Há marcas que nunca desapareceram verdadeiramente da memória dos entusiastas. A Dodge é uma delas.
Durante anos, os modelos da fabricante americana foram vistos na Europa quase como peças de coleção, chegando sobretudo através de importações paralelas e de um nicho muito específico de apaixonados por automóveis americanos. Agora, a Stellantis quer mudar esse cenário e acaba de confirmar o regresso oficial da Dodge ao mercado europeu.
A aposta começa com aquele que é provavelmente o nome mais emblemático da marca: o Charger.
A novidade tem um detalhe que mostra bem a mudança de tempos que vive a indústria automóvel. Pela primeira vez, o histórico muscle car americano chega à Europa com duas propostas completamente distintas. Uma totalmente elétrica e outra equipada com motor a combustão.
As encomendas já abriram em vários mercados europeus e as primeiras entregas estão previstas para setembro.
A versão que mais atenção tem despertado é o Dodge Charger Daytona, apresentado pela marca como o primeiro muscle car elétrico da sua história. No topo da gama surge a variante Scat Pack, com 670 cv e tração integral, capaz de acelerar dos 0 aos 96 km/h em apenas 3,3 segundos.
Mas a Dodge sabe que uma parte significativa dos seus fãs ainda não está preparada para abandonar os motores de combustão. Por isso, a gama europeia inclui também as versões SIXPACK, equipadas com o novo motor Hurricane de seis cilindros biturbo.
A decisão acaba por ser uma espécie de compromisso entre tradição e futuro. Em vez de obrigar os clientes a escolherem apenas a eletrificação, a marca oferece ambas as soluções.
Regresso de uma marca ausente há mais de uma década
Mais do que o lançamento de um novo automóvel, esta operação representa o regresso formal da Dodge à Europa após vários anos praticamente afastada do mercado.
A ofensiva surge numa altura em que a Stellantis procura reforçar algumas das suas marcas mais icónicas e explorar nichos onde ainda existe procura por automóveis de forte caráter emocional.
O Charger chega à Europa no ano em que celebra 60 anos de história, mantendo a imagem musculada que o tornou famoso nos Estados Unidos, embora adaptado às exigências atuais da indústria.
O modelo será comercializado em versões de duas e quatro portas, assente na plataforma STLA Large, desenvolvida para receber tanto motorizações elétricas como motores de combustão.
Uma aposta de nicho, mas com ambição
A grande incógnita está agora na receção do mercado europeu.
Os muscle cars americanos sempre tiveram seguidores fiéis no continente, mas nunca foram propriamente um fenómeno de vendas. Ainda assim, a Dodge acredita que existe espaço para clientes à procura de algo diferente dos habituais desportivos alemães ou das propostas elétricas vindas da China.
Os preços arrancam nos 66 mil euros e posicionam o Charger num território onde vai enfrentar concorrência de marcas bem estabelecidas na Europa.
Se terá capacidade para conquistar um público mais alargado é uma questão que só os próximos meses responderão.
Mas uma coisa parece certa: numa indústria cada vez mais homogénea, poucos automóveis continuam a gerar tanta curiosidade apenas pelo nome que carregam. E nesse capítulo, o Dodge Charger continua a ter uma vantagem difícil de ignorar.
