A Samsung é hoje uma das marcas mais fortes da tecnologia, mas a sua história também tem falhas que sairam caro, em termos de dinheiro, confiança e reputação.
O caso mais grave continua a ser o Galaxy Note 7, seguido pelo primeiro Galaxy Fold e pela aposta falhada no sistema Bada.
O desastre que ninguém esquece
O Galaxy Note 7 foi o provavelmente o maior erro da Samsung no mercado móvel. O problema esteve nas baterias, que provocavam sobreaquecimento, curtos-circuitos e até incêndios, o que obrigou a empresa a retirar milhões de unidades do mercado. Quem não se lembra da geração de memes marcada por estes incidentes?
Este caso foi muito mais do que um mau lançamento. Tornou-se uma crise de confiança e um exemplo de como uma falha de engenharia pode destruir a imagem de um produto premium em poucos dias.
O dobrável precoce
O primeiro Galaxy Fold também entrou para a lista negra da Samsung. O ano era 2019, e a ideia parecia antecipar o futuro dos smartphones, mas a primeira versão chegou com problemas sérios de resistência no ecrã e obrigou a marca a adiar o lançamento.
As principais falhas do Galaxy Fold foram a fragilidade do ecrã, a entrada de poeiras e detritos nas zonas de dobra e a pouca resistência da estrutura na versão inicial.
Em vários casos, o painel começava a levantar ou a degradar-se rapidamente, o que mostrava que o conceito ainda não estava pronto para uso comercial em grande escala.
Houve também problemas de fiabilidade geral do telemóvel, com a Samsung a ser forçada a adiar o lançamento e a rever o produto antes de o voltar a colocar no mercado. No fundo, o grande erro foi lançar uma ideia muito à frente do seu tempo sem a maturidade técnica suficiente para aguentar o seu uso.
A Samsung acabou por corrigir o produto, mas a estreia inicial deixou uma marca difícil de apagar. Foi um caso em que a inovação apareceu antes do seu tempo.
Bada: um sistema operativo que nasceu vazio
Em 2010, a Samsung tentou criar no Bada OS uma plataforma própria para rivalizar com o Android e como iOS, mas o projeto ficou rapidamente aquém das expectativas.
O principal entrave foi a falta de aplicações, algo decisivo num período em que o valor de um sistema operativo já dependia muito do ecossistema à sua volta. Sem apps suficientes, o interesse dos utilizadores foi escasso.
A isso juntou-se uma base de mercado pequena e pouca adesão por parte dos programadores, o que travou o crescimento do sistema desde cedo.
O Bada acabou por revelar uma fragilidade comum a muitas apostas tecnológicas da altura: a dificuldade em competir com plataformas já dominantes, mais maduras e com muito mais apoio. No fundo, foi uma ideia que tinha uma grande ambição por parte da Samsung, mas sem escala suficiente para se impor.
Outros projetos que não foram bem recebidos
Ao longo dos anos, a Samsung também teve outros modelos menos conseguidos, com falhas de desempenho, fraca experiência de uso ou escolhas de software pouco convincentes. O Galaxy Ace é um dos exemplos mais citados entre os telemóveis que deixaram má memória a muitos utilizadores.
Há ainda casos em que a empresa não falhou por completo, mas lançou produtos abaixo do esperado ou com problemas que travaram a confiança dos consumidores.
O que estes casos dizem da Samsung
O lado duro desta história é marcado por estes percalços, mas a Samsung conseguiu dar a volta por cima. A marca cresce muito porque arrisca muito, e isso torna as falhas mais prováveis de acontecer (e usando bom português: são ossos do ofício).
Quando falha, falha em grande, e é isso que torna estes episódios tão marcantes. Mas quando acerta, garante sucesso.
Ao mesmo tempo, a empresa também mostrou a capacidade de recuperar, corrigir erros e voltar a dominar o mercado. Ainda assim, o Note 7 e o primeiro Fold continuam a servir de aviso sobre o preço de acelerar demasiado a inovação.
Mas nos dias que correm, em que esta inovação é tudo, é muito bom ver que marcas como a Samsung ainda arriscam para trazer produtos diferentes ao mundo, num mercado saturado.
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