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A Europa quer produzir mais componentes dos carros elétricos dentro das suas fronteiras. O problema é que essa mudança pode sair cara: o Bruegel estima um aumento de cerca de 2.100 € por automóvel.

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Fonte: unsplash

A União Europeia quer reduzir a dependência do exterior na indústria automóvel, sobretudo numa altura em que grande parte da cadeia de produção dos carros elétricos continua ligada a empresas asiáticas.

Entre as medidas em cima da mesa estão novas exigências de produção europeia para componentes dos automóveis e respetivas baterias. O objetivo é reforçar a indústria local, mas um novo relatório do Bruegel alerta que esta estratégia também pode acabar por aumentar os custos.

Segundo os cálculos apresentados, exigir que as células das baterias sejam produzidas na União Europeia poderá aumentar o custo de produção de cerca de 50 € para 85 € por kWh.

Os 2.100 € não são um aumento confirmado

O valor resulta de uma estimativa apresentada pelo Bruegel para mostrar o possível impacto de produzir determinadas partes das baterias dentro da União Europeia.

As próprias regras europeias ainda estão a ser trabalhadas e não significam que todos os carros vendidos aos consumidores tenham de cumprir imediatamente estas condições.A proposta europeia prevê requisitos de origem para determinadas situações, como compras públicas e alguns regimes de apoio.

Entre eles estão a montagem do automóvel na União Europeia e uma determinada percentagem de componentes produzidos no território europeu.

E não são apenas as baterias

O estudo dá ainda outro exemplo. A utilização de aço produzido com menores emissões de carbono poderia acrescentar aproximadamente 200 € ao custo de produção de cada carro.

Por outro lado, as propostas destinadas a simplificar os processos de homologação permitiriam uma poupança estimada de apenas 61 € por automóvel.

Ou seja, segundo o Bruegel, a redução conseguida através da simplificação das regras seria bastante inferior ao aumento associado à produção europeia de alguns componentes. O impacto também não seria igual para todos. Um aumento de 2.100 € tem naturalmente um peso muito maior num elétrico de entrada de gama do que num modelo premium.

Preço continua a ser essencial para os elétricos

Esta possível subida surge precisamente quando os carros elétricos continuam a ganhar espaço no mercado português.

Entre março e maio de 2026 foram matriculados 28.807 automóveis ligeiros de passageiros recarregáveis em Portugal, mais 32% do que no mesmo período do ano anterior. Só os modelos totalmente elétricos cresceram 37%, confirmando a subida das vendas de elétricos e híbridos em Portugal.

É precisamente aqui que surge o alerta do Bruegel: reforçar a produção europeia pode diminuir a dependência de outros mercados, mas, se produzir estes componentes na Europa continuar a ser substancialmente mais caro, parte dessa diferença pode acabar por chegar ao consumidor.

Por enquanto, os cerca de 2.100 € devem ser vistos como uma estimativa do possível impacto destas exigências, e não como um aumento já decidido para os carros elétricos vendidos na Europa.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.