Comprar um carro híbrido fabricado na China poderá tornar-se mais complicado nos próximos anos. Depois de várias negociações, a União Europeia e a China chegaram a um entendimento para reduzir as importações destes automóveis, numa altura em que as marcas chinesas continuam a ganhar espaço no mercado europeu.
Segundo a Reuters, o entendimento foi alcançado a 9 de outubro, durante a visita do comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, a Pequim. O objetivo passa por reduzir as exportações de híbridos convencionais e híbridos plug-in da China para a União Europeia.
Esta é uma evolução das medidas que Bruxelas já estava a preparar contra os híbridos chineses. A diferença é que agora já existe um entendimento entre as duas partes e foram divulgados os primeiros números concretos.
Europa quer reduzir importações para 350 mil carros
De acordo com o Financial Times, o entendimento prevê limitar as importações de híbridos fabricados na China a 350 mil unidades em 2027, um valor bastante inferior aos cerca de 800 mil veículos que se estima que possam chegar ao mercado europeu durante 2026.
A limitação deverá manter-se durante quatro anos, até 2030, com um aumento de 6% da quota em cada ano. Trata-se de uma redução significativa na quantidade de automóveis que os fabricantes poderão exportar diretamente da China para a União Europeia.
Para já, os detalhes da aplicação destas quotas ainda não foram totalmente divulgados. O entendimento foi anunciado, mas será necessário esclarecer como vão funcionar as restrições e de que forma serão distribuídas pelos diferentes fabricantes.
O que pode mudar para quem quer comprar um híbrido em Portugal?
Para quem está a pensar comprar um destes automóveis, a principal preocupação poderá ser a disponibilidade de determinados modelos. Com menos unidades a entrar na Europa, as fabricantes poderão ter de ajustar a distribuição dos seus veículos pelos diferentes países.
Na prática, isto poderá significar menos carros disponíveis, prazos de entrega mais longos ou até alterações nos preços. No entanto, não significa que os híbridos chineses vão automaticamente ficar mais caros em Portugal.
Marcas como a BYD, Chery e Geely têm reforçado a sua presença no mercado europeu. Uma das alternativas para contornar estas limitações poderá passar por aumentar a produção de automóveis dentro da própria Europa, algo que algumas fabricantes chinesas já estão a fazer.
Importa também esclarecer que a medida diz respeito aos automóveis fabricados na China, e não necessariamente a todos os modelos de marcas chinesas. Um veículo produzido numa fábrica europeia não seria contabilizado como uma importação da China.
Para já, quem já tem um híbrido chinês não será afetado por estas limitações, uma vez que estão relacionadas com a entrada de novos automóveis no mercado europeu.
Quem estiver a pensar comprar um destes modelos deverá acompanhar os preços e os prazos de entrega nos concessionários. O impacto real em Portugal só será conhecido quando as condições definitivas do entendimento forem esclarecidas e começarem a ser aplicadas.