A Guarda Nacional Republicana emitiu um alerta oficial para uma mensagem fraudulenta que está a chegar aos telemóveis dos condutores em Portugal.
O texto da mensagem diz que a viatura do destinatário "consta para apreender a partir de hoje por coima em atraso" e inclui uma entidade, referência e valor para pagamento por multibanco. Em alguns casos o valor chega aos 480 euros.
A mensagem é falsa e contém uma tentativa de burla. A autoridade nunca envia SMS com referências multibanco para pagamento de coimas ou qualquer outro serviço. Nunca.
Como funciona o esquema
O esquema segue uma lógica que os burlões refinaram ao longo de vários anos em Portugal: criar urgência, simular autoridade e deixar pouco tempo para pensar. A mensagem chega com um tom intimidatório, usa o nome de uma força de segurança reconhecida e apresenta dados concretos, como um valor e uma referência de pagamento, para parecer legítima.
O detalhe técnico que torna este esquema mais difícil de detetar é o spoofing: a capacidade de falsificar o número ou o nome do remetente de uma SMS para que pareça vir de uma entidade oficial. Os burlões usam técnicas de engenharia social, como cenários de urgência, para induzir erros de segurança e enganar as vítimas.
Esta não é a primeira vez que a GNR é mencionada. Está também a circular um SMS idêntico mas em nome da ANSR, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, com o mesmo esquema de ameaça de perda de pontos na carta de condução.
O que deves fazer se receberes a mensagem
Não cliques em nenhum link. Não efetues nenhum pagamento. Não ligues para nenhum número que apareça na mensagem.
Se já pagaste, contacta imediatamente o teu banco para tentares reverter a operação e apresenta queixa nas autoridades. Podes fazê-lo presencialmente no posto da GNR ou PSP da tua área de residência, ou através da plataforma de queixas eletrónicas do Ministério da Administração Interna.
Os números que mostram a dimensão do problema
A GNR registou apenas no primeiro trimestre de 2026 cerca de 300 casos de burla por "Falso Funcionário" e mais de 670 burlas informáticas relacionadas com a obtenção ilegítima de dados pessoais e bancários. A taxa de sucesso nas burlas que simulavam agentes da autoridade atingiu os 86%.
Estes números mostram que o problema está a crescer e que os esquemas funcionam. A GNR alertou recentemente para uma vaga mais ampla de burlas que simulam bancos e agentes da autoridade com técnicas cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar à primeira vista.
A regra é sempre a mesma: nenhuma entidade oficial portuguesa, seja a GNR, a PSP, as Finanças ou a Segurança Social, envia SMS com referências multibanco para pagamentos. Se receberes uma mensagem urgente de qualquer entidade pública a pedir dinheiro ou dados, é burla. Sem exceções.
