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Um país já voltou atrás no Sistema Volta. E Portugal?

França desistiu do modelo nacional obrigatório de tara retornável após protestos dos municípios. Em Portugal, o sistema Volta cobra depósito de 10 cêntimos por embalagem mas tem avarias crónicas e queixas de desordem urbana.

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Imagem: Unsplash
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A política de depósito com reembolso para embalagens de bebidas acaba de sofrer um revés de peso. O governo francês recuou na intenção de impor um formato nacional obrigatório semelhante ao que temos ativo no território nacional com o Sistema Volta.

Em França optou-se por conceder autonomia a cada região para delinear os seus próprios modelos de triagem e recolha consoante a realidade local. A decisão surge na sequência de um período de três meses de negociações intensas com câmaras municipais, operadores de reciclagem e industriais do setor de bebidas.

Medida desvirtua o ato voluntário de reciclar, dizem em França

Segundo avançou o jornal Público, várias associações de autarquias, entre as quais a Amorce, manifestaram forte oposição ao mecanismo. Os municípios alegaram que a medida representaria um rombo orçamental severo face aos milhões de euros investidos recentemente na modernização dos centros de triagem públicos e na rede de ecopontos.

A juntar ao prejuízo financeiro, os autarcas franceses defenderam que atrelar uma recompensa financeira ao descarte de embalagens desvirtua o civismo da separação doméstica e desvaloriza o ato puramente voluntário de reciclar, embora o país mantenha a ambição de atingir 55% de plástico reciclado até 2030.

Em Portugal, a realidade do sistema Volta, estreado formalmente a 10 de abril de 2026 como pioneiro no Sul da Europa continental, tem revelado os mesmos atritos operacionais que os franceses quiseram travar à nascença.

Máquinas constantemente avariadas são um problema

Na prática, a rotina de devolver garrafas e latas nos supermercados tornou-se uma dor de cabeça constante. Tenho-me deparado pessoalmente com imensas máquinas avariadas nos estabelecimentos comerciais, que transformam a tentativa de recuperar 50 cêntimos ou 1 euro numa tarefa demorada, frustrante e dispendiosa para o tempo de qualquer pessoa.

As unidades de receção enchem com facilidade devido ao fluxo diário de entregas e ficam rapidamente bloqueadas ou fora de serviço até que algum funcionário do supermercado tenha disponibilidade para substituir os recipientes interiores e limpar os sensores. Já para não falar de que a maioria não devolve o valor de imediato em cartão.

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, já reconheceu publicamente a existência de constrangimentos operacionais. Admitiu a escassez de pontos de recolha adequados e promete a instalação de equipamentos com maior capacidade, além de um aperto na fiscalização.

O reembolso de 10 cêntimos por recipiente trouxe ainda consequências indesejadas para as ruas portuguesas. O valor económico associado ao selo originou episódios frequentes de despejo descontrolado de contentores e ecopontos amarelos por quem procura embalagens válidas.

Isto tem resultado em sujidade acumulada e um problema adicional de gestão de resíduos para as autarquias nacionais. Veremos se Sistema veio mesmo para ficar ou não resistirá a tantos problemas.

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.