ANACOM mostra o impacto da pandemia nas comunicações em Portugal

Rui Bacelar
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O tráfego de dados em Portugal atingiu um novo máximo na semana em que entrou em vigor o recolhimento domiciliário. Os dados são agora avançados pela Autoridade Nacional de Comunicações, a ANACOM e refletem as necessidades dos portugueses.

Perante o avanço e normalização do teletrabalho, com reuniões e aulas online a ocuparem o quotidiano, a transformação digital efetiva-se em Portugal. Com a população confinada, o tráfego de dados móveis bateu novos recordes em Portugal.

ANACOM aponta aumento significativo no tráfego de dados móveis em Portugal

Segundo os dados avançados pela ANACOM, o tráfego de dados aumentou 9% durante a semana que findou a 24 de janeiro, aqui em comparação com a semana prévia. Tal como este entidade aponta, atingiu-se um novo máximo desde o início da pandemia.

ANACOM Portugal

Acima podemos ver a evolução semanal do tráfego de dados fixos e móveis desde janeiro de 2020. A unidade é o TB (eixo da esquerda), por milhões de minutos (eixo da direita).

Comparativamente com o período anterior à pandemia, o tráfego de dados está agora 87% acima do valor então registado. Por outras palavras, em contexto de pandemia, os portugueses quase duplicaram o tráfego de dados perante a nova realidade.

Trata-se de um aumento notório que, em janeiro de 2021, está 12% acima do verificado na segunda semana da pandemia - entre 16 a 22 de março de 2020. A semana em que começou o Estado de Emergência, de acordo com os dados da ANACOM.

O tráfego de voz aumentou 32% face ao período pré-pandémico

Em seguida podemos ver a evolução no tráfego de voz desde o início das medidas de contenção face à pandemia COVID-19 em Portugal.

ANACOM Portugal

Nesse mesmo período também o tráfego de voz (chamadas telefónicas) aumentaram 7% face à semana anterior. Já se tivermos em consideração o período pré-pandémico, aponta-se um aumento de 32% no tráfego de voz.

Há, portanto, um aumento significativo e sustentado do volume de chamadas feitas em Portugal através da rede fixa e móvel, mostrando que os portugueses se mantiveram em contacto através das chamadas telefónicas.

O tráfego de dados fixos foi o que mais cresceu em Portugal

A ANACOM aponta ainda que "desde a entrada em vigor das medidas excecionais e extraordinários associadas à COVID19, tem sido o tráfego de dados fixos que mais tem crescido", nota o regulador.

"Estima-se que durante o Estado de Emergência, iniciado em 19.03.2020, o tráfego de dados fixos tenha crescido cerca de 49% acima da tendência de crescimento do período pré-COVID19. Após esse período, o crescimento atribuível às medidas excecionais e extraordinárias variou entre 31% e 36%." acrescenta a ANACOM.

ANACOM Portugal

A pontilhado temos as estimativas da ANACOM para os valores de tráfego em dados fixos e em dados móveis. A linha preenchida ilustra os dados efetivamente registados pelo regulador, com um nível de confiança de 95% segundo aponta a própria.

Apura-se também a dominância do tráfego de dados fixos - o acesso à Internet através do computador de casa, por exemplo - face ao tráfego de dados móveis - no acesso à Internet a partir do plano de dados do smartphone.

O tráfego de dados fixos aumentou 93% face período pré-COVID19

Métricas Período pré-COVID 2.ª semana da pandemia COVID--19
Total de tráfego de voz 32% -8%
Serviço telefónico em local fixo (minutos) 31% -19%
Serviço telefónico móvel (minutos) 32% -7%
Total de tráfego de dados 87% 12%
Internet fixa (em GB) 93% 12%
Dados móveis (em GB) 7% 4%
Acessos
Acessos em local fixo 2,2% 2,0%
(dos quais) de clientes residenciais 2,3% 2,1%
Acessos móveis com utilização efetiva 0,7% 1,8%
(dos quais) afetos a planos pós-pagos e híbridos 3,1% 3,4%
(dos quais) de clientes residenciais 3,6% 4,0%

Fonte: ANACOM

O tráfego de dados fixos representa 96% do total de tráfego de dados. É este o tipo de comunicações que registou um maior diferencial face ao cenário pré-COVID com um aumento de 93% face à semana anterior à declaração da pandemia.

Foi também o tráfego de voz móvel - as chamadas efetuadas a partir de dispositivos móveis como smartphones - a tipologia que representa 89% de todo o tráfego de voz. Também este tipo de comunicações registou um aumento de 32% face ao período pré-pandémico e com aumentos graduais desde então.

Apesar de menos expressivo, também o tráfego de voz fixa - chamadas fixas - aumentaram 31% face ao mês antes da pandemia, ficando 19% abaixo do registado na segunda semana de pandemia COVID-19.

Por fim, a ANACOM aponta que o número de acessos em local fixo aumentou 2,2% e que o número de acessos móveis aumentou 0,7%. De igual modo, houve um aumento de 3,1% nos planos móveis pós-pagos, ao passo que os pós-pagos residenciais aumentaram 3,6%.

Em síntese, as comunicações em Portugal aumentaram significativamente em todas as suas modalidade. Uma nova realidade que trouxe redobradas responsabilidades e desafios para as principais operadoras como a MEO (Altice), NOS, Vodafone e NOWO.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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