As fraudes através de aplicações de mensagens, como o WhatsApp, deixaram de ser apenas um problema informático e passaram a ser uma verdadeira ameaça à carteira dos portugueses.
Um novo estudo global da Kaspersky, intitulado "The Great Messaging Heist" (em português, o grande assalto de mensagens), revela que as redes organizadas estão a aproveitar-se da inflação e da crise na habitação para criar esquemas cada vez mais difíceis de detetar.
Em Portugal, o cenário é alarmante: as vítimas perdem, em média, 750 euros — um valor que, para muitas famílias, faz falta para pagar a alimentação ou as contas da energia.
O "Top 3" dos esquemas mais perigosos em Portugal
Os criminosos já não operam em zonas obscuras da Internet; entram diretamente no teu telemóvel com mensagens que simulam situações do dia a dia. Segundo a investigação, estes são os três métodos mais utilizados em território nacional:
- Falsas entregas de encomendas (41,2%): mensagens que indicam que uma encomenda está retida e que implica o pagamento de uma pequena taxa para a libertar.
- Esquemas de investimento (36,65%): promessas de enriquecimento rápido ou aplicações financeiras com retornos garantidos.
- Burlas românticas (29,08%): perfis falsos que conquistam a confiança da vítima ao longo do tempo para depois exigirem transferências de dinheiro por motivos de "urgência".
O perfil das vítimas: ninguém está a salvo
Ao contrário do mito de que apenas os idosos caem nestes contos do vigário, o estudo demonstra que o impacto é quase idêntico entre a Geração Z, Millennials e Geração X.
No entanto, os Millennials são os mais afetados por burlas de investimento (representando 40% dos casos). A forte pressão com os custos da habitação e a instabilidade financeira tornam esta geração mais vulnerável a propostas que parecem "boas demais para ser verdade".
Uma ameaça fantasma que não para de crescer
A escala do problema é massiva. A Kaspersky estima que, se apenas 10% dos utilizadores mundiais de aplicações de mensagens caírem nestes esquemas, o prejuízo global pode ascender a uns impressionantes 190 mil milhões de euros, o equivalente ao colapso económico de um país de média dimensão.
Em Portugal, a verdadeira dimensão do crime continua escondida. Apenas 22,31% das vítimas denunciam a burla à polícia e uns escassos 13,55% alertam o banco. O sentimento de vergonha faz com que a maioria sofra o prejuízo em silêncio, deixando os criminosos livres para atacar novamente.
Os ataques estão industrializados: mais de um quarto dos inquiridos em Portugal admitiu ter sido alvo de tentativas de fraude três ou mais vezes nos últimos meses, provando que estas mensagens falsas se tornaram uma operação diária e automatizada de caça ao dinheiro.
