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Stellantis traz a Dodge de volta ao mercado europeu

Durante anos, a Dodge foi uma raridade nas estradas europeias. Agora, ‘à boleia’ da Stellantis, a marca americana prepara o regresso oficial à Europa e traz consigo o modelo mais emblemático da sua história: o Charger.

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Dodge
2026 Dodge Charger Daytona Scat Pack. Imagem: Stellantis

Há marcas que nunca desapareceram verdadeiramente da memória dos entusiastas. A Dodge é uma delas.

Durante anos, os modelos da fabricante americana foram vistos na Europa quase como peças de coleção, chegando sobretudo através de importações paralelas e de um nicho muito específico de apaixonados por automóveis americanos. Agora, a Stellantis quer mudar esse cenário e acaba de confirmar o regresso oficial da Dodge ao mercado europeu.

A aposta começa com aquele que é provavelmente o nome mais emblemático da marca: o Charger.

A novidade tem um detalhe que mostra bem a mudança de tempos que vive a indústria automóvel. Pela primeira vez, o histórico muscle car americano chega à Europa com duas propostas completamente distintas. Uma totalmente elétrica e outra equipada com motor a combustão.

As encomendas já abriram em vários mercados europeus e as primeiras entregas estão previstas para setembro.

A versão que mais atenção tem despertado é o Dodge Charger Daytona, apresentado pela marca como o primeiro muscle car elétrico da sua história. No topo da gama surge a variante Scat Pack, com 670 cv e tração integral, capaz de acelerar dos 0 aos 96 km/h em apenas 3,3 segundos.

Mas a Dodge sabe que uma parte significativa dos seus fãs ainda não está preparada para abandonar os motores de combustão. Por isso, a gama europeia inclui também as versões SIXPACK, equipadas com o novo motor Hurricane de seis cilindros biturbo.

A decisão acaba por ser uma espécie de compromisso entre tradição e futuro. Em vez de obrigar os clientes a escolherem apenas a eletrificação, a marca oferece ambas as soluções.

Regresso de uma marca ausente há mais de uma década

Mais do que o lançamento de um novo automóvel, esta operação representa o regresso formal da Dodge à Europa após vários anos praticamente afastada do mercado.

A ofensiva surge numa altura em que a Stellantis procura reforçar algumas das suas marcas mais icónicas e explorar nichos onde ainda existe procura por automóveis de forte caráter emocional.

O Charger chega à Europa no ano em que celebra 60 anos de história, mantendo a imagem musculada que o tornou famoso nos Estados Unidos, embora adaptado às exigências atuais da indústria.

O modelo será comercializado em versões de duas e quatro portas, assente na plataforma STLA Large, desenvolvida para receber tanto motorizações elétricas como motores de combustão.

Uma aposta de nicho, mas com ambição

A grande incógnita está agora na receção do mercado europeu.

Os muscle cars americanos sempre tiveram seguidores fiéis no continente, mas nunca foram propriamente um fenómeno de vendas. Ainda assim, a Dodge acredita que existe espaço para clientes à procura de algo diferente dos habituais desportivos alemães ou das propostas elétricas vindas da China.

Os preços arrancam nos 66 mil euros e posicionam o Charger num território onde vai enfrentar concorrência de marcas bem estabelecidas na Europa.

Se terá capacidade para conquistar um público mais alargado é uma questão que só os próximos meses responderão.

Mas uma coisa parece certa: numa indústria cada vez mais homogénea, poucos automóveis continuam a gerar tanta curiosidade apenas pelo nome que carregam. E nesse capítulo, o Dodge Charger continua a ter uma vantagem difícil de ignorar.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.