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Portugueses perdem mais de 800 € em burlas digitais por mensagens

Relatório da Kaspersky mostra que Portugal está acima da média global nas perdas causadas por fraudes no WhatsApp, SMS, Facebook, Telegram e e-mail.

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Burlas digitais Portugal
Imagem gerada por inteligência artificial - ChatGPT

As burlas digitais com uma simples notificação no telemóvel podem custar centenas de euros antes mesmo de a vítima perceber o que aconteceu. Segundo o novo estudo global da Kaspersky “The Great Messaging Heist”, as vítimas portuguesas perdem, em média, mais de 800 euros em burlas digitais feitas através de aplicações de mensagens.

O valor coloca Portugal acima da média global, que ronda os 675 euros por vítima. O relatório analisou fraudes realizadas em canais como o WhatsApp, SMS/iMessage, Facebook, Telegram e e-mail, e mostra que estas burlas estão cada vez mais rápidas, credíveis e difíceis de detetar.

A Kaspersky alerta que os criminosos exploram comunicações comuns do dia a dia, como notificações de entrega, mensagens bancárias, alertas de marcas conhecidas ou pedidos de familiares e amigos. O objetivo é fazer com que a vítima confie na mensagem antes de perceber que está perante uma burla.

Portugal está entre os países com perdas mais elevadas

De acordo com os dados do relatório, as perdas médias em Portugal ultrapassam os 800 euros por vítima. O valor fica acima de países como Espanha, Estados Unidos, Reino Unido, Grécia e Marrocos.

Embora 45,4% dos portugueses afetados tenham perdido menos de 125 euros, mais de 18% perderam acima de 1.245 euros, conforme reportou o Executive Digest. Isto mostra que, mesmo quando muitas burlas parecem envolver valores menores, o impacto pode ser sério para muitas famílias.

A rapidez é uma das principais armas dos criminosos. Entre os participantes portugueses no estudo, 54% afirmaram que a fraude aconteceu em menos de 30 minutos. O valor fica acima da média global, que é de 52%.

Em alguns casos, tudo acontece ainda mais depressa. Segundo a Kaspersky, 14% dos portugueses entregaram dinheiro ou dados pessoais em menos de cinco minutos.

A estratégia passa por criar urgência. A mensagem pode dizer que há uma encomenda bloqueada, uma conta em risco, um pagamento pendente ou uma emergência familiar. A vítima sente que precisa de agir imediatamente e acaba por clicar num link, enviar dados ou aprovar uma transação sem confirmar se a mensagem é real.

WhatsApp é o canal mais usado em Portugal

O Executive Digest também observa que o WhatsApp é a plataforma mais usada nas burlas que afetaram os utilizadores portugueses, com 56,57% dos casos. A percentagem está bem acima da média global, que é de 43%.

Logo depois aparecem as SMS/iMessage, usadas em 49,4% das fraudes em Portugal. O Facebook surge em terceiro lugar, com 17,5% dos casos nacionais analisados.

Outro dado relevante é que cerca de 60% das burlas que atingiram os portugueses passaram por mais do que uma plataforma. Isto significa que o golpe pode começar por SMS e continuar depois no WhatsApp, Telegram ou outro canal.

Esta mudança entre plataformas ajuda os criminosos a parecerem mais naturais e também dificulta a deteção automática das fraudes.

Inteligência artificial facilita o trabalho dos burlões

A Kaspersky também alerta para o uso crescente da inteligência artificial nestes esquemas. Antigamente, muitas mensagens fraudulentas eram fáceis de identificar devido a erros de gramática, frases estranhas ou pedidos pouco credíveis.

Agora, as burlas podem imitar melhor o tom de bancos, lojas, serviços de entrega, familiares ou amigos. A IA também pode ser usada para gerar mensagens mais naturais, clonar vozes, criar imagens falsas e até vídeos deepfake.

A nível global, 66% das vítimas acreditam que a IA foi usada na burla contra elas. Em Portugal, apenas 29,1% dos participantes tiveram essa perceção, o que pode indicar que muitos utilizadores ainda não conseguem reconhecer quando estas ferramentas estão envolvidas.

Como evitar cair nestas burlas

  • Para antes de agir: Se uma mensagem pedir dinheiro, dados pessoais ou uma ação urgente, o ideal é confirmar a situação por outro canal.

  • Confirma com a fonte: Se o pedido parecer vir de um familiar, liga diretamente para essa pessoa. Se parecer ser de um banco, loja ou serviço de entrega, entra na aplicação oficial ou no site digitado manualmente, sem clicar no link recebido.

  • Protege as tuas contas: É importante usar palavras-passe fortes, ativar a autenticação em dois fatores e recorrer a ferramentas de segurança capazes de bloquear links maliciosos e páginas falsas.

Vê também: Fraudes bancárias: estes são os golpes que tens de conhecer

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William Schendes
William Schendes
Jornalista e criador de conteúdos, escreve sobre tecnologia, videojogos e cibersegurança desde 2022. No 4gnews, escreve sobre as novidades do mundo tech, mas anteriormente já produziu de tudo um pouco: reviews, reportagens, artigos especiais e tutoriais.