
A tecnologia de condução autónoma supervisionada da Tesla acaba de perder a sua designação mais emblemática em solo europeu. A fabricante liderada por Elon Musk decidiu rebatizar oficialmente o Full Self-Driving (Supervised) para Tesla Assisted Driving no continente europeu.
Tesla muda Full Self-Driving (Supervised) para Tesla Assisted Driving na Europa
É, no fundo, uma alteração de estratégia comercial e regulatória para facilitar a aprovação definitiva do software por parte das autoridades comunitárias. A mudança já se reflete nas plataformas digitais da marca e o próprio site português da Tesla já foi atualizado, passando a apresentar a nova designação Tesla Assisted Driving aos clientes nacionais.
Esta cedência na comunicação surge na sequência de conversações com o Ministério Federal dos Transportes da Alemanha O compromisso com o governo alemão começou a ser desenhado em setembro com o ministro Steffen Bilger.
As entidades alemãs indicaram que o sistema apresenta um desempenho sólido em tráfego urbano nos ensaios conduzidos até ao momento, mas colocaram exigências para darem o seu apoio formal em Bruxelas.
Velocidade não poderá ultrapassar os 10% dos limites legais
Além da alteração do nome comercial para afastar a ideia de autonomia total desprovida de supervisão humana, Berlim pretendia que o software não ultrapasse os limites legais de velocidade em mais de 10%. Esta questão da velocidade tem gerado forte atrito regulamentar na Europa.
A funcionalidade original do sistema da Tesla permitia exceder os limites fixados na sinalização até 50% em determinadas condições de circulação. O comportamento levantou críticas ferozes na Suécia, que apelou diretamente à rejeição comunitária do software.

Tudo isto a par de reservas manifestadas por França e por organismos de segurança rodoviária como o European Transport Safety Council. Para manter o apoio alemão e contornar a oposição destes países, a marca poderá ter de limitar ou desativar esta margem de velocidade nas atualizações europeias.
Tivemos oportunidade de testar o Full Self-Driving em condições reais em Amesterdão, num ensaio onde podes ver em vídeo o comportamento prático do software nos desafios do trânsito europeu, e a verdade é que o sistema tem vindo a somar luz verde país a país. O novo nome, curiosamente, coincide com a designação já adotada nos manuais de proprietário da Tesla no mercado chinês.
A votação para a validação do sistema a nível de todo o bloco europeu, inicialmente agendada para 6 de outubro, foi adiada para dezembro. Para garantir a luz verde, a Tesla necessita de reunir uma maioria qualificada com o voto favorável de pelo menos 15 Estados-Membros:
-
Oito países europeus já aprovaram o sistema nas respetivas redes rodoviárias: Países Baixos, Bélgica, Dinamarca, Lituânia, Estónia, Eslovénia, Chéquia e Croácia;
-
A Alemanha, o maior mercado automóvel do continente europeu, ainda não emitiu a autorização definitiva para as suas estradas, mas a cedência da Tesla no nome e a cooperação nas regras de velocidade aproximam o país de um parecer positivo.