Quando pensamos num ciberataque, imaginamos normalmente computadores bloqueados, dados roubados ou serviços online indisponíveis. Mas o incidente que atingiu supermercados Intermarché em Portugal mostra que os hackers também podem afetar equipamentos utilizados para conservar alimentos.
O Grupo Mosqueteiros confirmou à SIC Notícias que foram identificadas ocorrências em sete lojas portuguesas. O ataque terá visado um prestador de serviços externo responsável pela gestão dos sistemas de refrigeração.
Isto significa que o problema poderá ter tido origem fora dos próprios supermercados, numa empresa que presta serviços de gestão dos equipamentos. O grupo não revelou quais foram os sete estabelecimentos afetados.
Como conseguem os hackers interferir com os frigoríficos?
Os frigoríficos e congeladores comerciais podem utilizar sistemas eletrónicos que monitorizam as temperaturas, enviam alertas e permitem controlar os equipamentos à distância.
Estas funcionalidades facilitam a manutenção e ajudam a identificar problemas antes de comprometerem os alimentos. No entanto, quando os sistemas estão ligados a redes informáticas, também podem ficar expostos a ataques, especialmente se existirem vulnerabilidades ou acessos indevidamente protegidos.
Se um atacante conseguir entrar num sistema de gestão, poderá alterar configurações ou interferir com o funcionamento dos equipamentos. Os riscos associados aos aparelhos ligados à Internet já tinham sido destacados na sequência dos ataques a frigoríficos de supermercados franceses, em outubro.
No caso das sete lojas portuguesas, ainda não foram divulgados detalhes técnicos que permitam confirmar como os hackers conseguiram interferir com os sistemas.
O que pode acontecer aos alimentos?
É aqui que o ataque pode ter consequências para os clientes. Produtos como carne, peixe, lacticínios e alimentos congelados precisam de ser conservados a temperaturas adequadas.
Se os equipamentos deixarem de funcionar corretamente, uma subida prolongada da temperatura pode comprometer a segurança dos alimentos, mesmo que estes não apresentem alterações visíveis.
Em situações mais graves, os supermercados podem ter de retirar produtos das prateleiras para evitar riscos para os consumidores. Foi o que aconteceu em alguns estabelecimentos europeus afetados por ataques semelhantes, onde foi necessário retirar alimentos refrigerados e congelados.
Contudo, não há confirmação de que tenha sido necessário descartar alimentos nas sete lojas Intermarché em Portugal.
Os clientes do Intermarché estão em risco?
O Grupo Mosqueteiros garante que os alimentos não foram afetados e que continuam asseguradas as condições de higiene e segurança alimentar.
Segundo as declarações divulgadas pela SIC Notícias, a empresa ativou procedimentos de resposta ao incidente, em articulação com os responsáveis pela manutenção, para restabelecer o funcionamento normal dos equipamentos.
Até ao momento, não foram identificados publicamente os sete supermercados portugueses afetados. Também não existe informação confirmada de que tenham sido vendidos produtos impróprios para consumo devido ao ataque.
Para os clientes, uma possível consequência seria a indisponibilidade temporária de alguns alimentos, caso fosse necessário retirá-los por precaução. No entanto, não foi confirmado que isso esteja a acontecer nas lojas portuguesas.
Quem tiver dúvidas sobre um produto adquirido pode contactar diretamente o estabelecimento.
Um ataque informático que vai além dos dados pessoais
O caso mostra que os ciberataques não se limitam ao roubo de palavras-passe ou informações bancárias.As empresas dependem cada vez mais de serviços digitais externos para gerir equipamentos, operações e infraestruturas.
Esses acessos também precisam de proteção. Afinal, uma falha nas identidades e nos acessos digitais de uma empresa pode abrir caminho a ataques com consequências fora dos computadores.
No caso do Intermarché, o incidente demonstra a importância de proteger os sistemas que mantêm os alimentos nas condições adequadas.Para já, o Grupo Mosqueteiros assegura que a segurança alimentar está garantida nas sete lojas portuguesas afetadas.