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Há um motivo para os carros elétricos não irem mais depressa

Pisas o acelerador de um elétrico e a sensação é quase imediata, mas essa força toda tem um limite bem definido. A maioria dos elétricos fica agarrada aos 150-180 km/h, e a explicação está na própria física do motor.

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Fonte: Hyundai

Quem já conduziu um carro elétrico conhece a sensação: basta pisar o acelerador e o carro dispara para a frente graças ao binário instantâneo, uma das maiores vantagens deste tipo de motorização.

O problema é que, depois dessa aceleração inicial impressionante, a maioria dos elétricos acaba por atingir rapidamente um limite de velocidade. Os modelos de gama baixa e média costumam ficar pelos 150 ou 160 km/h, enquanto até muitos dos mais potentes raramente ultrapassam os 180 km/h.

Porque é que não há mudanças

A explicação está na ausência de caixa de velocidades. Num motor a combustão, as mudanças existem precisamente para manter o motor a rotações saudáveis à medida que a velocidade aumenta. Um motor elétrico não tem essa engrenagem extra.

Como não há uma mudança mais alta para "acalmar" o motor, para o carro continuar a ganhar velocidade, o motor é obrigado a girar a rotações extremamente elevadas. Se as marcas não impusessem um limite eletrónico, o motor entraria numa zona de risco, com possibilidade de danos físicos graves, desmagnetização dos ímanes ou até de falha estrutural devido à força centrífuga.

O verdadeiro vilão é o ar

Mas o motor, por si só, não é o único problema. O maior obstáculo às velocidades elevadas é a resistência aerodinâmica, que aumenta de forma exponencial à medida que o carro acelera.

Por isso, manter um carro elétrico de forma contínua acima dos 120 km/h exige um esforço enorme da bateria, fazendo com que a carga seja consumida muito mais rapidamente e a autonomia real diminua de forma significativa.

Isto explica também porque é que, mesmo quando a marca promete uma autonomia generosa em ciclo combinado WLTP, a autonomia real em autoestrada cai significativamente face ao que se consegue em cidade, onde a travagem regenerativa e as velocidades mais baixas ajudam a poupar energia.

Gestão térmica e pneus também entram na equação

Puxar grandes quantidades de energia de forma contínua a alta velocidade também gera um aumento significativo da temperatura. Ao limitar a velocidade máxima, os fabricantes conseguem manter a bateria sob controlo, reduzindo o risco de degradação precoce das células e evitando que o carro entre em modo de proteção durante uma viagem.

Este equilíbrio entre desempenho e gestão térmica já o vimos repetidamente em testes reais, onde o ritmo de carregamento rápido abranda significativamente a partir dos 80% precisamente para proteger a bateria do calor acumulado.

Há ainda um detalhe que muitas pessoas desconhecem: os pneus. Os carros elétricos costumam ser mais pesados do que os equivalentes a combustão, devido ao peso da bateria, e os pneus são desenvolvidos especificamente para suportar essa carga adicional. Além disso, têm índices de velocidade máxima bem definidos, que também influenciam o limite eletrónico definido pelo fabricante.

No fundo, a velocidade máxima de um carro elétrico não é uma limitação técnica que as marcas não conseguiram ultrapassar. É uma decisão deliberada, pensada para privilegiar a fiabilidade, a segurança e a autonomia, em vez de uma velocidade de ponta que, na prática, raramente faz diferença no dia a dia.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.