com carga completa resultou numa média final de 17,7 kWh aos 100 km.
Para um SUV elétrico deste porte e com tração às quatro rodas, considero esta média bem interessante. Em viagens maiores, o acesso mais acessível aos Superchargers com potências até 250 kW permite recuperar cerca de metade da capacidade útil em cerca de 15 minutos, o tempo suficiente para esticar as pernas e tomar um café enquanto o carro ganha margem para mais uns bons quilómetros.

Para quem é o Tesla Model Y de 7 lugares
- Famílias com três ou quatro crianças que precisam de transportar amigos, primos ou avós sem ter dois carros;
- Utilizadores que fazem viagens longas de férias e precisam de um volume de carga em modo de cinco lugares;
- Condutores que querem tração integral potente para lidar com condições climatéricas adversas com máxima segurança e ter mais potência;
- Quem valoriza consumos elétricos reduzidos em autoestrada e quer a facilidade de carregar por um preço mais baixo em Superchargers;
- Utilizadores adeptos de ambientes interiores despojados, minimalistas e totalmente digitais.
Não é para... famílias que pretendem transportar regularmente sete adultos em viagens de média ou longa duração, quem precisa de levar sete passageiros e manter espaço desafogado para malas grandes na traseira, condutores que não dispensam o ecossistema e navegação do Android Auto, Apple CarPlay ou Waze ou quem prefere comandos físicos e botões dedicados no painel para todas as funções básicas.

Conclusão
O Tesla Model Y de tração integral com opção de sete lugares não inventa a roda na gama da fabricante americana, mas traz mais uma proposta comercial prática que responde a necessidades reais de quem tem uma família numerosa.
A marca conseguiu criar uma plataforma que desenrasca com sucesso o transporte de crianças e boleias de emergência ao manter as dimensões exteriores da carroçaria de cinco lugares, sem empurrar o condutor para furgões pesados ou orçamentos proibitivos.

É evidente que existem cedências funcionais incontornáveis. Os dois bancos do fundo não foram pensados para viagens de adultos e a capacidade da bagageira diminui bastante quando os sete passageiros estão sentados.
O limpa para-brisas automático continua a ter falhas e a ausência do CarPlay e Android Auto continuam a figurar como algo que a marca tende a adiar. Se colocarmos na balança a tração integral, o conforto e segurança a bordo, uma média de 17,7 kWh em autoestrada bem carregado e uma mala inacreditável no dia a dia com cinco lugares, percebe-se a força desta proposta para a rotina familiar.
Podes saber mais no site oficial da Tesla.