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Conduzi o Honda Jazz Crosstar: aprovado nos consumos, desilude na tecnologia

Honda

Neste artigo
Honda Jazz Crosstar
★★★☆☆3.5Satisfatório

O Honda Jazz Crosstar reflete na perfeição o espírito conservador e pragmático da marca japonesa. É um automóvel fiável, poupado no consumo de combustível e muito agradável de conduzir no meio do trânsito urbano. A transição entre o modo elétrica e a gasolina é gerida de forma suave, em que mal sentes a troca entre sistemas. Peca por um sistema de infoentretenimento muito arcaico com problemas de compatibilidade no Android Auto e por um habitáculo que não deslumbra na volumetria da bagageira. É uma escolha a ter em conta para quem quer um veículo a gasolina e não tem possibilidade de carregar em casa.

Prós
  • Consumos reais de 4,8 l/100km alcançados após mais de 900 quilómetros de ensaio
  • Visibilidade traseira ótima que facilita todas as manobras
  • Gestão inteligente e impercetível entre o motor de combustão e a locomoção elétrica
Contras
  • Sistema de infoentretenimento com falhas na utilização do Android Auto (que funciona só com cabo) e grafismos datados
  • Bagageira limitada a 304 litros de capacidade revela-se escassa para viagens longas
Característica Detalhe
Motorização e potência Híbrido de 1,5 litros com 122 cv e 253 Nm de binário máximo
Consumo de ensaio 4,8 l/100 km registados após 955 km percorridos
Capacidade da bagageira 304 litros com os bancos na posição normal
Sistema Multimédia Ecrã tátil de 9 polegadas com sistema Honda CONNECT
Preço em Portugal 33 400 euros com pintura e despesas logísticas incluídas

O mercado automóvel atual empurra o consumidor para a eletrificação. Mas sem poder carregar em casa ou no trabalho, esta não é uma opção viável para todos os condutores. É neste espaço que os híbridos convencionais continuam a ser uma opção e o Honda Jazz Crosstar 1.5 HEV Advance posiciona-se como uma das alternativas mais maduras do seu segmento.

Com um preço fixado nos 33 400 euros (preço chave na mão), este modelo adota uma estética de inspiração crossover para cativar condutores que querem versatilidade urbana. Recorre a uma mecânica a gasolina auto-recarregável que dispensa totalmente a dependência de postos públicos de carregamento.

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Excelente visibilidade traseira, bagageira não deslumbra

A vivência a bordo do Jazz Crosstar é marcada pela funcionalidade apurada. O espaço geral do habitáculo cumpre os requisitos diários, embora a bagageira apresente limitações, não indo além dos 304 litros de capacidade com os lugares traseiros ocupados.

Um dos aspetos que mais impressiona ao sentares-te ao volante é a excelente visibilidade traseira. É dos melhores automóveis que passou pelas minhas mãos nos últimos tempos neste departamento. Esta facilidade de visão periférica é complementada pelos pilares frontais muito finos.

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Transmite uma sensação de controlo no meio do tráfego citadino. Em contrapartida, o isolamento acústico cumpre sem deslumbrar. Principalmente se fores daqueles que quer ir além dos limites de velocidade em autoestrada, não esperes milagres.

Tecnologia é o maior defeito

A componente tecnológica é o calcanhar de Aquiles desta proposta da Honda. O sistema de infoentretenimento assente num ecrã tátil de nove polegadas revela-se muito arcaico para os padrões habituais da indústria.

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A utilização da plataforma Android Auto revelou-se frustrante, pois bloqueava sistematicamente ao fim de alguns minutos de navegação no Waze ou no Google Maps. Este é um problema persistente que já tinha detetado no ensaio do modelo 100% elétrico Honda e:Ny1. Além disso, o espelhamento funciona apenas através de ligação por cabo.

Transição elétrico-gasolina é suave

A mecânica híbrida auto-recarregável melhora a experiência de condução. A transição entre os sistemas de propulsão é executada de forma tão suave que nem sentes quando o carro muda de fonte de energia. Enquanto existe carga armazenada na bateria, a viatura desloca-se em modo puramente elétrico.

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Quando começa a ficar com pouca energia, o que pode acontecer, o motor de combustão entra imediatamente em serviço. Neste modo híbrido, o bloco a gasolina encarrega-se de carregar a bateria até haver energia suficiente armazenada. Poucos minutos depois deste processo, o sistema regressa de forma automática ao modo elétrico. Tudo isto é feito de forma autónoma e vês tudo no ecrã.

Consumos cumpriram o prometido

Esta gestão de energia traduz-se nuns consumos bastante interessantes. No final de um ensaio pelo país, com percurso citadino, autoestrada e nacional, que somou 955 quilómetros ao odómetro, o painel de instrumentos assinalou uma média de 4,8 litros por cada 100 quilómetros percorridos.

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Este número iguala o valor de consumo combinado homologado pelo ciclo WLTP divulgado no catálogo do fabricante. Prova assim que o Jazz Crosstar consegue cumprir as promessas de eficiência no mundo real, sem exigir grandes sacrifícios na forma como geres o pedal do acelerador. Isto, claro, tendo em conta que cumpro os limites de velocidade.

Para quem é o Honda Jazz Crosstar

  • Condutores que pretendem manter-se num veículo a gasolina, mas valorizam consumos mais baixos no dia a dia
  • Utilizadores que não querem avançar para soluções puramente elétricas por não terem onde carregar o carro em casa ou no trabalho
  • Consumidores que privilegiam a fiabilidade, a suavidade mecânica e a excelente visibilidade em detrimento do luxo interior

Não é para... fãs de tecnologia que exigem sistemas de infoentretenimento rápidos, modernos e sem falhas de ligação ao telemóvel ou famílias numerosas que necessitam de carregar grandes volumes de carga numa bagageira de dimensões generosas para as férias.

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Conclusão

Este Honda Jazz Crosstar híbrido acaba por ser um espelho fiel da própria marca japonesa no mercado atual. Entrega uma fiabilidade inquestionável, revela-se muito agradável de conduzir nos percursos citadinos e mesmo em viagem por nacionais e é extremamente poupado nos consumos de combustível.

O atraso tecnológico evidente no sistema de infoentretenimento retira algum brilho ao habitáculo, num Android Auto que se torna inutilizável com o sistema de navegação ativo. Se isso não for prioridade, é uma proposta que continua a ser uma alternativa sólida a quem quer fazer a transição suave rumo à eletrificação sem os constrangimentos do carregamento.

Podes saber mais sobre preço e disponibilidade no site oficial da Honda.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.