Há bem poucos dias estreou no cinema o filme "Michael". Como o próprio nome indica, este fala-nos sobre Michael Jackson, aquele que, para muitos, é considerado o "Rei da Pop". Sem surpresas, é um dos filmes mais vistos no mundo, atualmente.
Tive a oportunidade de ver o filme no grande ecrã, este fim de semana, e, depois de o ver, consigo perceber perfeitamente o entusiasmo à sua volta.
O que achei do filme?
Desde logo, adorei a atuação de Jaafar Jackson, que faz o papel de Michael. Desde a forma como fala, à expressividade na voz, à sua caracterização, achei que foi uma réplica muito aproximada do cantor. Afinal de contas, Jaafar é (literalmente) sobrinho de Michael Jackson. É claro que o conhecimento mais profundo do protagonista também deverá ter ajudado na construção da personagem.
Acredito que é um filme perfeito para ser visto por fãs e não fãs. Pessoalmente, insiro-me na segunda categoria. Ainda que sempre reconhecesse e admirasse o legado de Michael Jackson, estaria a mentir se dissesse que consumi muito a sua obra ao longo do tempo.
No entanto, a forma como o filme nos explica quem era Michael deu-me uma vontade particular em conhecer mais sobre o seu percurso. É apresentado como alguém predestinado e sobredotado na música (e na dança), que sempre teve no pai alguém que quis espremer ao máximo o seu talento, ultrapassando muitas vezes o limite do aceitável, através da intimidação.
Michael é retratado no filme como alguém profundamente dócil, sonhador e que nunca perdeu a criança dentro de si, mesmo com a fama desde muito cedo. O filme evidencia ainda alguma solidão de Michael, que tinha na mãe e nos animais as principais referências de companhia.
Sem ritmo? Aquém da estrela que foi Michael Jackson?
No IMDb, são vários aqueles que dizem que faltou ritmo à história, ficando assim aquém do impacto que Michael Jackson teve no mundo. É claro que é subjetivo e não há críticas certas nem erradas, no entanto discordo profundamente.
Talvez por não ser fã e estar predisposto a ver o que sairia dali. Acredito que a maior expectativa dos fãs condicione essa visão. No entanto, é precisamente aí que eu acho que está o busílis da questão. O filme "Michael" não me pareceu feito para fãs ou não fãs, pareceu-me feito para ser sentido por pessoas.
O que mais me marcou não foram as canções, a ascensão do artista, o sucesso, nada disso. Foi o espírito de Michael Jackson, que o filme capturou na perfeição. Mostra-nos a sensibilidade enorme de Michael e Jaafar foi brilhante a passar essa mensagem.
Essencialmente por isso, acho que não: não ficou aquém de Michael. Num filme de personalidade, esperamos ver espelhada a pessoa. E em "Michael", isso ficou bastante claro. Se é 100% fidedigno à realidade ou não? Quem é fã saberá melhor isso do que eu. Mas como espectador, não tenho nada a apontar. Era capaz de ver novamente sem problema nenhum.
