
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Autonomia | Até 9 horas (auriculares) e 28 horas (estojo) |
| Áudio | Driver de 10 mm com tecnologia DSEE |
| Conetividade e codecs | Bluetooth 5.3, AAC |
| Peso e proteção | 6,4 gramas por auriculares, IPX4 |
| Cores | Verde, cinzento, preto e lilás |
O formato aberto é a grande tendência atual dos auriculares e o mercado está repleto de alternativas sólidas para a tua carteira. Durante os meus testes, foi impossível não comparar estes Sony com os rivais diretos que já passaram pela nossa redação recentemente.
Quando olhamos para o segmento entre os 150 e os 200 euros (os Sony LinkBuds Clip foram lançados por 199 €, mas o valor já desceu em algumas das cores), modelos como os Huawei FreeClip 2 e os OPPO Enco Clip2 oferecem uma experiência global premium e refinada. Ao descermos o degrau do preço, os mais acessíveis Moto Buds Loop da Motorola conseguem dar cartas e deixar-nos a coçar a cabeça face à qualidade-preço. E estes Sony? Vamos ao teste.

Design e construção
A Sony decidiu seguir a cartilha estética deste nicho, com um formato de brinco com as opções de cor a dividirem-se entre o verde, cinzento, preto e lilás. O encaixe revelou-se um pouco mais apertado e a qualidade de construção tem um ar menos luxuoso quando os colocas fisicamente lado a lado com as opções da Huawei e da OPPO.
Apesar deste aperto extra, o conforto não sai beliscado, muito graças ao peso pluma de 6,4 gramas de cada auricular, o que te permite usá-los durante uma tarde inteira de trabalho sem qualquer pressão excessiva. Trazem ainda certificação IPX4, o que significa que aguentam salpicos de água e suor sem problemas.

O estojo de transporte apresenta dimensões de 50,4 por 50,4 por 32,6 milímetros e pesa 42 gramas, sendo um pouco mais generoso face à norma, mas perfeitamente suportável para andar no teu bolso. O detalhe mais limitativo no design é a necessidade mecânica de usar os auriculares na orelha correta.
Ao contrário dos referidos rivais simétricos que podes colocar de qualquer forma à pressa, a Sony obriga-te a identificar sempre o lado esquerdo e o direito. Esta limitação reflete-se também na hora de os arrumar, pois exigem uma posição única e obrigatória para encaixarem na caixa de carregamento. Problema de primeiro mundo, mas que não existe nos rivais.

Qualidade de áudio e chamadas
O som entregue pelo diafragma de 10 milímetros dos LinkBuds Open é bom para as exigências deste formato aberto. Sinto, no entanto, que lhes falta detalhe nas faixas mais complexas e o volume máximo fica algo aquém da força demonstrada pela concorrência direta, perdendo até para os Motorola que ainda uso regularmente.
A Sony incluiu a sua tecnologia DSEE para tentar restaurar as frequências perdidas na compressão digital, mas a diferença prática não faz milagres. A fabricante também integrou um modo no software que tenta reduzir a fuga de som para o exterior, mas recomendo que não o uses.

A fuga de áudio é naturalmente muito boa de origem e se os afastares apenas vinte centímetros do ouvido, mesmo no volume máximo, a pessoa ao teu lado não ouve rigorosamente nada. Ao ativares esse modo de redução, vais apenas aniquilar os agudos da tua música.
Nas chamadas telefónicas a captação de voz cumpre os mínimos, mas não devem ser considerados a ferramenta de trabalho ideal se os pretendes usar diariamente para reuniões em ambientes com ruído de fundo. Outro corte que considero incompreensível nesta faixa de valor é a falta de sensores de deteção de uso. Quando os retiras das orelhas, a música continua a tocar ininterruptamente.

Codecs, app e controlos
A vertente da transmissão sonora é onde o equipamento mais acusa a falta de ambição. Não podes contar com codecs de áudio de alta resolução como LDAC dos Sony WF-1000XM6, já que este sistema é inteiramente limitado aos formatos básicos SBC e AAC. O ponto positivo é a muito bem-vinda ligação multiponto, permitindo-te estar ligado ao computador e ao telemóvel ao mesmo tempo.
A gestão de toda a tua experiência faz-se através da já conhecida aplicação da Sony, que continua a sofrer de uma falta de foco e demasiados menus pouco intuitivos quando se quer algo simples. É uma queixa antiga que a equipa de desenvolvimento tarda em corrigir.

A interação tátil com o equipamento não desilude, sendo fiável e responsiva. A sensibilidade aos toques funciona de forma correta para avançares faixas. Mas falta-lhes o controlo de volume por deslize que encontramos nos concorrentes.
Bateria e carregamento
Onde a engenharia da Sony não brinca em serviço é no departamento da gestão energética. A marca promete até 9 horas de reprodução contínua de música e a realidade no meu dia a dia de testes ficou muito perto dessa marca. Se juntares a energia extra fornecida pelo estojo, tens ao teu dispor até 28 horas de utilização.

É um valor global que fica ligeiramente abaixo das mais de 35 horas prometidas por alguns rivais asiáticos, mas que se revela bastante satisfatório. O reabastecimento de energia dos auriculares demora cerca de 1 hora e meia e o estojo é carregado em exclusivo através da entrada USB-C. Ou seja, fica de fora a conveniência do carregamento sem fios que encontras nos FreeClip 2.
Para quem são os Sony LinkBuds Open
- Fãs do ecossistema da Sony que querem auriculares abertos e confortáveis de 6,4 gramas nas cores verde, cinzento, cinzento ou lilás;
- Utilizadores que querem boas baterias com 9 horas de escuta ininterrupta para não dependerem constantemente da caixa de transporte;
- Pessoas que precisam de ouvir o ambiente em redor com a garantia de que não incomodam os colegas com fugas de som;
- Utilizadores que valorizam a ligação multiponto para alternar entre dispositivos.
Não são para... consumidores exigentes que valorizam a potência sonora e detalhe musical suportado por codecs de alta resolução, utilizadores práticos que detestam ter de perder tempo a procurar a orelha e a ranhura de encaixe certa para cada auricular ou pessoas que consideram obrigatório ter uma pausa automática quando retiram os fones.

Conclusão
Os Sony LinkBuds Clip apoiam-se fortemente no histórico e no peso do nome que carregam gravado na caixa. Se gostas da marca nipónica e pretendes uns auriculares de formato aberto confortáveis com autonomia de sobra, são uma opção válida que entrega a perceção do mundo exterior que procuras. No entanto, o mercado deste nicho está cada vez mais competitivo e inovador.
Ao ficarem um pouco atrás no áudio, na simplicidade do software, no formato limitativo de encaixe e na ausência de sensores de proximidade básicos, posicionam-se uns furos abaixo das propostas da Huawei e da OPPO (para citar dois exemplos). Em alguns aspetos práticos, chegam mesmo a perder pontos para a opção mais barata da Motorola. É um produto competente na gestão de bateria, mas que não se assume como a melhor escolha técnica na sua faixa de preço.
