Um dos maiores inimigos da autonomia dos carros elétricos não é a velocidade nem o peso. É o ar condicionado. Em dias quentes, o sistema de climatização pode consumir até 18% da autonomia disponível, uma quebra significativa que afeta diretamente o alcance real do veículo.
A Tesla acaba de patentear uma solução que pode reduzir esse impacto de forma inteligente e sem qualquer alteração à bateria ou ao motor, revela o Inside EVS.
Como funciona?
De acordo com o documento, em cima da mesa está a instalação de uma unidade de sucção integrada no sistema de HVAC do veículo.
Esta unidade cria pressão negativa, ou seja, um efeito de vácuo, que pode ser aplicada a ventiladores específicos posicionados junto às zonas do habitáculo onde se acumulam bolsas de ar quente.
Em suma, em vez de arrefecer todo o interior, o sistema consegue identificar as zonas mais quentes. A partir daí aspira esse ar quente, condiciona-o no sistema central de climatização e redistribui-o de forma mais equilibrada pelo interior do veículo.
Um exemplo prático é o teto de vidro. O sol a incidir diretamente sobre o tejadilho panorâmico cria uma zona de calor intensa mesmo que o resto do habitáculo esteja razoavelmente fresco. O novo sistema atuaria precisamente nessas zonas, em vez de desperdiçar energia a arrefecer áreas que já estão confortáveis.
Quanto pode poupar em termos de energia?
Os dados incluídos na patente são concretos. O sistema pode reduzir o consumo de energia do ar condicionado em até 7,4%, o que equivale a uma poupança de cerca de 127 watts num dia com 40 graus. Na prática, o pico de consumo do HVAC baixa de 1.720 watts para 1.593 watts.
O sistema é também suficientemente inteligente para se ativar apenas quando e onde é necessário, através de sensores de temperatura distribuídos pelo habitáculo que detetam as zonas que precisam de intervenção.
O que torna esta patente particularmente interessante é a abordagem. Aumentar a autonomia de um carro elétrico implica normalmente baterias maiores, aerodinâmica mais apurada ou motores mais eficientes.
No entanto, este sistema propõe ganhar alcance real simplesmente tornando o ar condicionado mais inteligente. Ainda assim, uma patente não garante que a tecnologia chegue a um carro de produção.
